Novos Canais

Terá chegado a era de criação de canais temáticos online, paralelos às emissões em FM?

Depois de a RDP ter lançado a semana passada um novo canal temático exclusivamente online, a Comercial anunciou a intenção de avançar com a criação de dois novos canais, temáticos e online, para maximizar os conteúdos produzidos nas diferentes estações do grupo MCR.

Trata-se de uma decisão que, aparentemente, vem contrariar a ideia que durante algum tempo prevaleceu no sector, de que, canais online, parelelos e diferentes da emissão FM poderiam assumir-se como concorrentes ao canal principal, numa lógica de canibalização da marca. Na altura reflcti sobre o assunto e, embora a perspectiva não estivesse totalmente errada, o que me pareceu é que poderia assumir-se como uma ameaça, sim, mas apenas por esses possíveis canais se tornarem mais interessantes do que o canal principal – em FM. Na altura, o estado de desenvolvimento da Internet, a massificação do acesso e a banda larga eram ainda questões que apenas alguns vislumbravam. Na realidade, colocavam-se duas questões: se a Internet poderia substituir o FM e se a presença das estações na web não seria apenas um complemento ao FM, uma espécie de montra da estação, jargão que muitas vezes era usado no sector.

Veio a provar-se que a Internet não podia e não pode, para já, ser um substituto de nenhum outro canal de distribuição, sendo ainda complementar, apesar das audiências estarem continuamente a crescer e este esteja a assumir particular importância em determinados períodos horários. Da mesma forma, essa complementaridade em termos de plataforma de distribuição da rádio veio obrigar as estações a adaptarem ou a criarem novos conteúdos para o canal online, por forma a satisfazer um público diferente do que escuta rádio em FM e saciar os que, escutando em FM, estão igualmente, durante uma boa parte do dia, a ouvir a sua estação preferida através da Internet.

Neste sentido, a rádio tem de inovar e a introdução de conteúdos multimédia nos websites pode tornar-se uma distracção para o ouvinte, dispersando a sua atenção para aquilo que este considera ainda, ser efectivamente a rádio. Por outro lado, assume-se como uma mais valia, fornecendo-lhe informação e entretenimento adicional ao que pode escutar em FM. Da mesma forma, novos canais, organizados de forma temática e reutilizando os conteúdos FM podem representar uma estratégia que permite oferecer essa vantagem sem, contudo, traduzir um esforço adicional de organização e gestão de recursos humanos e técnicos. Contudo, a breve trecho será necessário inovar neste sentido, oferecendo ao ouvinte mais do que uma repetição do que está disponível em FM, ainda que isso corresponda a conteúdos de diferentes estações reunidos num mesmo canal, ameaçando a estação que lhes deu origem…

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