Comentário VII – 8 de Maio

Tal como já foi referido em aulas anteriores, o conceito de Indústria Cultural remete-nos para um conjunto de empresas e instituições que têm como principal actividade económica a produção de cultura com fins lucrativos.

A origem deste tipo de cultura verificou-se na sociedade capitalista, que fez esforços para transformar a cultura num produto comercializado, como outro qualquer produto mercantil.

Como sistema de produção cultural, insere-se a televisão (a principal), a rádio, os jornais e as revistas, ou seja, o entretenimento em geral. Estes meios de comunicação são trabalhados de forma a aumentar o consumo, educar, moldar hábitos e a informar, obtendo desta feita a fortíssima capacidade de atingir a sociedade como um todo.

A expressão “Indústria Cultural” foi utilizada pela primeira vez pelos teóricos da Escola de Frankfurt – Theodor Adorno e Max Horkheimer. Foram estes teóricos críticos que interpretaram os meios de comunicação de massa como sendo agentes de uma classe controladora e dominante, detentora de poder e que impõe determinados valores.

Assim, a Teoria crítica defende que os media são organismos que se revelam como meros servidores de interesses e visões da realidade conflituais, dado que são alimentados por tentativas de “ocidentalização” e de controlo de mercado.

Esta imagem relaciona-se com este tema, na medida em que demonstra que a família que se encontra sentada no sofá, em frente á televisão e sem cabeça, foi completamente “engolida” e influenciada por este meio de comunicação. A imagem relaciona-se ainda com a noção contemporânea de Indústrias Culturais, na medida em que se consegue facilmente perceber que a Indústria Cultural é fruto da Industrialização e impede a formação de indivíduos autónomos e independentes, capazes de pensar e agir por si.

Cátia Azevedo

Soraia Fernandes

A Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autónomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente.”

Theodor Adorno

Esta frase de Adorno leva-nos a concordar com a noção de Indústria Cultural que as nossas colegas referiram e, ainda, a acrescentar que a grande intenção desta é obscurecer a percepção de todas as pessoas, principalmente daqueles que são formadores de opinião, o que significa que os valores e até mesmo a felicidade do indivíduo passam a ser regidos por essa cultura.

Exemplo disso é a imagem (http://tcsocial.files.wordpress.com/2008/04/tv-and-no-head-people1.jpg)

Na era da indústria cultural, o indivíduo perde a sua autonomia, e os conflitos entre impulsos e consciência encontra solução na adesão acrítica aos valores impostos pela sociedade, que manipula a seu gosto. O consumidor não é soberano, como a indústria cultural queria fazer crer, pois esta leva a alterar a própria individualidade do consumidor. Os produtos da indústria cultural paralisam a imaginação e a espontaneidade.

A manipulação do público – perseguida e conseguida pela indústria cultural entendida como forma de domínio das sociedades altamente desenvolvidas – passa assim para o meio televisivo, como se pode ver na imagem.

A indústria cultural é uma produção dirigida para o consumo das massas segundo um plano preestabelecido, seja qual for a área para a qual essa produção se dirija. Por outras palavras, deve-se ter em mente que há uma estreita relação entre a produção e o consumo, a primeira determinando o deve ser consumido e vice-versa. O que importa é que a mensagem que a indústria cultural transmite chegue às massas. Toda esta estratégia de divulgação e consumo propicia a larga manipulação também dos meios de comunicação.

Não é necessário analisar muito para perceber o carácter capitalista e consumista da indústria cultural, mas nem todos querem analisar ou reflectir sobre esta problemática, preferem serem consumidores passivos. Não importa o veículo, seja ele a rádio, a televisão, a imprensa, ou a Internet. Importa sim, o efeito gerado, o consumismo massivo.

O domínio da razão humana, que no Iluminismo era como uma doutrina, deixou de existir. Os valores humanos foram deixados de lado em troca do interesse económico. Nessa corrida pelo “ter”, nasce o individualismo, e o consumismo é o fruto de toda essa Indústria Cultural.

Ana Catarina Ramalheira de Araújo Ferreira

Gonçalo Vasques Borga

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