Rádio e Jovens

João Paulo Menezes, no Transistor Killed the Radio Star, cita um estudo recente onde se indica que “Quem já viu um adolescente num computador sabe que o jovem hoje encontrou maneiras próprias de interatividade com a máquina, pois, ao fazer uma pesquisa escolar, acessa, ao mesmo tempo, um novo vídeo no YouTube, conversa com os amigos pelo Messenger, escuta sua canção favorita no rádio, verifica seus scraps no Orkut, posta uma fotografia em seu blog e consulta um verbete na Wikipedia, enquanto navega tranqüilamente pelos sites de busca à procura do tema escolar. Será que este adolescente, ao chegar à juventude e idade adulta, irá querer ouvir nossas programações de rádio tradicionais e estáticas? Certamente que não» (Prata, 2008: 229-230)”.

À primeira vista, a afirmação não poderia estar mais correcta e, teoricamente, é exactamente esta a tendência ao nível da utilização da Internet. Contudo, ao contactar diariamente com jovens que estão entre o final da adolescência e a entrada na idade adulta, verifico, ainda que empiricamente, que a Internet é uma ferramenta de trabalho e de lazer e que a rádio ocupa um segundo plano na vida destes indivíduos. Da mesma forma, poucos são os que revelam uma atitude pro-activa na pesquisa e descoberta musical, menos ainda na exploração da web e dos inúmeros serviços, utilizando-a de forma superficial mesmo no que ao apoio bibliográfico e pesquisa académica diz respeito. Desta forma, parece-me que, como em outras faixas etárias, teremos duas velocidades e dois grupos de indivíduos, marcados por uma atitude de consumo passivo e activo: os “web-users”, que usam a web e as suas ferramentas mais conhecidas por motivos pessoais e, acima de tudo, profissionais ou académicos e os “web-natics”, que transferem para a web uma boa parte da sua vida e realização pessoal, utilizando os mais diversos serviços, interagindo com outros indivíduos e instituições e partilhando conteúdos nas redes sociais.

Neste sentido, continuará a fazer sentido a rádio de modelo misto de difusão, que assume o FM como canal primordial de transmissão e a web como canal complementar, usando o website para apoio à emissão e como forma de captar outros públicos, vocacionados para uma utilização mais intensa da web. Da mesma forma, poderão as estações de rádio adaptar os seus conteúdos online a esta tendência de interactividade e utilização intensa dos serviços de partilha e interacção da web.

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