Play.it (continuação/update)

“Play.it” my way, deveria ser este o nome do projecto da  [ler post de ontem] uma aplicação que a CBS está a desenvolver em parceria com a AOL e que permite ao ouvinte (ou será utilizador?!) criar a sua estação de rádio online personalizada. Ou seja, diz a notícia da Advertising Age que o “Play.It essentially allows users to act as their own digital DJs. David Goodman, CBS Radio’s president-digital media and integrated marketing, gave the example of creating his own playlist around Bruce Springsteen. If he wanted to skip ahead to a new song, he could, a feature streaming radio can’t offer. He could then share it with his friends on Facebook and MySpace and invite them to suggest other artists and songs to add to the station’s playlist. If he wanted to keep any of his least-favorite bands off his online airwaves, say The Eagles, he could add them to a list of forbidden artists”. [Ler]

Será ainda, o ouvinte, um utilizador?

“It’s a way to create a cool and dynamic page for radio in a way that never existed before,” Mr. Goodman said.

Estaremos, finalmente, no caminho que Bertold Brecht anunciou, de que a rádio só se concretizaria quando o ouvinte fosse também, um produtor de conteúdos?

2 comments
  1. A utopia de Brecht, de que todo o receptor de rádio deveria ser um potencial emissor, depara-se, desde logo, com um limite: saber quem vai ouvir tamanha cacofonia.
    De resto, algumas das posições de Brecht sobre a rádio merecem ser sujeitas a uma análise crítica como o fez, por exemplo, Nicholas Garnham: “Brecht argued (demonstrating his technological ignorance) that it was a mere capitalist conspiracy that radio sets were not designed and marketed as transmitting as well as receiving devices, without realizing that he was talking about the telephone, which already existed on the market”
    Garnham, N. (2000: 68) Emancipation, the media and modernity

  2. Paula Cordeiro said:

    Concordo em parte, no que respeita à análise técnica de Brecht, pois aquilo que o autor também refere, não respeita ao público apenas enquanto emissor, mas essencialmente enquanto produtor de comunicação, o qual estaria sujeito à mediação profissional. Ou seja, colocar nas mãos do ouvinte a possibilidade de produzir conteúdos para a rádio representa uma abertura que o meio só aparentemente tem tido. Ainda que estes sejam depois submetidos à apreciação e selecção dos gatekeepers na rádio, na actualidade, o potencial multimédia e as plataformas de difusão digitais permitem gerir a cacofonia a que o Vitor se refere, e deixar nas mãos do ouvinte-utilizador, a escolha da cacofonia que pretende escutar…
    Mas sim, a análise de Brecht é compreensivelmente limitada. Afinal, estavamos ainda na década de 1930 e meios como a rádio, eram ainda uma novidade. Tanto técnica, do ponto do vista da emissão e da recepção, como especialmente, um meio de comunicação social. Além de que, pespectivas posteriores, com maior ou menor influência de um pensamento economicista ou crítico, analisaram este incontornável contributo à sua maneira, tal como cada um de nós, tendencialmente faz.

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