Trabalhos – 10 de Abril

Embora na génese da Teoria Crítica não existisse televisão e os seus autores não se tenham debruçado especificamente sobre este meio de comunicação, observem as imagens do vídeo e reflictam sobre a relação entre a televisão e o indíviduo, de acordo com os pressupostos da Teoria Crítica.

Em 1923 era fundado o Institut für Sozialforschung (a conhecida Escola de Frankfurt), preocupando-se em manter vivo o espírito de reorganização da sociedade. Agregando a ideia da sociedade como um todo e recusando a histórica oposição do individuo à mesma, a teoria crítica, protagoniza uma crítica evolutiva da economia. A Escola de Frankfurt aproveita a dinâmica social da sua época de forma a interpretar os fenómenos estruturais primários da sociedade contemporânea. São exemplo os fenómeno capitalistas e a industrialização, onde se torna possível associar as ideias marxistas às dos pensadores, sendo útil a compreensão das mesmas para uma melhor compreensão da mensagem.

Todas as ciências sociais são meras técnicas de pesquisa, de recolha, de observação e de classificação de dados, uma vez que ignoram programaticamente as intervenções sociais”.

A entidade conceptual denominada “Teoria Crítica” na qual se encontra centrada a Escola de Frankfurt, parte de uma tentativa teórica original introduzida por Max Horkheimer, ao qual se encontram ligados nomes como Theodor Adorno, Walter Benjamin, Herbert Marcuse entre outros.

Os fins específicos da teoria crítica são a organização de uma vida em que o destino dos indivíduos não é ao acaso e desprovido da necessidade de controlar os laços económicos, mas sim da realização programada das possibilidades humanas.”

MARCUSE

A Cultura de Massas foi substituída pelo termo Indústria Cultural sendo que a interpretação corrente, ainda hoje, é de que se trata de uma cultura que nasce e é vivida espontaneamente pelas massas. Aquilo que a Indústria Cultural oferece como sendo absolutamente novo é sempre igual, representado de outra forma. Neste sistema tudo está infimamente conectado garantindo fase a fase, etapa a etapa, o sucesso, sobretudo económico, do produto.

Para estes teóricos o indivíduo acaba por perder a sua autonomia em absoluto em favorecimento à ideia de adesão quase que ilimitada às actividades e valores propostos pela Indústria Cultural – relação manifestada ao nível de um foro privado.

A única possibilidade de interacção individual é no foro privado, a grande diferença apontada por estes autores esta patente no facto de o indivíduo não ser sujeito da Indústria Cultural, mas apenas o seu objecto. Segundo a Teoria Crítica a individualidade é substituída pela pseudo-individualidade mantida por uma Indústria Cultural autoritária, hierarquizada, que passa constantemente a imagem de uma obediência crítica reflectida com valores em mérito próprio e dominantes.

Se para os teóricos do estruturo-funcionalismo os mass media e as massas constituem um todo que interage condicionando-se reciprocamente mediante os vários contratos sociais, os vários tipos de mass media, ou seja, as várias evoluções sociais são fruto das sucessivas interligações entre os mass media e a sociedade; para a Escola de Frankfurt a sociedade “evolui” pelos condicionalismos criados pelos mass media, levados ao extremo na manipulação das próprias normas sociais. Para estes teóricos o indivíduo não só é manipulado como também não reage.

Cada espectador de um filme de acção sabe em absoluta certeza como se vai desenlaçar o final. A tensão só é mantida superficialmente. É impossível obter um efeito sério, pelo contrário, o espectador sente, visionando toda a emissão, que está num local seguro”

ADORNO: 1954

Embora a Teoria Crítica não analise o papel da televisão do ponto de vista social, devido à sua origem no tempo, é importante extrapolar esta análise ao fenómeno televisivo.

Estudos recentes demonstram que a televisão produz inúmeras influências do ponto de vista neurológico, afectando regiões específicas do cérebro, tal como evidência o filme apresentado. Levanta-se a questão do controlo, ou passividade, que o indivíduo exerce sobre os conteúdos transmitidos pela televisão.

Do ponto de vista da Teoria Crítica é possível associa o conceito de Indústria Cultural com a televisão (na sua génese generalizada): difundido conteúdos de forma repetida para um vasto auditório, ou ainda, realizando estratégias em grande parte do foro económico. A ideia da promoção e degradação do gosto popular também, segundo a extrapolação da Teoria Crítica, não está desassociada da televisão. Esta permite assim, uma atitude de passividade dos consumidores nos conteúdos exibidos.

Actualmente a televisão está presente de forma massificada na sociedade ocidental, reflectindo-se assim a preocupação de compreender os seus efeitos nos indivíduos e nos fenómenos sociais.

No que diz respeito ao comentário realizado pelas colegas, compreende-se existe uma análise cuidada e consistente da Teoria Crítica, merecendo apenas a sugestão dum maior aprofundamento do processo neurológico que a televisão exerce nos indivíduos demonstrado no filme apresentado.

É essencial, segundo a Escola de Frankfurt, que as mensagens vinculadas pelos mass media detenham uma estrutura multi-massificada. Não se trata de um conteúdo simples a transmitir aos diversos receptores, mas de vários conteúdos, sobrepostos e com diferentes valores, colaborando para o resultado.”

Resumindo, as teorias da Escola de Frankfurt têm por base o reconhecimento do permanente condicionamento das massas pela transformação recebida, tendo como consequência a conformação ao invés da contestação. O espectador é educado a receber determinado estilo de informação que não lhe suscite qualquer tipo de interrogação e que lhe transmita um sentimento de confiança. Concluindo, concretiza-se da mesma maneira que qualquer jogo, proporcionando alguma satisfação, as regras e os resultados, mesmo que previsíveis, tornam-se inquestionáveis.

Ágata Marinho (n.º 207223)

David Dias (n.º 207194)

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