Tempos modernos, ideias antigas.

Mas a rádio continua a fazer todo o sentido: pela via mais autoral (que não morreu com as playlists), e com o lado da informação.” (daqui)

Concordo inteiramente, Inês, a Rádio continua a fazer sentido, mas desconfio que só pelo lado da informação. É que fiquei sem perceber o que quis dizer com “as playlists não mataram a via mais autoral da rádio”; ai não? A Inês consegue fazer “Rádio de Autor” com a música escolhida por outros? Tem essa capacidade de adaptação (teatral) de transformar em seu o desenho de outros? Ou, seguindo o exemplo, consegue preencher com cores os bonecos traçados de linha preta em papel branco, e no fim dizer que aquilo foi uma “criação” sua?

É por incompetência certamente, ando pela rádio há quase 26 anos e continuo sem perceber como é que isso se faz. Já experimentei, sem sucesso, todas as minhas tentativas resultaram num fracasso.

Se é possível fazer “bem feito” com a música das playlists? Claro que sim. Tendo como base essa lista, independentemente do que se gosta ou não, a Rádio é um produto que se vende, e podemos ser melhores ou piores vendedores, depende do empenho, chame-se-lhe “brio”, até da capacidade de abstracção (alienação?) de engolir uma música que não se gosta e dizer dela maravilhas. Sabemos que é assim que funciona, são as “leis de mercado” ou lá como se diz. Consigo ser competente nesse particular, e sei de quem o faz com grande mestria. Acrescentar às escolhas dos outros informação nossa, e já está, parece que fomos nós que escolhemos o que partilhamos, não é?

Mas isso é “Rádio de Autor”? Desculpe Inês, mas não me parece. Tudo o que assenta numa mentira, ainda que bem disfarçada, é um embuste, é uma peça de teatro manhosa, que um ouvido minimamente treinado como o nosso topa à primeira.

Se o ouvinte tem interesse nesta conversa? Francamente, não me parece. O ouvinte não é burro, mas acredita (quanto mais não seja por auto-defesa) que o que a Rádio lhe dá o melhor que tem, senão veja-se o poder de motivação dos telejornais, e a Rádio tem até, como diz e bem, mais credibilidade.

Se a “Rádio de autor” faz falta? Completamente de acordo. É o “autor” quem vai dar/criar sentido nesta Rádio cada vez mais igual. Em abono da verdade, hoje em dia, é mesmo a única coisa que me faz ligar o rádio.

[estou certo que esta minha dissertação extravasa largamente as intenções das palavras da Inês Meneses; esta minha “resposta” é absolutamente ficcional, foi apenas um pretexto para pegar no assunto ]

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