12 Meses, 12 Estações

Das estações de rádio com maior audiência aos projectos inovadores, a rádio em Portugal poderia ter características únicas, embora, na realidade, o mapa das estações seja em tudo semelhante ao que se faz em outras paragens, com uma vertente comercial e de negócio muito marcada. Talvez por isso o serviço público de rádio não tenha o mesmo peso que tem em outros países e, durante demasiado tempo, tenha cedido à tentação de seguir o caminho das rádios privadas, procurando bater-se com estas na luta das audiências. Estaremos agora perante uma rádio que liga Portugal?

NOVEMBRO

Antena 1, rádio para o público

O serviço público de radiodifusão começa lentamente a ganhar a sua identidade, assumindo claramente a vocação das suas principais estações. E se a Antena 2 tem uma identidade fácil de definir, a Antena 3 tem associada a irreverência e a marca da juventude, já a Antena 1 tem oscilado, ao longo de muitos anos, entre a rádio de informação, a rádio generalista e a concorrente de outras estações privadas de grande audiência.

O caminho é longo e a história da Antena 1 confunde-se com a história político-social de Portugal. Do autoritarismo de Salazar à instabilidade política do período revolucionário, da democracia à ilegalidade das rádios piratas, do aparecimento da Internet à migração para o digital, a Antena 1 tem estado presente e deixado a sua marca em cada um dos momentos da história da rádio.

A história da constituição da emissora pública de radiodifusão remonta ao início da década de 1930, através da criação da Direcção dos Serviços Radioeléctricos, na dependência dos CTT. Este diploma legal estabeleceu  o monopólio estatal para os serviços de radiotelefonia, radiodifusão e radiotelevisão. As emissões experimentais de rádio começaram a fazer-se dois anos mais tarde, primeiro em Onda Média e, em 1934 em Onda Curta. Em 1935 foi oficialmente inaugurada a Emissora Nacional, remontando a este período a história da Antena 1.

A Emissora Nacional, à semelhança das suas congéneres europeias, foi criada no decurso de um quadro político em que as rádios nacionais serviam os interesses do Governo. A informação noticiosa dependia da confiança entre Governo e direcção de informação, assegurando o controlo  pelos orgãos consultivos da Direcção dos Serviços de Programas.

Depois da revolução do 25 de Abril de 1974, as estações de rádio foram nacionalizadas. A Emissora Nacional deu lugar à Empresa Pública de Radiodifusão, com um serviço de programas dividido em vários canais (alguns deles representando antigas estações privadas, como o RCP, que deu lugar aos canais 3 e 4). Em 1976, transformou-se  em Empresa Pública, a Radiodifusão Portuguesa (RDP), e a aprovação do seu primeiro estatuto obrigou-a à prestação do serviço público de radiodifusão. Os programas passaram a organizar-se em quatro canais,  com frequência em Onda Média, Frequência Modulada e Onda Curta para todo o mundo. Os programas 1 e 2 mantinham a tradição generalista, o programa 3 era ocupado com as emissões das delegações regionais e o programa 4 ocupou o FM estéreo com uma programação dirigida ao público mais jovem.

Em 1980, a RDP sofreu novas mudanças. Foram então criados dois grandes sectores de programação nacional: o Centro de Programas Não Comerciais e o Centro de Programas Comerciais (Programas 3 e 4, que deram origem à Rádio Comercial, com publicidade). É nesta altura que a Antena 1 (nova designação para o antigo Programa 1) ganha forma, tendo sido também criado o Programa 2.

O Decreto-Lei n.º 167/84, de 22 de Maio instituiu o Estatuto da Radiodifusão Portuguesa, estabelecendo a missão de prestação de serviço público, factor que veio organizar a programação dos diferentes canais públicos. Hoje, a Antena 1 esforça-se por passar uma imagem dinâmica, assente na diversidade de vozes e programas, na prossecução da missão de serviço público e na modernidade.

A programação é, de facto, variada, recorrendo a diferentes géneros e actores, fazendo uma ligação entre as notícias, a informação de utilidade e o entretenimento. A música, difícil de caracterizar, vai da música ligeira portuguesa, actual ou mais antiga, às novidades pop-rock anglo-saxónicas, traduzindo um universo demasiado amplo para se poder encaixar num formato, especialidade ou público-alvo.

Independentemente de tendências políticas mais ou menos vincadas, de conteúdos mais ou menos favoráveis ao Governo, a verdade é que ao nível dos conteúdos programáticos a estação apresenta rubricas variadas, sobre sexualidade, ambiente, literatura, gramática e língua portuguesa, tradições e história da música, cinema, medicina, causas públicas, direitos do consumidor, ciência, desporto ou humor, preenchendo a emissão que é entrecortada pela música e noticiários. Na verdade, muito pode ser apontado à estação tendo em consideração a missão de serviço público a que está obrigada, a política e ou as notícias. Contudo, no momento, apresenta uma programação que vai além da música e dos noticiários. E se variedade não é equivalente a diversidade, é inegável a utilidade de algumas destas rubricas que apresentam informações pertinentes para o público em geral e, acima de tudo, aquelas que contribuem para aumentar a cultura geral e o conhecimento da língua portuguesa…

Na Internet, a aposta do grupo é coerente, verificando-se uma forte tendência de transposição de conteúdos e de oferta de áudio, disponibilizando programas on-demand em formato podcast, entrevistas, debates ou reportagens que podem ser escutados a partir do arquivo da estação. Pecam os blogues, pela falta de dinamismo de alguns dos seus autores e que, embora estejam actualizados, têm literalmente, o mínimo indispensável… Mas esses, correspondem também a programas em que pouco ou nada há a dizer, restando-nos apenas escutar a selecção musical dessa semana. Por outro lado, outros transformam em palavras escritas e imagens aquilo que até há algum tempo apenas se podia escutar, redefinindo por completo aquilo que é hoje a rádio.

A aposta do operador público nesta migração digital assegura o seu futuro e oferece, na actualidade, mais do que um complemento às emissões terrestres, podendo ligar mais, pela utilidade do seu site, os ouvintes através da rede do que pelas emissões em FM.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s