FM or die?

Em “The Chaos Scenario”, Bob Garfield apresenta algumas ideias organizadas sobre aquilo que, no fundo, já sabemos: a indústria dos media está a mudar e a noção de “conteúdo” nunca mais será a mesma. A mudança nos media, com consequências para o investimento publicitário é irreversível, num quadro em que a audiência parece encolher, embora esteja apenas a dispersar cada vez mais; os modelos de distribuição do conteúdo apresentam-se obsoletos face a uma emergência, definida pelo consumidor, de novas formas de distribuir conteúdo em rede; e a concorrência é assumidamente global, apesar de, efectivamente, os media ainda se orientarem em função do seu contexto “local”.

Qual será, então, a razão para os operadores continuarem a investir no FM, quando se sabe que não será esta a plataforma do futuro?

Por um lado, vivemos no presente. Embora a maior parte das estações estejam a pensar em termos de futuro, mantendo na rede uma presença que melhora a cada dia, é no presente que o investimento publicitário se faz e se lançam as bases para o retorno financeiro do investimento efectuado. E, presentemente, o FM continua a ser a principal forma de se escutar rádio. Acima de tudo, é a plataforma que as agências de meios reconhecem para a radiodifusão.

Quebrar o status quo significa arriscar. Regra geral, os que seguem os aventureiros ganham com a expansão do fenómeno e, nem sempre é o pioneiro que recebe maiores dividendos. Seja como for, o investimento no presente terá sucesso se contemplar o futuro. O futuro é num outro contexto, digital, numa lógica de agregação de conteúdos em rede em que o mais importante não é o site da empresa mas as ligações que esta estabelece. Trata-se, ainda e sempre, de uma questão de credibilidade e notoriedade da marca. As estações hoje representam um conceito e assumem uma determinada personalidade que a sua comunicação radiofónica reforça, através dos locutores e da sonoridade da estação (na qual a música tem um papel de complementaridade em relação aos restantes elementos da programação).

O desenvolvimento de novas estações ou o rebranding de estações em FM significa um desenvolvimento ou reforço da marca da estação. Uma marca forte permanecerá junto dos ouvintes, independentemente da plataforma de difusão. Serão inclusivamente os seus fiéis seguidores que impulsionarão o seu desenvolvimento ou reconfiguração em função de novas necessidades ou desejos. Principalmente, considerando o modelo de comunicação no qual se integram, subvertendo os canais de distribuição tradicionais.

Ou seja, criar uma marca de raíz na web é, para a rádio, arriscado, se considerarmos a proliferação de propostas alternativas à radiodifusão disponíveis na rede. Para agitar o sector ou inovar, afasta-se do conceito tradicional de rádio e, por isso, irá ter de conquistar uma nova audiência. Investir em canais FM, garantir uma audiência fiel e crescer com ela poderá ser a estratégia mais acertada. Segui-la e inovar ao ponto de não a dispersar, dando a sensação aos ouvintes de que são eles que definem o futuro dos media, neste caso, da estação de rádio que mais gostam de ouvir. Mas dar-lhes apenas essa sensção. Não mais…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s