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Trabalhos/Works

[Finalizando] Na sequência deste artigo, e dissecando os resultados obtidos nos meses de Julho e Agosto de 2011, considerei no meu Ensaio o seguinte:

(…) li com agrado que 63% da amostra afirma ter por hábito seguir “programas de autor”. Quando elaborei esta questão, tive o cuidado de ilustrar o conceito dando como exemplo o velho e conhecido “Oceano Pacífico” (de João Chaves, na RFM), para tentar separar o conceito de “continuidade” (playlist) do programa produzido por uma pessoa ou equipa, e com um conteúdo específico. E a maioria dos inquiridos afirma que o faz, precisamente, pela música que este escolhe. O que relança, se me permitem, a confiança de que o Homem está para além da máquina, e que esse sentimento, essa mensagem, acaba por passar. Note-se, por exemplo, quando se fala num determinado programa de uma qualquer Rádio, não se discute acerca “daquele da tarde”, mas quase sempre “do tipo que faz aquele programa à noite”. Este exemplo grosseiro pretende representar a ligação de intimidade que existe entre quem faz e quem ouve a Rádio, sentimento que, pelos vistos, ainda não se perdeu.

Na sequência deste artigo, e dissecando os resultados obtidos nos meses de Julho e Agosto de 2011, considerei no meu Ensaio o seguinte:

A Rádio continua a ser tema de conversa: 60% dos inquiridos tem por hábito sugerir a amigos ou conhecidos a(s) Rádio(s) da sua preferência, e a esmagadora maioria fá-lo precisamente por causa da música que ouve por lá, e que continua a ser (sem espanto) a principal razão que leva os ouvintes a ligar o Rádio. O “boca-a-boca” continua a ser um dos veículos de marketing mais poderosos, e isso é válido para todo o tipo de recomendações; vários resultados deste questionário sugerem precisamente isso, desde a Rádio ou programa que “vale a pena ouvir”, até à música que se descobre numa das redes sociais ou num blogue da internet. De notar que 81% dos inquiridos se sente influenciado pelas sugestões musicais de amigos ou conhecidos, independentemente da proveniência física ou virtual da partilha, reforçando a ideia de que somos cada vez mais os “filtros” (gatekeepers) uns dos outros, numa escala sem precedentes. A internet e a World Wide Web vieram alterar profundamente a rapidez a que isto se processa; o “boca-a-boca” (aquilo que Òscar Celma chama de Foafing the Music) é, nos dias de hoje, instantâneo, o que justifica os fenómenos (fulminantes) de popularidade a que assistimos constantemente, nas mais diversas áreas.

Faço notar também que a Rádio ainda é tida como uma fonte importante de informação, pela elevada percentagem de ouvintes que segue os respectivos programas ou serviços noticiosos. Pena é que a música, na maioria delas, seja tratada apenas como um mero entretenimento; no entanto, a música é prazer, cultura, mas também é informação.

Na sequência deste artigo, e dissecando os resultados obtidos nos meses de Julho e Agosto de 2011, considerei no meu Ensaio o seguinte:

(…) “a Rádio está de boa saúde, ainda que maioritariamente circunscrita à companhia durante a condução automóvel. 66% afirmam que ouvem rádio até duas horas por dia, sendo que 63% o fazem habitualmente no carro, e 20% no emprego. Outros estudos sugerem que muitos (a maioria?) dos que ouvem rádio no local de trabalho o fazem na sequência do que ouviram no rádio do carro, ou seja, continuam a ouvir no trabalho a estação que tinham sintonizada no auto-rádio. Os números mostram também que a internet e o rádio convencional partilham um protagonismo semelhante, presumindo eu que o consumo de rádio via internet deverá aumentar à medida que, por um lado, mais pessoas tenham acesso a ela, e por outro, se habituem à ideia de que têm o rádio no computador, uma vez que todas as Rádios disponibilizam as suas emissões online. Aliás, 63% afirmaram que ouvem rádio via internet “raramente” ou apenas “às vezes”, o que me sugere nada mais que apenas, falta de hábito.

Faço aqui um parêntesis para sublinhar a importância dos mecanismos de difusão da emissão online. Do mesmo modo que ninguém tem paciência para ouvir rádio (num aparelho convencional) com interferências, também não é admissível aceder a uma emissão via internet quando esta é de má qualidade, ou porque sofre interrupções constantes, ou porque requer a instalação adicional, no computador, de programas ou plugins especiais, ou ainda, porque a qualidade do som é sofrível. Quanto a este último aspecto, espanta-me o fraco investimento da generalidade das emissoras nacionais, sobretudo estando eu habituado a ouvir rádios norte-americanas (…) com um bitrate (qualidade sonora)  de 128 Kb/s, a emitir a milhares de quilómetros de distância. Fosse melhor a qualidade do som das rádios nacionais, e talvez mais pessoas “ligassem o rádio” no computador. É assim que se criam hábitos, e conquistam ouvintes.”

Na sequência do meu último artigo, e dissecando os resultados obtidos nos meses de Julho e Agosto de 2011, considerei no meu Ensaio o seguinte:

 

“Achei muito curiosos os resultados obtidos pela primeira questão, que pretendia saber qual ou quais as Rádios ouvidas com mais frequência. Foi inevitável a comparação com os resultados obtidos pelo sistema de avaliação trimestral da Marktest (o Bareme-Rádio), e da qual extraí algumas considerações interessantes: se o Bareme nos diz, há anos, que a RFM é a líder incontestável de audiência no panorama radiofónico português, os resultados deste trabalho demonstram que é verdade, esta encontra-se, de facto, entre as Rádios mais populares, mas ainda assim atrás da Rádio Comercial e a par da TSF e da Antena 3.

A diferença é tão grande que tenho de voltar a fazer aqui referência à metodologia aplicada, e meter o dedo na ferida: será admissível confiar num estudo (oficial) como é o Bareme-Rádio, quando este se baseia em entrevistas efectuadas para telefones da rede fixa, coisa que cada vez menos se usa? Ao invés disso, não deveria esse estudo apoiar-se noutras ferramentas, nomeadamente o telemóvel ou a internet, para desse modo abranger uma faixa realmente representativa da população? Ao deparar-me com os resultados aqui obtidos, penso imediatamente nas implicações de tal avaliação, nomeadamente, na sua repercussão comercial, sendo que a Rádio mais ouvida é a que mais vende; ou seja, os estudos da Marketest apresentam resultados que valem dinheiro.

As questões que aqui levanto não são novidade, têm inclusivamente sido alvo de alguma discussão no meio académico, mas a verdade é que, apesar da existência de tecnologia capaz e da realidade do Portugal do século XXI, o telefone fixo da residência doméstica continua a ser o método utilizado para contacto com os ouvintes. Fossem outros os meios, e talvez os resultados trimestrais (outra decisão de difícil compreensão, num mundo onde a audiência televisiva é avaliada, literalmente, ao minuto) do Bareme-Rádio revelassem uma realidade diferente. Eu estou certo que sim.”

 

Entretanto, os resultados de 2012 já apresentam a Rádio Comercial no topo da lista das mais ouvidas pelos portugueses. Por aqueles que atendem o telefone fixo, bem entendido.