XI Congresso Nacional de Radiodifusão

Que rádio? Que plataformas? Que regulação?

Em dois dias, o tema foi a rádio. Respirava-se rádio dentro e fora da sala de conferências. Embora sem uma adesão massiva, os que estavam eram interessados e interessantes, fazendo deste encontro uma oportunidade para rever perspectivas e repensar a rádio.

Sem definições fechadas, as propostas que reflectiram um possível cenário para a rádio no futuro geraram a discussão. Foram, no mínimo, provocatórias, lembrando que a rádio poderá vir a ser algo muito diferente daquilo que conhecemos actualmente. E, do ponto de vista do ouvinte, as categorias definidas em torno de ouvintes passivos e activos acabaram por ser apropriadas e fazer parte da maior parte das sessões. Porque não são consensuais e porque estremecem com o paradigma da comunicação radiofónica. Uma coisa será verdade: existirão sempre os que procuram e os que recebem. Sempre assim foi e assim se manterá, com a diferença que, nas plataformas digitais, os métodos e oportunidades para aqueles que procuram são largamente ampliadas.

E se há já exemplos claros de adaptação e interligação da rádio FM com a web, há também estações que mantém o status quo e esperam que a mudança vá ocorrendo sem, contudo, nunca se concretizar de forma efectiva.

A rádio está a mudar e quem não o assume poderá ser deixado para trás. A conclusão que retirei é simples e aplica-se tanto à rádio como a outros sectores: há aqueles que avançam, que se adaptam rapidamente, e há os que preconizam uma atitude mais expectante, esperando para ver as tendências concretizadas e, então, agir. Ou, alternativamente, assumir que será o público passivo o seu alvo, mantendo a estrutura de comunicação com ajustes e adaptações mínimas ao novo contexto de radiodifusão.

O desafio da regulação passa exactamente por estas mudanças que ocorrem na sociedade e que a rádio, enquanto meio de comunicação e negócio, também reflecte. As propostas de alteração à Lei da Rádio criam novos contextos de actuação e, a aparente simplificação pode ser igualmente encarada como uma espécie de corporativização do sector, incutindo nos operadores a capacidade para cumprir as regras e deixando às entidades competentes a defesa e observância das regras definidas, num clima de respeito, cumprimento e confiança mútua.  Adelino Gomes abordou a questão de forma transversal reflectindo sobre o paradigma da rádio actual e em contexto digital, numa postura neutra que reflecte tanto a tendência de mudança como o conservadorismo e estagnação da rádio sem contudo, deixar de reconhecer a inevitabilidade do processo.

No campo da definição das plataformas de difusão, a indefinição também não deixa margem para redefinir o próprio conceito de rádio, levando a uma análise em torno da exploração do mercado. Do ponto de vista técnico não será a Internet o sistema ideal, contudo, é irreversível o movimento social que a integra cada vez mais no quotidiano dos indíviduos, em diferentes plataformas de acesso, com menor custo e maior portabilidade.

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