12 meses, 12 estações.

9 05 2008

A análise continua, embora com publicação tardia.

Depois da líder de audiências e da estação que lidera entre os jovens, temperada com peculiaridades de uma estação de carácter local, o mês de Abril assistiu à renovação do website de um dos canais das estações públicas, a Antena 3, que se reconfigurou em função de uma lógica comunitária e uma estrutura online que vai ao encontro das tendências da web 2.0.

Abril

Uma rádio jovem, feita por menos jovens, a piscar o olho à web

É na web que estão os jovens e, sendo desta uma estação pública dirigida ao público mais jovem, faz todo o sentido que a presença online da Antena 3 ultrapasse o formato de “montra”, assumindo-se como um complemento da emissão hertziana, uma mais-valia para o ouvinte e uma plataforma de difusão e, acima de tudo, comunicação adicional ou alternativa.

Renovado muito recentemente, o novo website da Antena 3 apresenta uma mudança mais conceptual do que estética, com uma remodelação gráfica que mantém a linhas estruturais anteriores, demonstrando contudo, uma modernização em termos de estilo, adaptando-o às mais recentes tendências gráficas para a web.

A mudança verifica-se essencialmente ao nível dos serviços ofereceridos e das funcionalidades oferecidas.

Ao nível dos conteúdos, há mais informação sobre música e, acima de tudo, maior destaque aos conteúdos programáticos da estação, com espaço para os arquivos sonoros e os weblogues dos programas que a estação pretende destacar. Ao texto e ao som, a página da Antena 3 adicionou o vídeo, recorrendo ao YouTube para os alojar. A oferta da Antena 3 TV é ainda insipiente, mas apresenta já vários canais cujos conteúdos serão compilados ao longo do tempo, demonstrando capacidade de iniciativa e contribuindo claramente para ajudar a repensar, ou reformular, o conceito de rádio.

Os programas, disponíveis em arquivo, numa lógica de on demand e, na sua maioria, em podcast, constituem a memória da estação que passou a estar disponível de acordo com a disponibilidade do ouvinte, permitindo-lhe saber exactamente quando há programas novos disponíveis, através do RSS.

No capítulo da leitura, cada notícia tem também novas funcionalidades agregadas. A letra pode aumentar e a notícia pode ser escutada, com boa voz e uma dicção muito aceitável. Destacam-se ainda a possibilidade de comentar, guardar nos favoritos ou partilhar através das redes já constituídas, como serão o MySpace ou outros serviços, como o del.icio.us.

Com uma história que remonta a 1994, a Antena 3 é uma estação que tem sabido envelhecer com o seu público original, mantendo-se contudo, jovem suficiente para ir adicionando novos ouvintes ao seu público. Na programação, existiram também alterações recentes que procuraram refrescar as emissões e criar uma oferta mais abrangente ao nível dos tema tratados e dos géneros explorados. Do ponto de vista da informação, ainda que esta seja curta, mantém o ouvinte actualizado sobre o que se passa no mundo, oferecendo-lhe, a cada meia hora, notícias sobre o universo musical, numa lógica que, sem menosprezar a informação noticiosa, a complementa com o tema que domina as emissões: a música. Paralelamente, as rubricas que a estação inclui na programação apontam ao humor e à formação do ouvinte, procurando cumprir o pilar das funções da comunicação social, de formar, informar e entreter. No capítulo musical, a Antena 3 aposta acima de tudo na variedade de géneros e estilos, com algum peso para a produção nacional, sendo que, dadas as suas características de serviço público, dificilmente alguma vez conseguirá agradar a gregos e a troianos…




Play.it (continuação/update)

7 05 2008

“Play.it” my way, deveria ser este o nome do projecto da  [ler post de ontem] uma aplicação que a CBS está a desenvolver em parceria com a AOL e que permite ao ouvinte (ou será utilizador?!) criar a sua estação de rádio online personalizada. Ou seja, diz a notícia da Advertising Age que o “Play.It essentially allows users to act as their own digital DJs. David Goodman, CBS Radio’s president-digital media and integrated marketing, gave the example of creating his own playlist around Bruce Springsteen. If he wanted to skip ahead to a new song, he could, a feature streaming radio can’t offer. He could then share it with his friends on Facebook and MySpace and invite them to suggest other artists and songs to add to the station’s playlist. If he wanted to keep any of his least-favorite bands off his online airwaves, say The Eagles, he could add them to a list of forbidden artists”. [Ler]

Será ainda, o ouvinte, um utilizador?

“It’s a way to create a cool and dynamic page for radio in a way that never existed before,” Mr. Goodman said.

Estaremos, finalmente, no caminho que Bertold Brecht anunciou, de que a rádio só se concretizaria quando o ouvinte fosse também, um produtor de conteúdos?




Música: sex, drugs and rock’n'roll

6 05 2008

Leitura:

Women, Sex and Music

The Sexualization of Female Singers in the Music Industry

Michael Peters, SUITE 101

“(..) Sex sells. There is no denying this fact. It is a tremendous marketing tool and fuels the insatiable cravings of a sex-obsessed society. (…) There are many female singers present in the music industry. Many have great voices and maintain a strong subjectivity throughout their songs or performances. Artists such as Whitney Huston, Aretha Franklin and Reba McEntire are rarely criticized for their raunchy lyrics or fashions. The sole factor being is that they do not need to be vulgar or raunchy. They have been around for quite sometime and are respected on the merit of their talents alone. They have proven themselves. It is the younger generation of singers that are the most troublesome. (…) It has now become about her body and how she can sexualize herself to appeal to a large male audience (in hopes of obtaining fans that may not have been attracted to her music in the first place). If one would reminisce for a brief moment. Think about the artists that started off as innocent, wholesome singers and then abruptly transitioned into highly sexualized objects. Britney Spears, Christina Aguilera, Jessica Simpson, Mariah Carey (breast implants and all), Jennifer Lopez, Jewel, Fergie, Jojo, Avril Lavigne and so on.” [ler]




Leituras

6 05 2008

JUPITER RESEARCH:European Digital Music (Maio, 2005)

Converting Nonbuyers

A host of innovative digital music service announcements indicate renewed momentum in the digital music marketplace. However Apple’s iTunes Music Store remains the dominant force.

Key Questions

  • How does European digital music opportunity differ by country?
  • What are the key characteristics of digital music buyers and digital music prospects?
  • What tactics should be employed to convert prospects?



    Notícias

    6 05 2008

    Rádio a caminho de uma transformação: passa a produtor de conteúdos?

    A RR reformulou o Página 1, adianta o M&P.

    “O objectivo, adianta o responsável, é ‘apostar na produção própria com temas que podem ou não ir à rádio e que podem ter origem na Página1′. Para isso em Fevereiro, a estação reforçou o número de jornalistas dedicados em exclusivo à produção de conteúdos para o Página1, que passou, além do editor Raul Santos, a contar com uma equipa de três elementos, a que se juntam os contributos da equipa de redacção da estação. O projecto gráfico, sob a responsabilidade do designer Carlos Pinto, passou a apresentar uma nova organização dos conteúdos que surgem numa “maquetagem hierárquica”, à semelhança da edição de um jornal, ou seja, os temas surgem organizados em secções, como destaque, opinião, nacional, internacional, entrevista, economia ou desporto. Nesta nova fase, o Página1 reforçou a equipa de comentadores que diariamente, e alternando semanalmente, irão a passar a comentar para a edição em PDF.Neste novo formato, o Página1 só terá uma edição diária (às 17h)”. [ler]

    Efectivamente, a mudança de paradigma nos media está instalada, a favor da institucionalização do jornalismo multimédia resultado da reorganização estrutural das redacções e do recurso a jornalistas capazes de produzir para diferentes plataformas. No caso da rádio e, particularmente no exemplo da Renascença, o Página 1 irá contribuir para a redefinição da própria rádio que associa, cada vez mais, outro tipo de conteúdos e de linguagens ao elemento central da sua comunicação - o som. Embora, através da leitura da notícia, não se depreenda uma mudança integrada na estrutura da redacção, sua organização e modo de funcionamento, mas sim a adição de novos elementos que contribuem para a autonomização do Página 1, assumindo-se este como mais uma forma de comunicação da estação e uma ampliação da sua oferta de conteúdos.

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    Erockster and Play.it

    5 05 2008

    Novo site de música, da Clear Channel:

    ” Clear Channel Radio launched a new music site — erockster (erockster.com). Aimed at 13- to 34-year-olds, it’s an eclectic mix of classic and indie rock, soul, dance and hip-hop (…) In addition to the streaming player, listeners also can use an on-demand feature and choose individual songs or entire CDs. It also will have an on-air presence, with plans for a weekly two-hour syndicated radio program in the works. And it will broadcast as one of Clear Channel’s many HD multicast channels. (…)” [ler]

    Projecto da CBS:

    “CBS will launch play.it, a music streaming service where users can indicate who their favorite artists are and get a customized playlist of similar music they may like. Play.it users will be able to choose from a selection of icons representing different artists.” [ler]




    Play it again… Sam

    5 05 2008

    Over and over, again“… É o número de vezes que estrategicamente, as estações de rádio optam por tocar uma canção de sucesso. Isso, já todos sabemos. Basta ouvir rádio aqui, ou em qualquer parte do mundo. Em FM ou na Internet. A repetição não é uma estratégia inovadora.

    O ouvinte tende a gostar daquilo que conhece e a desprezar a música que não lhe é familiar, pelo que, desde sempre que a rádio opta por criar os seus sucessos, ou aproveitar a boleia da televisão e do cinema, com séries, filmes, telenovelas e os canais de música a fornecerem de forma contínua à rádio, canções e artistas que esta vai apresentar ao público, potenciando o seu sucesso por via da repetição. Esta, nota-se cada vez mais, por força das circunstâncias em que a escuta se faz: curtos períodos de tempo ou acompanhada de desatenção constante por parte do ouvinte.

    Ora, se a escuta se faz por períodos curtos e em cada um deles o ouvinte está a escutar repetidamente a mesma canção, não será esta uma estratégia que o poderá afastar da rádio? Por outro lado, mesmo tendo a rádio como ruído de fundo, a repetição leva à identificação e esta, conduz inevitavelmente ao agrado, saturação e desagrado, pelo que será muito ténue a linha entre o ouvinte fiel e o ouvinte que muda de estação ou que abandona a rádio a favor da sua própria selecção musical, no computador ou no leitor MP3.

    Poderá argumentar-se que a existência de ouvintes passivos - que desejam apenas consumir, sem intervir - manter-se-á ao longo do tempo, como sempre existiu. Contudo, é inegável a tendência para que o consumidor de música e informação assuma uma atitude pró-activa, de seleccionador e organizador dos conteúdos - musicais ou não - que deseja consumir. E esta selecção, inclui muito mais do que a rádio enquanto meio de comunicação e fonte de informação. Inclui a web e toda a sua oferta, ainda que a rádio continue a ser uma das principais formas de promoção da música junto do grande público…




    Pensar a rádio…

    28 04 2008

    Pensar a rádio em contexto digital, implica necessariamente adaptar o meio ao contexto, ao seu desenvolvimento permanente e aos usos e exigências do público.

    Do ponto de vista comunicacional, a Internet está a atingir uma segunda fase da sua curta existência, não se prevendo ainda quando será a sua maturidade enquanto plataforma de comunicação. Neste sentido, surgem constantemente inovações na forma da sua utilização, que derivam da evolução da oferta de conteúdos, da forma da sua apresentação e do suporte que é utilizado, pelo que a adaptação tem também de fazer-se, por exemplo, em função do ecrã do telemóvel, em detrimento do computador.

    Não restam dúvidas de que há muitas ideias a surgir, especialmente no que respeita à relação que se estabelece entre a pesquisa e navegação aleatória e a especificidade da informação personalizada, relevante e pertinente para cada indivíduo, que deverá estar disponível onde quer que o mesmo se encontre, pelo que, o telemóvel se assume cada vez mais como o suporte que no futuro será o principal, para navegação na web, permitindo ao indivíduo consultar o e-mail, resolver questões gerais do seu quotidiano, enquanto circula ou está afastado do seu computador.

    Na realidade, as plataformas móveis de comunicação estão a tornar-se ubíquas e apresentam cada vez mais possibilidades de comunicação, com o desenvolvimento de novos aparelhos com maior capacidade (memória e procesamento de dados) que permitem a introdução de novas aplicações para uma melhor gestão da sua utilização, adaptando a web a estes aparelhos.

    No quadro deste desenvolvimento, considerando que a maior parte dos telemóveis hoje tem rádio, captando as estações em FM, fará sentido pensarmos na escuta de rádio online em plataformas móveis?

    Sim, desde que os operadores de rádio alterem a sua perspectiva relativa ao meio…

    Desde que reconceptualizem a presença da rádio na web e, embora mantenham a identidade do meio, essencialmente sonoro, reconfigurem a rádio em torno dos parâmetros do digital, abordando o ouvinte mais como um utilizador. Enquanto utilizador, o indivíduo assume uma postura que é também a de ouvinte, mas que se centra numa lógica diferente, manipulando os conteúdos e a navegação na página de forma individual e personalizada. Por esta razão, venho defendendo que as páginas web da rádio se podem assumir como a página de entrada no utilizador na web, o local onde começa e termina sempre a sua navegação.

    Uma espécie de iGoogle radiofónico, que permite ao utilizador personalizar os conteúdos que deseja visualizar, abrindo-lhe as portas da web. Mais do que referenciar uma dada estação como página inicial, importa transformar essa página numa paragem relevante que não se abandona ao longo do dia, deixando a marca da estação sempre presente na barra de navegação do web browser. Paralelamente, cada estação deverá cuidadosamente analisar o perfil, o tipo de navegação e os conteúdos que os seus ouvintes consultam enquanto assumem a sua postura de utilizadores, oferecendo-lhe esses mesmos conteúdos - ou a possibilidade de os referenciar na página da estação - juntamente com conteúdos próprios, produzidos pela estação em função da sua identidade que, neste contexto digital, não pode perder-se ou confundir-se com qualquer outra identidade, misturando a lógica FM com a lógica WEB. Em termos de marca, a identidade mantem-se, embora na web, esta possa ser ampliada pela oferta multimedia.

    Esta identidade multimedia tem a ganhar se recorrer a conteúdos áudio em detrimento de outros conteúdos visuais, por forma a que, mesmo que se afaste, por via das hiperligações, da página inicial, o utilizador não abandone a sua condição de ouvinte e possa, ao contrário do que acontece com outros meios na web, manter a grande vantagem da rádio: a de efectuar outras actividades, enquanto escuta a emissão.

    E, neste caso, não quer dizer que esteja a ouvir a emissão FM em streaming na web. Poderá, sim, estar a escutar conteúdos como podcast de programas, noticiários, rubricas, trânsito ou qualquer outro conteúdo visual ou escrito, disponível no website e disponibilizado paralelamente à emissão FM. Ou seja, sempre que clicar em qualquer conteúdo, a emissão FM será interrompida para ser retomada mal acabe a reprodução do ficheiro escolhido.

    Caberá ao ouvinte transformar-se num utilizador e decidir que utilização quer fazer da sua estação de eleição. Note-se que, entre os que se mantêm como ouvintes, escutando apenas rádio em FM - por força de circunstâncias várias (exemplo dos taxistas ou de outras profissões sem acesso à web em permanência) -, e os que são assumidamente utilizadores, recorrendo às páginas web de cada estação para poderem continuar a escutar a “sua” estação de rádio ou para terem um ruído de fundo enquanto trabalham, vai uma grande diferença.

    Quer isto dizer que temos, nesta altura, três contextos de utilização da rádio: um que se mantém analógico (FM); um eminentemente digital (que oscila entre o FM e a WEB, consoante se trata de driving time ou working hours) e outro, assumidamente digital, composto por indivíduos que escutam rádio na web e que dividem essa escuta entre rádio online (as que são também FM), web radio, serviços de música e os leitores áudio digitais, compondo assim, a sua banda sonora. Neste sentido, considerando que há já duas tendências de escuta de rádio/música online/digital, caberá à rádio encontrar o seu espaço neste domínio, servindo estes ouvintes que são, acima de tudo, grande consumidores de informação e conteúdos, ou seja, os utilizadores que podem garantir o futuro da rádio.




    NetFM em hibernação

    23 04 2008

    Caros leitores,

    Nos próximos dias, o NetFM estará a publicar a um ritmo mais lento, por via de mudança de operador de telecomunicações, estando, consequentemente… Dependente da rapidez de instalação e prontidão na activação do mesmo…

    Até muito breve (espera-se)!




    Weblogue interessante

    23 04 2008

    Um weblogue interessante, ao qual cheguei via Indústrias Culturais:

    New Music Strategies