12 meses, 12 estações

Uma das mais emblemáticas estações de rádio em Portugal, marcou em definitivo a história da comunicação social, tendo sido a estação com maior audiência ao longo de cerca de vinte anos.  A Rádio Renascença foi destronada da liderança há meia dúzia de anos por uma estação mais jovem, embora pertencente ao mesmo grupo de comunicação, a RFM.

 

Outubro

 

Renascer ao longo da história

 

Criada como meio de comunicação da Igreja Católica na década de 1930, o canal Um da Renascença faz parte  da história político-social do século XX, acompanhando a governação autoritária de Salazar, mantendo-se a emitir depois da revolução do 25 de Abril, apesar da nacionalização da generalidade das estações em Portugal, e reinventando-se no século XXI, em função do mercado e da evolução da escuta de rádio.

 

Em 1937 começaram as emissões em Onda Média da emissora católica Rádio Renascença, que em 1938 passou a emitir como orgão da Igreja. Resultado de um movimento de mobilização de opinião que teve por base artigos publicados na imprensa, a fundação da Renascença deriva da conjugação de esforços entre a Igreja Católica e os seus fiéis, para dotar Portugal com uma estação que pudesse competir com qualquer outra e servir as necessidades do Apostolado Católico. 

 

Com uma programação generalista, a Renascença foi também, ao longo da sua existência, ponto de partida para muito profissionais que inovaram a forma de fazer rádio. Alguns programas da história da rádio foram transmitidos por esta estação. De todos, talvez os mais conhecidos sejam o ainda existente “Bola Branca” e “Quando o Telefone Toca”, que chegou a ser emitido ao mesmo tempo pela Rádio Renascença, Rádio Clube Português, Emissores Associados de Lisboa e Rádio Peninsular.

 

Na década de 1950, o programa, “23ª Hora” inovou, apresentando novas tendências musicais e debatendo temas de interesse social, modificando de certa forma o formalismo  na rádio. Anos mais tarde, estreou-se o famoso programa “Cinco Minutos de Jazz” que, apesar dos seus curtos cinco minutos incomodou o regime, pelo formato musical especializado, as conotações associadas e a divulgação cultural. Na mesma década, as donas de casa tiveram direito a um programa de actualidade. O “CDC” (Clube das Donas de Casa) combinava entretenimento e actualidade, escapando, desta forma, às malhas da censura prévia, tendo persistido na Renascença entre 1960 e 1963, altura em que passou a ser transmitido no RCP até 1974.

Foi ainda na década de 1960 (1968) que nasceu um dos míticos programas de informação na rádio portuguesa, o “Página Um”, cujo modelo viria a ser retomado pela estação cerca de quarenta anos mais tarde num novo formato (jornal em formato PDF disponível online) e actualizado no programa “Edição da Noite” que analisa diariamente a actualidade ao fim do dia (23h – 00h). Marcante pela postura activa e consciente, o programa “Página Um” foi produzido por uma equipa de profissionais na qual se incluía Adelino Gomes, saneado da equipa e proibido de entrar nos estúdios da Renascença pelo comentário não entregue à censura sobre  o assalto à aldeia olímpica de Munique por um comando palestiniano…

 

A história acabaria por deixar à Renascença o papel principal no golpe que mudou o curso político do país. Foi à meia-noite e vinte minutos que a senha de confirmação para o movimento das forças armadas foi transmitida, reafirmando a primeira senha e tornando o movimento irreversível. “Grândola Vila Morena” escutou-se nos quartéis mais distantes, onde as emissões dos Emissores Associados de Lisboa não chegavam em boas condições.

 

Na década de 1980, o “Jogo da Mala”, a par com o “Despertar”, com a dupla António Sala e Olga Cardoso ficaram também para a história. O modelo do “Jogo da Mala” mantém, actualizado no “Jack do Pote”, bem como o do “Despertar”, numa nova versão, as “Manhãs da Renascença”. No geral, O canal 1 da Renascença, denota claramente uma consciência activa do seu papel na sociedade, funcionando como elo de ligação entre vários sectores, através de uma programação pluritemática e de uma comunicação que procura a compreensão dos temas explorados, sem esquecer a vertente de entretenimento e distracção. 

 

A Rádio Renascença tem uma profunda herança história que tem condicionado a sua gestão, sendo esta, de acordo com a classificação legal, uma estação generalista. Contudo, é uma estação eminentemente musical (embora a palavra tenha um peso importante na sua programação) e actualmente mais vocacionada para uma segmentação etária mais específica, facto que decorre da natural evolução do sector da rádio e da exploração do mercado, que favoreceu o desenvolvimento de uma comunicação dirigida para estruturar a programação das estações do grupo Renascença (RFM e Mega FM, respectivamente).

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