A rádio

“Young people turn to the Internet, iTunes, iPods, Limewire and each other through social networking to find out what’s cool. Not radio”.

Há vinte anos atrás, a rádio dava-nos música nova. Aquela que chegava através dos amigos que trabalhavam na TAP e traziam discos de Inglaterra, a que as editoras faziam questão de entregar ao DJ de um determinado programa. Falava-se para a audiência, e falava-se sobre aquilo que ela queria ouvir. Sem estudos de mercado para o definir…

Agora, a tecnologia anula esta versão radiofónica que conhecíamos. Porque cada um pode pesquisar, ouvir, gravar ou comprar música e porque, lentamente, a rádio se tornou um gira-discos que toca insistentemente as mesmas músicas e, acima de tudo, as músicas dos mesmos artistas. Porque se fala para a audiência, mas não se lhe diz nada. Com raras excepções, tanto faz que seja A ou B ao microfone. Muda a voz, muda a dicção, muda a personalidade, mas os temas são os mesmos. E não se fala sobre a música. Não se fala sobre os artistas. Promovem-se os seus discos, os seus espectáculos. E sabe-se cada vez menos sobre a identidade que quem está atrás do microfone. Seja o artista ou o animador. São marcas, com uma imagem percepcionada a partir de uma identidade definida nesse sentido, que não é construída de forma natural. E, por isso, muitas estações vão perdendo a sua identidade ao passo que outras, embora produtos de marketing muito bem feitos, lhes falta a alma e o poder de agregar a audiência em torno de algo único que perdura no tempo.

Neste sentido, estes novos produtos de marketing obrigam-se a flutuar em função dos desejos da audiência e da volatilidade dos seus gostos, que mudam ou evoluem mais rapidamente do que se possa pensar. E, para os jovens, a rádio é uma espécie de MTV sem imagem. Está lá, mas não lhes diz grande coisa, pois a maior parte já se transferiu para os novos media e constroi parte da sua identidade social a partir das redes e sites que partilha com outros jovens, onde troca informação e conteúdos, substituíndo a rádio no que à música diz respeito…

O vintage é uma tendência na moda, na decoração e mesmo na gastronomia, revelando tendências de fusão entre o novo, o velho e o kitch. Na música, a fusão não é uma tendência, é quase uma regra que vem perdurando ao longo dos tempos. Na rádio, nem uma, nem outra. procura-se inovar, reinventando o que já foi inventado, sem recuperar velhos modelos de sucesso, como se o meio estivesse obrigado a inovar cortando com o que foi feito no passado. E se, obviamente muitos erros se cometeram, há boas ideias que merecem ser recuperadas e, acima de tudo, há que proveitar modelos programáticos e de comunicação que fizeram sucesso, adaptando-os às novas condições comunicacionais, tecnológicas e sociais que dominam o início deste século, relacionando a comunicação da rádio com os novos media e os serviços disponíveis nas plataformas digitais.

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