Comentário III 02.04.08

A partir dos principais fundamentos da Teoria Crítica, comentem a citação:

«O rádio era petulante: colocava em pé de igualdade, diante de um concerto de música clássica, tanto o operário maltrapilho quanto o bem nutrido capitalista. O paradigma destes estudos foi estabelecido pela chamada Escola de Frankfurt. Dois de seus maiores expoentes, Adorno e Horkheimer, em seu texto mais disseminado, não poupavam de criticas o novo meio, do qual ressaltavam o caráter totalizante de nas operações discursivas: ‘o concerto de Toscanini transmitido pelo rádio é, de certa forma, invendável. É de graça que o escutamos, e cada nota da sinfonia é como que acompanhada de um sublime comercial anunciando que a sinfonia não é interrompida por comerciais – ‘this concert is brought to you as public service’. A ilusão realiza-se indiretamente através do lucro de todos os fabricantes de automóveis e sabão reunidos, que financiam as estações, e naturalmente através do aumento de vendas da indústria elétrica que produz os aparelhos de recepção. O rádio, esse retardatário progressista da cultura de massas, tira todas as conseqüências que o pseudomercado do cinema por enquanto recusa a este. A estrutura técnica do sistema radíofôníco comercial torna-o imune a desvios liberais como aqueles que os industriais do cinema ainda podem se permitir em seu próprio setor. Ele é um empreendimento privado que já representa o todo soberano, no que se encontra um passo à frente das outras corporações. Chesterfield é apenas o cigarro da nação, mas o rádio é o porta-voz dela» (Adorno e Horkheirner, “A indústria cultural- O esclarecimento como mistificação das massas”. In: Dialética do esclarecimento.) (Kischinhevsky, 2007: 18-19 )

 

 

Os teóricos críticos criados pela escola de Frankfurt têm vindo a interpretar os meios de comunicação de massa como agentes de uma classe controladora e dominante que detêm o poder, impondo os valores e ideologias das entidades que os financiam e ilegitimando as oposições.

Os media tornaram-se, assim, aos olhos da teoria crítica, servidores de interesses e visões da realidade conflituais uma vez que são, por um lado, alimentados por objectivos políticos e culturais de “ocidentalização” e, por outro, por objectivos económicos de controlo do mercado global, que denunciam a transformação desses meios em «indústrias culturais».

Adorno e Horkheimer, membro da escola de Frankfurt, “não poupavam de criticas o novo meio do qual ressaltavam o carácter totalizante de nas operações discursivas”, revelando os interesses de ideologia política aquando das transmissões musicais sem reprodução de publicidade. A teoria crítica partia dos pressupostos do marxismo para entender a cultura como elemento de transformação da sociedade, fortalecendo-se com o nazismo e o fascismo vivido na Europa, que utilizavam a rádio e o jornal como veículos de propaganda politica.

Como evidencia o excerto, a rádio tornar-se-ia, ao mesmo tempo, um empreendimento privado alimentado pelos anúncios cujo objectivo primordial era a obtenção de lucros, criando-se assim o meio publicitário que transforma a sociedade numa massa e enriquece os financiadores das estações.

Outra critica apontada pelos teóricos visava denunciar a quebra da tradição e a “liquidação progressiva da autonomia do sujeito individual” (BRETTON, Philippe in A Explosão da Comunicação), contribuindo para perpetuação da injustiça social.

Conclui-se, assim, que a referida teoria tinha como principal alvo de crítica a influência da rádio na sociedade, que se rendia, rapidamente, ao capitalismo e à democracia.

 

 

Sara Felisberto

 

Sara Ferreira

 

De acordo com os fundamentos da Teoria Crítica devemos concordar com o comentário elaborado pelas nossas colegas.

Segundo os pensadores da Escola de Frankfurt, a cultura de massas, alicerçada sobre a ideologia capitalista e sobre um pseudo-processo de democratização cultural, tinha nos media a maior alavanca persuasora, capaz de criar necessidades e influir nas decisões quotidianas do “homem-massa”.

A crescente industrialização veio fortalecer a lógica economicista e politizada a que os meios de comunicação da altura – essencialmente rádio e jornais – estavam submetidos.

Adorno e Horkheimer corroboram uma ideia de «indústria cultural», ou seja, a própria difusão cultural seria uma utopia, na medida em que os seus elementos se revestiriam exclusivamente de valor comercial. Reinaria a óptica lucrativa e o domínio do capital. Assim sendo, o aspecto artístico da obra é perdido, o indivíduo consumiria os produtos dos media passivamente, dispensando qualquer esforço de reflexão sobre a própria obra. Para o primeiro autor, cada cidadão não passaria de um mero instrumento de trabalho e consumo.

No domínio político, e num contexto bélico, a propaganda assumiria um papel tão fundamental como reprovável.

A crítica central dirige-se à rádio, o meio da vanguarda, pelo seu papel político e económico, indevida e ilegitimamente subordinado ao capital e ideologias emergentes.

André Duarte

Octávio Lousada Oliveira

 

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