Os jovens, as gerações, a web, as aplicações, os sites, what’s in, what’s out, the does and dont’s and whatsoever…

Escrever sobre o futuro dos media sem parecer futurista e, ainda assim, ser inovador, é cada vez mais difícil. A fragmentação do consumo e dos consumidores (note-se que já nem consigo escrever audiência. Já lá iremos) é tal que, os pontos em comum são difíceis de detectar. Se, por um lado, as comunidades online em torno de sites, aplicações ou redes tendem a crescer, por outro, as contradições seguem-lhe a tendência. Porque entre estes milhares de utilizadores da web há em comum o facto de utilizarem as mesmas redes sociais, embora com finalidades ou expectativas muito diferentes. Há conjuntos crescentes em torno da estrutura da web, ao mesmo tempo que há também uma grande dispersão nas actividades. O registo e o perfil não querem dizer mais do que isso mesmo, uma vez que não comprovam a utilização ou o sentimento de pertença. O rasto que deixamos hoje na web, com registos em sites diferentes, com registos para acesso a conteúdos ou com perfis em diferentes redes faz com que possamos ser rastreados, identificados com um determinado perfil de utilização, sem que, na realidade, asim seja. O que está a dar hoje não estará amanhã e a notoriedade das redes sociais é tão volátil quanto a personalidade dos próprios jovens que a compõem. Ou não tão jovens, mas esses tendem a fixar-se em função de critérios que ultrapassam o que é mais ou menos hype, relevando uma utilização mais funcional. São os mais novos, adolescentes, que tendem a ditar a tendências na web, contudo, são estes que, por estarem a crescer, numa fase de descoberta, mudam rapidamente os seus gostos, rotinas, modos de utilização, perfil. Basta olhar para os endereços de e-mail para avaliar a forma como este tende a corresponder a um determinado momento no tempo que, gradualmente, vai perdendo o seu sentido para ser substituído pelo nome, ou no mínino, algo mais convencional do que  a alcunha-de-infância1989, o nome-próprio-associado-ao-da-banda-favorita1990, ou qualquer outra ideia do género.

E o que fazem os media? Seguem. Procuram inverter o processo, sem qualquer sucesso, uma vez que a web foi tomada por jovens que criam e estruturam as plataformas que seduzem todos os utilizadores, independentemente da sua idade. É curioso notar que eram os imigrantes digitais, portanto, os mais velhos, trintões e quarentões (ou mais ainda), que criavam as plataformas nas quais os mais jovens, os miúdos entre os 12 (e cada vez mais novos) e os vinte e poucos navegavam. Talvez por isso tenham estes miúdos começado a controlar a situação, produzindo cada vez mais conteúdos, partilhando-o, disseminando-o na rede, dando espaço para um mundo partilhado e colaborativo no qual tanto a criação como a criatividade permitem que a integração multimédia, a par com convervência de meios na web torne esta numa plataforma que nos ocupa cada vez mais tempo, mas na qual podemos efectivamente realizar todas as nossas actividades quotidianas ou profissionais.

E o que fazem muitos de nós? Seguem os media. O seu conteúdo publicado na web, retwitando-o, comentando-o, postando-o em blogs. Afinal, se o fazemos, isso quer dizer que os media ainda são relevantes. Credíveis. Mas estaremos todos nós dispostos a pagar por isso? Quando foi a última vez que comprámos um jornal? Talvez não há muitos dias, porque há ainda muitos os que não abandonaram as rotinas do passado e continuam a consumir os media no seu formato tradicional. Mais por uma questão de hábito do que necessidade/ utilidade…

E o que fazem os jovens? Consultam as notícias através dos sites dos jornais. Ou lêem gratuitos. Ouvem as suas descargas de música, serviços de música online, podcasts, talvez rádio FM online. No carro, ainda escutam rádio FM. Não há outra alternativa… Continuam a ver televisão. Ou melhor, têm-na ligada enquanto navegam, pesquisam, comunicam, interagem. Facebook, e-mail, wikis, blog, jogos. Simultaneamente.

Com a frontalidade necessária, as associações e descrições que os mais jovens fazem deste universo revelam muito sobre o seu perfil de utilização, intenso, intensivo, multimedia, acima de tudo, multitarefa. Sobre a audiência, a noção tem diferentes abordagens. No que respeita aos media, destaca-se a necessidade da sua quantificação e medida para justificar a existência ou continuidade dos próprios meios. Associada à noção de receptor, a audiência representa a composição dos que ouvem rádio, vêem televisão ou lêem jornais. A sua concepção, associada a diferentes perspectivas teóricas é tão vasta quanto é actualmente a sua inadequação. Continuaremos a ter a audiência, ou teremos audiências, uma vez que, tomemos como exemplo a rádio, é tanto minha audiência aquele que me escuta em FM e que depois segue a emissão online, da mesma forma que é minha audiência o que retwita os meus tweets sem escutar a emissão, ou acompanha o blog de um dos meus locutores sem escutar a emissão, porque ouve o podcast do seu programa. And so on, and so on… O que é, hoje, a audiência, quando os meios estão eles próprios fragmentados, presentes nas mais variadas plataformas, misturados uns com os outros. Poderemos falar numa audiência de rádio quando nos referimos aos que descarregam os podcasts de alguns programas (mas não acompanham a restante programação), ou que seguem a estação no Facebook apenas porque lhes dá indicações de concertos, ou que acompanham os tweets por interesse nos mesmos, paralelo às suas emissões, ou que têm uma aplicação para gerir estes conteúdos no telemóvel?

Que necessidade tem a rádio de ter uma página, quando ela própria está disseminada em todas estas redes? O que leva o “ouvinte” à rádio? A emissão ou todos os outros elementos e conteúdos?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s