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Radio

Apesar do aumento inquestionável dos novos sistemas de partilha e, consequentemente, de decisão (leia-se, redes sociais e serviços de streaming/download), a Rádio continua a marcar pontos quando se fala em descobrir “música nova”.

aqui: Broadcast Radio Is Growing In The U.S., Especially Non-Commercial FM.

E quem sabe se, por este caminho, é possível redescobrir a Rádio.

A Rádio, enquanto meio, É som. Hoje ouvimos rádio em diferentes plataformas, observamo-la carregada de fotos e vídeos (online), mas na sua base, a Rádio faz-se de som.

Muitas foram as transformações sonoras (a forma como a rádio se apresenta) ao longo da nossa história, condicionadas pela tecnologia, pelas derivas da imaginação e pelo pulsar da sociedade. As diferenças são evidentes, e hoje dão-nos vontade de rir; compare-se o estilo da antiga Emissora Nacional com o da actual rádio generalista (ex: Rádio Comercial); ou até a rádio norte-americana ou inglesa, que durante anos e anos estiveram muito à nossa frente (hoje o estilo continua a ser diferente, mas a globalização tende a alisar tudo, os média inclusive).
Mas não precisamos de ser tão radicais na comparação temporal e de estilo. As rádios sempre construiram a sua “imagem sonora” adaptando-a a tendências e estratégias, com alterações mais ou menos profundas.

Alterar a imagem sonora de uma estação é um processo delicado, já que modificações importantes têm consequência nos níveis de percepção do auditório, com a identificação empírica que construiram, sons e vozes que se associam automaticamente a uma rádio, ou seja, a uma “marca”.

E porque a rádio é som, um dos seus elementos mais distintivos é, na minha opinião, o “jingle de estação”. Podem mudar as vozes, as músicas (cada vez menos factores de afirmação – não confundir com “estratégia”), mas se mudarem radicalmente o “desenho sonoro” (separadores, trilhas, jingles promocionais), alteram-se profundamente as ligações perceptivas com o auditório.

Isto para dizer que, em Portugal, uma das rádios (se não mesmo “a” rádio) que melhor soube manter a coerência estética (considerando o no nosso passado recente, talvez desde a “lei da rádio” em 1989), foi a TSF. Com altos e baixos, evidentemente, a TSF sempre foi construída com sons fortes e distintos, cheios, que nos entram pela cabeça adentro.

Qualquer ouvinte minimamente atento consegue identificar a TSF apenas pelo som (nomeadamente as trilhas – ou “tapetes”, como também lhes chamamos), e entre eles, os jingles de estação e promocionais. São uma das “imagens” mais fortes da TSF, e que têm agora um lugar de destaque: a “Pasta dos Jingles”.

Tenho o privilégio de ser colaborador da TSF desde 2004. Sim, é um privilégio estar ali, naquele meio, com aqueles profissionais, todos os dias a aprender com toda a gente, jornalistas e técnicos e locutores.
Para nós que ali fazemos locução de continuidade, a sonoplastia tem um papel de guia, é ela que nos impulsiona a voz e o ritmo, que nos altera a disposição, que nos lança e faz lançar outras vozes, outros sons. O trabalho da sonoplastia é o elemento unificador entre jornalista e locutor, entre estes e os programas/rubricas, é o contínuo que liga a rádio ao ouvinte; é uma das maiores forças da marca TSF.

A sua energia é tão grande que tudo o que escrevi pode ser resumido assim:

(texto e voz de Fernando Alves, sonoplastia de Alexandrina Guerreiro)

Oiçam a “Pasta dos Jingles” AQUI.