And the winner is… Radio!

Uma vez mais, escrevo sobre os prémios Spot, cujos vencedores foram ontem conhecidos.
O Júri, composto por um grupo variado de profissionais do meio rádio e da publicidade, atribuiu os prémios de acordo com diversas categorias, sendo que, em algumas delas, foi atribuído mais do que um prémio.
As categorias a concurso eram: Criatividade; Excelência;  Ouvintes;  Inovação; Responsabilidade Social; Grande Prémio do Meio Rádio 2008.

Os prémios, mais do representarem um efectivo reconhecimento do trabalho criativo da publicidade, das agências de meios e dos anunciantes que apostam na rádio, simbolizam um esforço da rádio em dignificar-se a ela própria, procurando ganhar notoriedade e chamar a atenção para o seu potencial enquanto meio de comunicação. Tantas vezes esquecido ou menosprezado.  Como escrevia ontem Eduardo Cintra Torres |Ler|, um dos membros do júri, “cabe antes do mais saudar esta louvável iniciativa das empresas de rádio, que permite dar atenção e premiar uma publicidade que por natureza não tem, literalmente, visibilidade“. A prova disso é o seu próprio trabalho que, como admite, “desde 8 de Maio de 2003, nunca me debrucei sobre reclames radiofónicos, o que me penaliza“. E explica as razões desta sua demissão, iguais certamente às que levam tantos indivíduos a serem uma espécie de ex-ouvintes de rádio: como autor, há muito que a rádio deixou de fazer parte da sua vida, em função da orientação de mercado da maior parte das estações privadas. Como ouvinte, pela falta de oportunidade, o que é o mesmo que dizer que a rádio não vai ao encontro dos seus interesses e expectativas. E explica que, como critico, analisar anúncios de rádio é mais complexo, “pois não há imagem para mostrar, é preciso descrever e citar amplamente o texto do anúncio e descrever a banda sonora, o tom, etc“1.

Por aquilo que Cintra Torres explica no seu artigo de opinião no JN (04 Junho 2009), o meio rádio tem de se unir para, em conjunto, encontrar o caminho futuro para o meio, não estando os diferentes operadores de costas voltadas, olhando apenas para a sua pequena fasquia de ouvintes, delineando estratégias de cópia ou ataque.

No seio dos media contemporâneos vencem não só os melhores mas os que conseguem maior notoriedade. A rádio é, de longe, o meio com maior credibilidade e afecto junto do público. É com isso que a rádio tem de jogar, para fazer reavivar a velha chama e reconquistar ouvintes. Isso significará que a distribuição entre estações será também maior e mais saudável, gerando maior competitividade, donde, produtos radiofónicos de maior qualidade. Comparativamente, a publicidade que se ouve na rádio consegue, em alguns casos, ser mais criativa e dinâmica que a própria programação em que se enquadra, pelo que estes prémios servem também para pensar ou repensar que rádio temos nós.

Sobre os prémios, a gala teve um espectáculo que, não sendo fantástico se baseou num apelo aos sentidos, com uma concepção muito interessante: juntou a dança à rádio, unindo duas expressões muito sensoriais. A dança, expressão artística que mais apela aos sentidos e obriga o espectador a imaginar a história, assim como a rádio, meio de comunicação mediática que implica que ouvinte componha imagens mentais através da relação entre o som e a sua imaginação.  O som dominou esta experiência  e, apesar do corpo de bailarinos não ser exímio (talvez nem fosse esse o grande objectivo),  a originalidade da abordagem revelou uma vez mais, a força que o som e a música podem ter.

Sobre os prémios e as categoriais, notou-se uma tendência para reconhecer a criatividade. Não sei se na selecção do júri o critério eficácia foi considerado, contudo, o grande vencedor da noite “PLENSTANSFLORED” (categoria ouvintes; prémio rádio e grande prémio). O anúncio da Staples reúne duas vozes inconfundíveis, donde se conclui que estes prémios deveriam também premiar as vozes da publicidade rádio, uma categoria em falta nesta primeira edição. Certamente poderá vir a ser considerada em eventos posteriores desta iniciativa que reuniu não só os operadores como as agências e espera-se, os ouvintes.

E os vencedores…

Prémios responsabilidade social
ANÚNCIO: REFEIÇÃO CERTA

Prémios ouvintes
ANÚNCIO: PLENSTANSFLORED

ANÚNCIO: O TEMPO E O AMOR

Prémios criatividade
ANÚNCIO: DESMATERIALIZAÇÃO

ANÚNCIO: REDUZIDO ROAMING TMN

ANÚNCIO: LAURINDA

Prémios excelência
ANÚNCIO: CARRO

ANÚNCIO: EX NAMORADO

Prémio rádio
ANÚNCIO: PLENSTANSFLORED

ANÚNCIO: Livre-trânsito

Prémios inovação
Anúncio: ÍCONES BY FORD

Anúncio: OPEL CORSA INTOUCH

Anúncio: PEPSI TWIST “LIMONES MARIACHI”

Grande prémio
ANÚNCIO: PLENSTANSFLORED

1 Aqui fica desde já a sugestão: no contexto dos media online, analisar anúncios de rádio é tão simples quanto analisar TV ou imprensa, basta juntar o link para o som. Pena é que a web seja ainda o repositório dos textos que os jornais publicam. E quanto a isto, Cintra Torres pouco pode fazer, uma vez que escreve para o jornal, não necessariamente para as suas diferentes plataformas de distribuição…

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