12 meses, 12 estações

Depois das férias, O NetFM volta ao país para analisar novamente as estações de rádio em Portugal.  A disputa de audiências pode representar apostas diversificadas na comunicação radiofónica, embora no nosso país se verifique que a mesma se divide entre três estações cujas diferenças podem escapar aos ouvidos mais desatentos. Este mês, o NetFM acompanhou a Rádio Comercial.

Setembro

Medalha de Bonze

Em Portugal, há três estações nacionais privadas de grande audiência. Duas delas integram o mesmo grupo de rádios, pelo que poderemos pensar que, do ponto de vista empresarial, uma dessas estações poderá manter-se na “sombra” para deixar brilhar a sua congénere. Donde, a concorrência entre as estações de maior audiência será, de facto, entre duas estações de grupos de rádio concorrentes: RFM e Comercial.

Com uma história longa no panorama da radiodifusão nacional, a Rádio Comercial foi criada no pós 25 de Abril, fruto de uma reestruturação da RDP. Na altura, em 1980, foram criados dois sectores de programação nacional, um de carácter comercial e outro, de carácter não comercial. O Centro de Programas Não Comerciais correspondia à Antena 1 e ao antigo Programa 2 (actual Antena 2) e, os Programas 3 e 4 deram origem à Rádio Comercial, um canal dependente da publicidade para o seu financiamento. Uma década mais tarde, em 1993, o canal foi privatizado (Presselivre), factor que deu lugar a um maior dinamismo no sector da rádio em Portugal.

A criação da Rádio Comercial e a adopção de um novo formato de programação foram marcantes no nosso país. Pensada de raíz de forma criativa, assumiu-se como uma rádio de programas, com realizadores e locutores que marcavam claramente cada momento da emissão. Foi uma estação pensada em função do público, factor que lhe garantiu grande sucesso. Procurou ir ao encontro de uma audiência interessada em informação e novidades culturais, numa altura em que a rádio ainda dominava o panorama dos media em Portugal.

Depois do processo de privatização, os anos que se seguiram, especialmente a partir de 1996, foram de alguma indefinição programática, factor que diminuiu a notoriedade da estação. No ano seguinte, a Presselivre vendeu a Rádio Comercial (bem como a outra estação que detinha, Rádio Nostalgia – anterior CRM) ao grupo SOCI, actual Media Capital Rádio. No mesmo ano, a Comercial foi reformulada, marcando, uma vez mais, o panorama nacional da radiodifusão. Adoptou um novo formato – rádio rock – em função das necessidades de mercado e de uma lógica que se começava a instalar de formatação da programação e especialização das estações. Alguns anos mais tarde, em 2003, a estação sofre uma nova adaptação ao contexto de mercado. O modelo rádio rock é abandonado e passou a ser explorado por outra estação, com emissões locais e a Rádio Comercial apontou para um escalão etário até aqui dominado por uma única estação no nosso país.

A decisão estratégica de reorientação do formato e, consequentemente do público da Comercial, criou o panorama que temos actualmente, com o principal auditório de rádio dividido entre duas estações com formatos semelhantes e, contudo, abordagens diferenciadas.

Legalmente, a Comercial é uma estação generalista musical. Uma análise mais detalhada pode indicar que se trata de uma estação musical monotemática e formatada (AC), com uma segmentação etária e sócio-profissional, para um alvo entre os 25 e os 45 anos. Embora possamos afirmar que é em tudo semelhante à RFM, a comunicação e a música da Comercial resultam de uma mistura muito cuidada entre o formato AC e Hot AC, onde predomina este último e uma postura ao microfone que permite adivinhar diferenças concretas entre as duas estações. A boa disposição é um factor que, sendo comum, diferencia a Comercial de outras estações, muito pelas pessoas que estão ao microfone. Muito embora se trate de uma estação formatada, com uma playlist rígida e procure obedecer a critérios definidos estrategicamente para a conquista de audiências, consegue notar-se um certo retorno à lógica da rádio que lhe esteve na origem, dando a quem fala ao microfone aquela aparente naturalidade e quase improviso que tão bem ligam o público à rádio.

A programação é musical, inclui notíciários cujos conteúdos são previamente avançados pelo locutor dos espaços de emissão que, em alguns casos, embora se incluam na lógica do formato e da playlist, se assumem como programas. Há humor e rubricas, informação de utilidade constantemente actualizada e passatempos, com forte ligação à promoção das indústrias culturais.

Na rede, embora a página de entrada possa parecer confusa, a sua presença procura respeitar os padrões habituais da rádio na web e oferecer mais do a maior parte das estações faz, respondendo à lógica de evolução social da web e às necessidades de informação e entretenimento do ouvinte-utilizador. São exploradas as potencialidades das plataformas digitais, assumindo claramente a adopção de um modelo multimédia de relação da rádio com a Net, que permite escutar canais exclusivamente online da estação, numa estratégia que contraria a lógica defendida há anos atrás de canabalização da marca…

1 comment
  1. vitoscano said:

    Não esqueça que a Comercial têm alguns bons programas ao Fim de Semana que é bem mais variado que o da RFM como é o caso de 80 á hora, Agua e Sal, o Magazine Barulho das Luzes(que obrigou a RFM a ter um parecido), ou o meu Blogue dava um programa de rádio, além do TNT durante a semana e ao Fim de Semana. Entre as 2 prefiro a Comercial.

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