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O Gatekeeper determina o que atravessa no “portão de entrada” de um jornal. O Gatekeeper é uma das pessoas mais influentes dos media, promovendo histórias, criando tendências e controlando o fluxo de informação. Conceito formulado por Kurt Lewin, psicólogo social, que representou os jornalistas como guardiões de notícias, responsáveis por seleccionar por entre a grande variedade de acontecimentos. Lewin afirmara que na passagem das notícias, essas tem que passar por uma série de “gates”, que dependem de indivíduos ou grupos com poder de decisão sobre quais notícias são seleccionadas ou rejeitadas.

Em 1949, David Maning White, dá inicio a uma investigação a partir deste conceito, em que a selectividade dos temas noticiáveis se torna bastante importante. White realizou um estudo em que ao editor foi dado o nome de “Mr. Gates”, onde um terço das vezes, Gates rejeitou histórias por não crer na sua veracidade. Dois terços das vezes, rejeitou por não ter espaço no jornal. O editor confessou ter algumas opiniões pessoais que influenciavam as suas decisões, para além de certos factores que normalmente caracterizam a selecção do Gatekeeper. Perante estes dados, White procurou chamar à atenção para o facto de não ser a percepção e as decisões individuais, subjectivas, dos jornalistas, que levam a uma distorção do processo noticioso. Pelo contrário, deve-se sim à influência do conjunto das normas profissionais, ocupacionais e organizativas, como por exemplo, a eficiência da cadeia jornalística, a produção de notícias, ou a rapidez.

Breed, contemporâneo de White, salienta que a principal fonte de expectativas, orientações e valores não é o público, mas sim, o grupo dos profissionais de informação, os seus colegas e os seus superiores hierárquicos.

Assim, a imagem retrata o presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, a controlar os media, neste caso a controlar a televisão, com uma cortina, em que, este, fecha e abre a mesma, conforme a sua vontade. Na imagem, o jornalista está a dar uma notícia sobre o Iraque, Bush tenta manipular a transmissão dessa notícia fechando a cortina, desta forma, há um controle na selecção de notícias, por parte deste, visto não lhe ser favorável. O cartoon, levamos, então, a concluir o controle político existente, exercido sobre a selecção das notícias, por um superior hierárquico.

Em suma, este estudo mostra porque forma operam os gatekeepers na análise da produção de notícias, nas redacções dos jornais e da integração dos mesmos no quadro das organizações de media.

Andreia Carvalho

Joana Ribeiro

Em concordância com o comentário elaborado, a noção de gatekeeper prende-se com um indivíduo conhecedor das “necessidades” das audiências e que selecciona a informação, filtrando-a, de acordo com critérios de relevância estabelecidos.

Kurt Lewin, fez, inicialmente, a analogia do conceito gatekeeping com uma esposa/mãe que decide que comida irá para a mesa. De facto, é o gatekeeper quem decide qual a informação que irá ser noticiada, passando por todo um processo de selecção (gates).

O gatekeeper tem a capacidade de controlar o conhecimento do público, pois decide quais as “estórias” a ser divulgadas e quais ser omitidas, este domínio pode vir a gerar um abuso de poder por parte dos “guardiões”. É ele quem determina o que irá ser transmitido.

De acordo com o disposto, o gatekeeper é responsável pela distorção voluntária que incide sobre a informação que chega até ao público, uma vez que responde a pressões de índole politica, económica e social. Esta tese suportada por White atribui às normas profissionais a responsabilidade da alteração noticiosa, podendo, assim, falar-se de uma forma de censura ética ou deontológica. O jornalista nunca será um elemento neutro, pois a escolha é deliberada e dotada de uma certa parcialidade fruto das referidas pressões jornalísticas.

Relativamente ao cartoon alusivo ao tema, é facilmente identificável o poder que Bush detém sobre a veiculação das notícias políticas. Conforme mencionado, Bush é uma figura análoga ao gatekeeper, a cortina aos gates (portões), e a transmissão da notícia ao processo de filtragem em que o presidente decidirá sobre a difusão ou omissão da notícia.

É notório que a ideia da falta de neutralidade e de parcialidade do jornalista se reflecte, também, na imagem apresentada. A aceitação da notícia vinda do Iraque irá ser feita mediante a carga, positiva ou negativa, que esta poderá trazer para a imagem do presidente. Neste caso se a carga tiver uma conotação negativa, Bush (gatekeeper) irá usufruir do poder de que dispõe em não permitir a “passagem” da informação.

Salomé Casanova

Magali Lopes

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