Casa onde não há pão…

Gosto de ser imparcial no que respeita a qualquer análise sobre rádio. Pelo menos, de pensar que sim e de me esforçar para o conseguir. Não há estações das quais goste mais ou menos e a estação ideal teria de ser construída para mim, à minha medida. Com notícias, com as vozes de que mais gosto, com música escolhida em cada uma das estações que se escutam em Lisboa (nacionais e locais). Difícil, mas não impossível. Talvez para uma “imensa minoria” – eu mesma.

No que respeita à rádio, consideram-se neste weblogue mais as notícias que se publicam nos media do que as informações que circulam nos corredores dos mesmos. Contudo, há coisas que por vezes não deixam de nos surpreender.

Usando o provérbio “Casa onde não há pão”… Talvez seja uma boa adaptação “Tem de ter um bom gabinete de Relações Públicas”…

E a imagem que passa é certamente diferente daquela que corresponde à verdade. Dizem as notícias que o grupo Media Capital fechou 2008 com lucro. Contudo, esse valor é 34% inferior aos resultados do ano anterior o que quer dizer que, de facto, as coisas não estão bem no sector. Seja por questões de gestão e aumento de custos, impostos ou diminuição das receitas publicitárias, a verdade é que o cenário não se afigura promissor. Ainda assim, parece que o ano de 2009 começa bem para este grupo, no que respeita às rádios, cujas audiências cresceram. Haverá, contudo, retorno publicitário correspondente?

No RCP, por exemplo, “subiu +50% para uma audiência de 1,5 pontos de AVV, quando comparado com o período anterior, subida que se reflecte em +36% face a igual período do ano anterior”, diz a Newsletter MCR. Talvez seja a prova de que o formato resulta, pois internamente tem havido contínuas mudanças, recentemente com a saída de Paulo Sérgio da direcção de programas. Ou seja, os grupos de media estão com menos dinheiro, numa estação em particular que usamos como exemplo, há constantes mudanças na estrutura organizacional denotando instabilidade. A grelha de programas vai evoluindo e as audiências crescem. Será que estamos perante um caso típico de uma “casa onde não há pão”, mas onde “se fazem omeletes sem ovos”?… Estarão outras estações nas mesmas circunstâncias?

7 comments
  1. joca said:

    há dois anos que as audiências vão oscilando entre 1% e 1,5%, para cima e para baixo, e acha que o formato resulta? ahahah!

  2. Ouvinte said:

    como ouvinte de rádio gosto do formato. Mas eu ouço rádio não sou ouvinte de k7. Que é o que a maioria das rádios no nosso país é. Alteremos k7 por mp3, talvez esteja mais correcto.
    No exemplo aqui falado sabemos(nós ouvintes) que há pessoas do lado de lá. É evidente que há mais rádios assim, a TSF, a Antena 1 e a Renascença. As outras, bom as outras tenho dúvidas quando as ouço se é uma gravação que lá está. É que o que dizem é sempre o mesmo.
    E para responder ao joca, acho que o formato resulta. E se fosse uma rádio nacional então tenho a certeza que as percentagens com as quais o joca goza, seriam bem diferentes. Mas isto sou eu, que gosto de ouvir rádio. E como tenho giradiscos em casa ouço as minhas músicas e não as que me querem vender nas playlists.

  3. Paula Cordeiro said:

    O formato é uma aposta de longo prazo, uma maratona e não uma corrida de 500 metros. Dois anos, num formato desta natureza e num país com as características de Portugal, não é nada, ou quase nada. Infelizmente, os ouvintes portugueses têm dificuldade em reconhecer formatos, em perceber a diferença entre estações (daí o grande esforço actual das estações de rádio em comunicarem a marca) e, acima de tudo, a maior parte dos ouvintes não quer mais do que um gira-discos a tocar quando entra no carro. E nem tem de ser um gira-discos pessoal (Cd’s ou Mp3), as músicas que a rádio toca são satisfatórias para ocupar o tempo que medeia entre uma e outra deslocação. E, mais do que o gira-discos pessoal, essas estações ainda acrescentam algumas informações (úteis, como o trânsito) e oferecem coisas… Do boné ao bilhete para o espectáculo de que TODOS falam e que aparentemente, é imprescindível. Níveis de cultura diferentes implicam tipos de escuta diferentes. Sempre assim foi e sempre assim será. Não quer isto dizer que o RCP seja uma estação para os mais inteligentes ou que o formato esteja a ser muito bem feito ou gerido. Quer apenas dizer que os ouvintes têm necessidades diferentes e essas, nada têm que ver com oscilações de audiência…
    Sobre as audiências, calculo que se saiba que o método usado se baseia essencialmente na memória dos indivíduos que constituem a amostra. Se voltarmos ao que já escrevi, sobre o facto dos portugueses não estarem familiarizados com os formatos (este em particular, que retoma um estilo de rádio há muito abandonado) e as estações de rádio serem marcas, talvez possamos, novamente, afirmar que o sucesso do RCP é seguramente uma maratona….

  4. joca said:

    Porventura induzida pela leitura da newsletter da marca RCP a PC escreve no seu post que “as audiências crescem.” Não me parece um dado assim tão significativo, a não ser de um ponto de vista de marketing. Recordando os números da Marktest ao longo de dois anos e não de um (visto que, tratando-se de uma “maratona”, convem dilatar o prazo):

    2T2007 – 1,4% AAV
    3T2007 – 1,0% AAV
    4T2007 – 1,3% AAV
    1T2008 – 1,1% AAV
    2T2008 – 1,4% AAV
    3T2008 – 1,4% AAV
    4T2008 – 1,0% AAV
    1T2009 – 1,5% AAV

    Sobre a sua crença no sucesso do formato, a mais longo prazo, resta-nos esperar para ver, mas numa coisa a acompanho desde já: “Não quer isto dizer que o RCP (…) esteja a ser muito bem feito ou gerido”.

  5. Paula Cordeiro said:

    Joca, só para terminar, alguns apontamentos:
    1. Audiências e sua metodologia
    2. Notícias publicadas
    3. Construção do meu comentário a partir do que é publicado e não necessariamente da minha opinião, donde, escrevi ‹‹Usando o provérbio “Casa onde não há pão”… Talvez seja uma boa adaptação “Tem de ter um bom gabinete de Relações Públicas”…
    4. Estes apontamentos aplicam-se a qualquer caso e não apenas ao RCP ou MCR….
    5. Sobre o RCP, a ver vamos…

  6. Paula Cordeiro said:

    Foi uma curta maratona… Pelo menos para o director.
    A estação mantém-se. Veremos o seu rumo.

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