How teenagers consume media…

A visão é de um jovem de 15 anos e 7 meses que nos conta sobre a forma como os jovens da sua idade se relacionam com os media, demonstrando as diferenças entre o consumo efectivo e os resultados de estudos de mercado e/ou audiências. O estudo resulta de uma amostra de jovens com quem o autor conversou ou trocou ideias (alguns da sua escola, outros do país inteiro).

Os resultados comprovam uma vez mais o fenómeno de globalização cultural, uma socialização tecnológica e uma cultura mediática partilhada, muito embora os resultados possam também demonstrar uma tendência de apropriação local dos media, conteúdos e instrumentos.

Matthew Robson fez o trabalho para a Morgan Stanley (“I texted a few friends to get ideas,” he said. He believes his report represents the collective wisdom of about 300 teenagers, TIMES ONLINE) e, embora não seja representativo, deixa pistas muito interessantes sobre a relação dos jovens com os media. O consumo é intenso, intolerante, multiplataforma, convergente, acima de tudo, gratuito. Os media tradicionais perdem terreno para os media digitais. As notícias são pouco relevantes. Os eventos culturais mantêm a popularidade (bem como o interesse em pagar para lhes aceder). Os jovens desejam gadgets tecnologica e esteticamente inovadores, embora o preço limite as escolhas. Optam por aparelhos com um preço médio e muitas funcionalidades, incluindo uma bateria de longa duração.

De acordo com este estudo, os jovens não consomem rádio. Sintonizam de forma ocasional e não seguem nenhum programa. Ouvem rádio pela música, pelo que os serviços de música online substituem a rádio, especialmente porque permitem que seja o próprio a escolher o que quer ouvir. É no fundo, esta a lógica e a grande promessa destes sites.

De facto, em Portugal é entre os mais jovens e os mais velhos que se verifica menor afinidade com o meio rádio, uma vez que em 2008, entre os 15 e os 17 anos, apresentaram uma audiência acumulada de véspera de 53,5%, situando-se na 4ª posição, no que respeita a faixas etárias (Os targets da rádio, Marktest). Da mesma forma, as estações mais jovens têm-se situado, também, algures nesta posição no ranking das estações mais ouvidas no país, nomeadamente Cidade FM, Mega FM, Antena 3 (Audiências de rádio, Marktest).

Já em 2006 a comScore havia noticiado a relação de proximidade entre os jovens (12-17 anos) e a Internet, integrando-a no seu quotidiano, passando algumas das suas actividades sociais e comunicativas para esta plataforma (Teens highly engaged online, iMediaConnection).

No que respeita à rádio, um estudo do RAB (Radio and Digital Native) revelou em 2007 a tendência para alteração da plataforma de consumo, uma vez que os jovens escutavam rádio essencialmente em plataformas digitais. Donde, mais plataformas pode também significar mais consumo, uma vez que o meio está também mais disponível. A grande conclusão do estudo é a de que a tecnologia digital aumenta a relevância da rádio, garantindo o futuro do meio, especialmente para os operadores privados.

Uma vez que só foram medidos sites que subscrevem o serviço de informação do RAB, é provável que as audiências online sejam ainda mais relevantes (Young people listen to radio most online, Digital Radio Tech). O RAB indicou que a rádio atrai mais jovens entre os 15 e aos 24 anos do que qualquer outro meio, ao mesmo tempo que o consumo através de plataformas digitais continuava a crescer. 88% dos indivíduos neste grupo escutam rádio (comerciais e não comerciais/semana), comparativamente aos 84% que vêem televisão ou utilizam a Internet. O número de horas da escuta de rádio através da Internet é 25% superior às plataformas analógicas. Interessante é saber que 46% dos inquiridos confia na rádio, contra 15% que respondeu confiar nos jornais.

Outra importante conclusão aponta para a ligação emocional que os jovens ainda têm com a rádio, muito embora os hábitos de consumo do meio estejam em alteração. Consideram-na mais do que companhia, “um amigo” e confiam na rádio. A relação de companhia e amizade é extrapolada para a forte tendência que os jovens têm em integrar redes sociais online (Facebook, e outras), sendo que o relatório conclui que “radio’s value lies in offering a broader social networkm with less direct and more unexpected connections” (RAB), à semelhança daquela que sempre foi uma das características da rádio: a aproximação entre indivíduos, pela forma como a ligação a uma estação pode contribuir para a identidade pessoal e interacção social. Os jovens não vêem a rádio como um meio ultrapassado ou demodé, talvez porque, como é indicado, as estações privadas se dirijam essencialmente aos jovens, com música nova e grandes sucessos.

A música, online e nos leitores MP3, continua a ter um papel central na vida dos indíviduos, especialmente entre os mais jovens que revelaram grande apetite pela descoberta, a novidade, sendo que, para os inquiridos, a rádio ainda tem um papel relevante, por dar a 69%, ideias para aquilo que vão colocar no leitor MP3.

O estudo do RAB recupera a conclusões de 2004 (The iPod Generation, OFCOM), explicando que a rádio é melhor para descobrir música nova, enquanto o iPOd é melhor para recuperar música. Faz sentido, desde que o mercado da rádio dedique espaço à música nova, apostando mais na diversidade do que na popularidade. Paralelamente, este estudo sugeria uma complementaridade entre necessidades emocionais, satisfeitas pela rádio (ligação ao mundo exterior) e o iPod (escape ao mundo exterior). Contrariando as ideias do jovem Matthew Robson, se por um lado é hype dizer que se escuta música online e que podemos ser o nosso próprio DJ, por outro, há em nós uma espécie de preguiça natural que nos faz depender de playlists ou das escolhas de outros. Há também uma necessidade de ligação (bonding) que a rádio tem, apresentando a música e as suas escolhas. Ao mesmo tempo, a surpresa é outro factor, assim como uma necessidade constante de conhecer coisas novas e saber o que estão os outros a ouvir. Especialmente num contexto em que a oferta é cada vez maior, a dispersão dos canais torna mais difícil a pesquisa e o tempo, perdido entre tarefas ou selecção da informação, é cada vez menor. Ou seja, como Robson afirmou, a rádio continua a ser uma das formas de aceder de forma legal à música, contudo, os jovens gostam de possuir o ficheiro (não o CD. Curiosamente, Robson afirma que a maioria nunca comprou um CD…) para poderem descarregá-lo para o leitor MP3 (iPOd para os que têm maiores recursos financeiros) ou para o telemóvel (para os de menores recursos). O preço da música é o principal obstáculo (bem como o preço, para a maior parte dos instrumentos digitais) e há entre os jovens grande relutância em pagar, pelo que a maioria descarrega música de forma ilegal.

Conclusões?

Entre os estudos há proximidade, especialmente no que respeita à mudança de plataforma. Ou seja, os jovens continuam a ouvir rádio, mas preferem fazê-lo online. Porquê? É na Internet que passam a maior parte do tempo dedicado aos media, onde se encontram e desenvolvem actividades: comunicam (MSN), partilham (música), interagem (redes sociais), pesquisam (escola e lazer), jogam e consultam notícias, vídeos e outros. E o que escutam? As estações que conhecem do FM, mais do que as que se assumem como exclusivas para a web. Os serviços de música têm grande popularidade, especialmente porque lhes permitem escutar a música que querem, ao contrário da rádio que, embora vá ao encontro dos seus gostos, mantendo-se actual, não lhes dá, num determinado momento, o artista que desejam ouvir nem apresenta artistas desconhecidos do grande público.  

Mas garante a surpresa e mantém a credibilidade como meio de comunicação. É o “amigo” que sempre foi, permitindo aos jovens acompanhá-la em movimento, através das plataformas móveis. E, como “amigo” que é, tem de acompanhar o crescimento dos seus amigos que, neste caso, significa acompanhá-los nas plataformas que mais utilizem, adaptando o seu produto aos seus desejos e necessidades de consumo, ainda que se possa afastar daquele que é o conceito tradicional de rádio.

 

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