Comentário XI – 5 de Junho

Teoria do Cultivo – “The Deceit”

No ano de 1968, Gerbner, Gross, Morgan e Signorelli lançaram-se no desenvolvimento de um projecto que pretendia analisar em que medida é que a televisão exercia influência sobre a sociedade, o qual denominaram Indicadores Culturais. Posteriormente, este estudo veio dar lugar àquilo que ficou conhecido como Teoria do Cultivo (especialmente desenvolvida por Gerbner).

Esta Teoria consiste fundamentalmente numa tentativa de explicação do papel social dos media. De acordo com a perspectiva de Gerbner, os meios de comunicação seriam os responsáveis pela criação de formas de compreensão/actuação comuns, independentemente de se estabelecerem, ou não, relações interpessoais. Estes veiculariam, assim, informações, ideias, formas de entretenimento, valores e preferências que se afirmariam como padrões de comportamento dominantes e, ao mesmo tempo, contribuiriam para a criação de suposições e visões partilhadas da realidade. Neste contexto, os efeitos da comunicação social seriam entendidos numa óptica de longo prazo, podendo subdividir-se a sua influência em três grandes áreas análise – análise do processo político institucional, análise dos sistemas comunicacionais e análise do cultivo.

Apesar do conteúdo transmitido pelos media cultivar, a longo prazo, pautas comportamentais e uma visão da realidade genericamente adoptadas, a pertença a determinados grupos sociais, a experiência de vida individual e as relações com o meio envolvente estabeleceriam diversos estádios de cultivo.

Uma das críticas apontadas a esta teoria (por Montero) prende-se com o facto da concepção de público se revelar demasiado linear, ou seja, as pessoas eram vistas como um grupo homogéneo e impotente perante a influência maximizante dos meios de comunicação, nomeadamente da televisão.

O cartoon “The Deceit – O Engano”, de Angel Boligán, apresenta uma televisão, construída com placas de madeira, avançando sobre um homem que assiste sentado (esmagado?) no seu sofá. A figura da televisão de proporções gigantescas pode ser aqui entendida como o “cavalo de Tróia” dos tempos modernos, num sentido metafórico. Nesta medida podemos relacioná-lo com a Teoria do Cultivo, na medida e que o “cavalo de Tróia” seja interpretado como a realidade construída pelos media, que actua sobre os indivíduos fazendo com que estes comunguem de condutas sociais comuns cultivadas.

Ana Catarina Oliveira

Erica Franco

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