Tendências digitais (que se adaptam à rádio)

Com base nas tendências que Edelman’s Steve Rubel and David Armano identificaram, bem como a forma como as empresas as devem enfrentar, reparei que  se algumas adaptam à rádio, pela forma como esta tem, cada vez mais, de ser pensada em função da sua natureza multimédia e multiplataforma.

Para alguns, estas tendências já são de facto, a realidade. Algo tão óbvio que não faz muito sentido continuar a designá-las por tendências, mas antes o modus operandi para as organizações. Na realidade, parece-me que quem continua a pensar em função daquilo que a web e o comportamento da audiência foram, sem pensar no que serão, para assim, acertar no “são”, ficará cada vez mais atrasado em relação à concorrência. E esta, não é necessariamente entre estações de rádio ou marcas radiofónicas (entenda-se neste caso, as que já estão a actuar mais na produção de conteúdos para várias plataformas – FM included! – do que na criação de uma programação de rádio dependente de uma playlist formal, com locutores que dizem tudo, menos aquilo que interessa ouvir).

Assim, como os autores referem, chegámos ao ponto do marketing in the age of streams, com o público – interno e externo – a exigir páginas web dinâmicas e interactivas, nas quais pode desenvolver todo o tipo de interacções, à semelhança do fluxo em redes como o Twitter ou Facebook, nas quais as coisas vão acontecendo, vão-se sucedendo, anulando ou são catapultadas para a ribalda mediante o interesse que despertam no público. As aplicações móveis são particularmente importantes neste domínio, uma vez que (veja-se o blog de Ferrari Careto sobre esta questão “a venda de smartphones tem vindo a crescer significativamente, o que também acontece em Portugal“), facilitam essa interacção e o acompanhamento do fluxo, onde quer que o indivíduo se encontre (sim, também já não é propriamente nova a máxima de que hoje os indivíduos querem estar sempre conectados – anytime, anywhere, anyhow – ring a bell?!), aumentando o impacto da marca – seja qual for a que lhe propicie esse fluxo – donde, a rádio tem de lá estar.

E, porque no seguimento deste processo, “everyone is media” (como referem os autores), os media entram num processo de Googleization transformando as suas páginas eminentemente radiofónicas em portas de entrada para a web (onde é que eu já escrevi isto antes?!), com a possibilidade de pesquisa na web e ligações às redes sociais, nas quais o conteúdo e informação é cada vez mais, o aspecto mais importante: a forma como cada um de nós se transforma também, numa fonte de informação (independentemente de podermos considerar, ou não, o conteúdo mediático), esta está disponível online para todos, favorecendo a formação de opiniões que, de acordo com estes autores, se transforma em comportamentos. Neste sentido, também a rádio tem de ser um “data junkie” (como os próprios definem), para acompanhar a tendência.

Paralelamente, há aspectos que, não me parecendo (para já) tão relevantes, são igualmente interessantes, como seja o exemplo da tendência de geo-localização que, no caso da rádio, pode ter interesse no sentido da aproximação dos ouvintes, reunindo num mesmo local – virtual – os que seguem a emissão ou estão ligados à página da estação em diferentes partes do mundo. Algo que a rádio faz, sem pensar nesta tendência, mas procurando mostrar como a Internet é relevante e como a sua marca tem notoriedade, quando reproduz os comentários de ouvintes de fora do país de origem. Neste sentido, há uma outra tendência que reforça também algo que já existe na rádio, tornando o privado público – actualmente através da partilha em redes ou aplicações de carácter social, nas quais os indivíduos tendem a abandonar preconceitos e preocupações relativos à sua privacidade, expondo a sua vida privada através de textos, imagens e vídeos – um adicional em relação à palavra, que já usavam para contar, no ar, muitos aspectos da sua vida pessoal, em programas destinados ao efeito ou em comentários, durante breves participações em passatempos.

Assim, mais do que seguir as tendências, a rádio deveria antecipá-las pelas agilidade que lhe é característica. Contudo, como tenho visto pela acção das empresas de media, operadores de radiodifusão, reguladores e, mesmo, académicos, a rádio, como os restantes media, segue atrás das tendências…

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