O público define, a rádio escolhe

Dê voz a um sonho: uma iniciativa da Renascença para encontrar novos locutores para a sua equipa.

“Tudo começou em Janeiro quando os ouvintes foram convidados a dar a sua opinião sobre as características que gostariam de encontrar nas novas vozes do canal. Seguiu-se uma fase, na qual se inscreveram milhares de pessoas, que prestaram provas no estúdio móvel da Renascença no Porto, em Coimbra e em Lisboa.”

Este é apenas um dos exemplos visíveis da influência do ouvinte na rádio.

Longe de processos intuitivos que dominaram a gestão a rádio durante décadas, a rádio hoje aposta numa maior proximidade aos ouvintes, auscultando os seus gostos e expectativas para recolher informação sobre os mais diversos aspectos: inclusivamente as características da voz. Se pensarmos na voz, enquanto um dos elementos mais importantes do sistema de comunicação da rádio, encontramos, neste exemplo, o reconhecimento dessa importância, paralelamente àquela que é dada ao próprio ouvinte. Neste sentido, os vários sistemas expressivos que constituem a linguagem radiofónica não actuam isoladamente na produção de sentido. A musicalidade da palavra ou as respostas afectivas na comunicação com o ouvinte são elementos expressivos e estéticos que também caracterizam a natureza da mensagem radiofónica.

Na rádio, a plasticidade das vozes e dos sons permite a diversificação das imagens produzidas no ouvinte, a multiplicação das identidades definidas e a criação de personagens possíveis, pela ausência da sua materialidade. A voz é um elemento com um peso substancial na comunicação radiofónica. As qualificações da «cor» da palavra oscilam muitas vezes entre o grave e o agudo e podem ser decisivas para a relação que se estabelece na comunicação radiofónica. Há inevitavelmente toda uma identificação visual que habitualmente se faz da pessoa a quem pertence a voz. Hoje, minimizado pela imagem associada à rádio e seus locutores, na web. Contudo, esse levantamento de características é também influenciado por outro elemento diferenciador da palavra radiofónica: a melodia da palavra. Como não há recurso à linguagem gestual, a melodia é um elemento básico para dar sentido à palavra, para expressar as diferentes conotações que lhes podemos associar.

É através da voz que se envolvem os ouvintes em torno de sequências ordenadas, que seduzem e partem à conquista da identificação com o autor da comunicação. A voz surge como um índice do próprio, a partir do qual o ouvinte deverá construir a imagem da pessoa no seu todo. Neste poder da imaginação individual, vai fundar-se uma espécie de relação entre o locutor da estação e o ouvinte, na qual a voz, enquanto referente do enunciado, coloca a rádio num patamar dominado pela imaginação onde vozes correspondem a figuras aparentes, criadas por cada ouvinte da rádio e que são consubstanciadas através das fotografias dos locutores na web e nas redes sociais.

As qualidades acústicas da nossa voz caracterizam a nossa personalidade e influenciam o processo imaginativo – visual, a partir da eloquência do locutor e da forma como a voz projecta os seus sentimentos e ideias.

As vozes vencedoras são aparentemente do mais comum que se pode imaginar, numa expressividade bastante coloquial, contrária à tendência que durante anos se escutou, de vozes “radiofónicas”, bem colocadas e fortes.

Embora a qualidade de som não seja a indicada para uma avaliação desta natureza, parece que a selecção dos ouvintes se enquadra no meio termo, entre a voz grave e aguda: se a voz grave nos orienta no sentido de proximidade, num contacto psicológico mais estreito entre locutor e ouvinte, as vozes mais agudas, mesmo tendo um efeito de «presença» menor, conseguem denotar mais clareza e inteligibilidade, atenuando a distracção ou menor nível de atenção da audiência. O que quer dizer que uma voz clara, que transmita segurança e credibilidade será o trunfo da rádio para comunicar com o ouvinte.

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