dos estudos e dos seus resultados

Diz o M&P, sobre o estudo (Os Portugueses e os Media) desenvolvido pela Synovate, a pedido da Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN) que a “população mais nova é menos dependente dos meios tradicionais, como televisão, rádio ou imprensa, enquanto a mais velha é indiferente às novas tecnologias”.

O estudo em questão avaliou televisão, rádio, imprensa paga e gratuita, telemóvel, outdoor e internet. Não duvidando dos critérios científicos subjacentes ao desenvolvimento do mesmo, ou das respostas dadas pelos entrevistados, parece-me curioso verificar que este contraria em boa medida aquilo que tem vindo a ser apresentado sobre o tema. Se é certo que, numa análise superficial a frase não poderia estar mais correcta, a taxa de penetração dos telemóveis e os dados relativos à navegação na Internet demonstram que os mais velhos não são assim tão indiferentes às novas tecnologias e, da mesma forma, os mais novos não subtraem completamente os meios mais tradicionais em função dos novos media. O que talvez aconteça é uma utilização radicalmente diferente de cada um deles e uma percepção da sua importância igualmente diferenciada, a que a notícia do M&P não faz referência. E se, como avança a mesma notícia “os mais novos não vivem sem internet e telemóvel. Os mais velhos consideram a internet elitista”, continuamos sem saber que tipo de utilização cada um dos segmentos lhe dá, verificando-se apenas, a partir da leitura desta notícia que se confirma o senso comum e a informação que circula nos media, de que a Internet é o melhor veículo de comunicação para o segmento mais jovem.

E, neste capítulo, surgem conclusões que não sendo inovadoras, são interessantes, ou seja, há “maior fidelidade aos conteúdos, do que às plataformas“, pelo que, como algumas marcas já estão a fazer, o importante é que o consumidor salte de plataforma em plataforma ao longo do dia sem contudo, nunca se afastar da marca. Acresce ainda outro factor muito relevante, que confirma a tendência das estratégias de marketing e da comunicação publicitária, visto registar-se a necessidade por parte dos consumidores de uma “ruptura com as campanhas tradicionais [estes] querem ser surpreendidos, esperam que as marcas sejam diferentes e que comuniquem directamente para eles”.

No que à rádio diz respeito, afirma-se que a “publicidade na rádio ‘tem menos impacto que nos outros meios, porque não pode recorrer a imagens, tendo apenas como aspectos valorizadores a voz do locutor e a música associada à campanha’. É curioso notar que aquilo que sempre foi considerado uma mais valia da comunicação radiofónica assume para a amostra deste estudo como a deficiência de comunicação do meio, contrariando toda a aposta comunicativa e o investimento financeiro das marcas na rádio, o meio que muitas marcas preferem pela capacidade de repetição e, acima de tudo, pela forma rápida, simples e barata com que se pode substituir/reformular uma campanha e tocar o ouvinte pela força de uma palavra ou de uma voz…

Terá a televisão anulado a capacidade de imaginação dos ouvintes?…

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