A diferenciação do produto radiofónico

Ontem, na Conferência da APR, sobre a diferenciação do produto radiofónico, alguns dos aspectos em debate estão directamente relacionados com o principal conteúdo da rádio contemporânea: a música. A importância deste conteúdo e a forma como a Lei da Rádio pode desvirtuar a diferenciação do produto radiofónico.

As razões de escuta de uma estação estão intimamente relacionadas com a personalidade dessa estação, reflectida não só na sua imagem plástica, como nos conteúdos que transmite. A competição e posicionamento no mercado, no contexto actualdepende de um processo de identificação entre ouvintes, anunciantes e conteúdos. Importa ainda pensar na concorrência (entre estações) e outros meios. Devemos ainda pensar em plataformas e propostas de comunicação. Trata-se de uma economia da atenção que domina a economia da informação: a atenção disponível é proporcionalmente menor face ao maior volume de informação que é apresentado (as for Goldhaber). O tempo parece ser o recurso mais escasso neste contexto em que a atenção se dispersa entre actividades e propostas de comunicação, informação e entretenimento. Se há uns anos se discutia o excesso de propostas de comunicação (especialmente no contexto publicitário), hoje devemos pensar que a este excesso se juntam factores como a mobilidade, o multitasking e a ansiedade de conexão. Esta, como já Wolton há cerca de dez anos fez referência, faz-nos estar em constante ligação ao mundo, para nos sentirmos próximos e conectados. Provoca a suposta necessidade de consultarmos várias vezes o telemmóvel para verificar a entrada de novas mensagens, que actualmente se estende às páginas nas redes sociais, blogs e microblogging, e-mail …E, neste processo, o que se deseja, não tem necessariamente de ser o produto “típico” de rádio.

Neste contexto, como Rui Pêgo afirmou, a web é “um aliado natural da rádio”, cria-se uma nova dimensão para o meio que lhe permite manter as suas principais características, adicionando-lhe inúmeras possibilidades que permitem criar algo que ontem gerou controvérsia: diversidade. Ou seja, se por um lado a vida dos ouvintes é feita de diversidade, por outro, a garantia de um formato dá segurança ao ouvinte para saber o que e como encontrar. Neste processo, a web pode adicionar ao formato a variedade que o mesmo, per si, não pode ter por força de perder a sua identidade. Quer isto dizer que as hiperligações podem e devem ser exploradas pela rádio, porque não lhes retiram identidade, mas adicionam a variedade que compõe a vida de cada um de nós. Contudo, há que saber adicionar a variedade. Não fará sentido oferecer tudo apenas porque o meio online o permite. Este processo implica um conhecimento aprofundado da audiência, dos seus hábitos, comportamentos, gostos e atitudes. O que, uma vez mais, na web não é impossível de satisfazer. basta, para tal, criar uma iradio (de igoogle), onde cada ouvinte pode personalizar a sua página adicionando ou retirando elementos, de acordo com os seus interesses. Mesmo que sejam todos dentro de um estilo musical. Afinal, posso ser fã de rock, mas pode haver um dia que me apetece saber algo sobre um concerto de música de câmara, por exemplo…


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