As notícias na rádio…

… em Portugal têm muito em comum: a agenda, os temas, os protagonistas, as vozes, os modelos. Há, portanto, homogeneidade, formatação e institucionalização na informação radiofónica, conclui Luis Bonixe, na tese de doutoramento que defendeu esta manhã na Universidade Nova de Lisboa.

A dissertação, “A Informação Radiofónica: rotinas e valores-notícia da reprodução da realidade na rádio portuguesa. A Internet como cenário emergente”, baseia-se numa análise dos noticiários da Antena 1, Rádio Renascença e TSF, entre 2006 e 2007. Assume relevância no contexto da produção intelectual sobre a rádio, contribuindo de forma inegável para uma caracterização do jornalismo e do trabalho dos jornalistas, problematizando aquilo a que nos habituámos a escutar sem reflectir: os noticiários. Da mesma forma, o trabalho nas redacções e a forma como os jornalistas produzem as notícias é objecto de análise, ao nível das rotinas, organização e tratamento da informação, baseando as suas conclusões na análise de conteúdo, observação participante e entrevistas. Com base nesta última metodologia, recorrendo igualmente à pesquisa documental (essencialmente peridódicos), Luis Bonixe construiu ainda um quadro de referência histórico do jornalismo radiofónico em Portugal, abordando a rádio e as transformações sócio-políticas de que foi alvo, bem como os estilos e “escolas” que influenciaram, de forma directa ou indirecta, o jornalismo na rádio contemporânea.

Embora defenda valores transversais nas três principais estações, afirma a existência de modelos diferentes no tratamento da realidade. Contudo, acidentes e catástrofes naturais são os temas recorrentes nas notícias de âmbito local (que são também as notícias com menor percentagem de ocorrências na amostra analisada), da mesma forma que políticos e sindicalistas são as vozes mais ouvidas. Para o cidadão estão reservados essencialmente dois papeis: vítima ou testemunha, não se verificando, através dos noticiários na rádio, um contributo para o alargamento das vozes no espaço público.

Num olhar sobre as notícias da rádio na Internet, Luis Bonixe conclui que esta se mantém como uma plataforma complementar. Embora existam já práticas e processos que visam a adequação à rede e a rádio portuguesa afirme a sua presença na web, com um grande dinamismo ao nível da reformulação dos sites para a sua constante adequação aos novos contextos de consumo, introduzindo novas ferramentas e aplicações, o autor confirmou esta relação de complementaridade entre a rádio FM e a Internet.

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