Comentário I 26.03.08

“ (…) A abordagem deixa de ser global, incidindo sobre todo o universo dos meios de comunicação e passa a `apontar’, por um lado, para o estudo da sua eficácia persuasiva óptima e, por outro, para a explicação do `insucesso’ das tentativas de persuasão”. ( WOLF, 1995: 34)

 

O excerto do texto de Mario Wolf aborda e enquadra-se na evolução das teorias da comunicação, em particular da Teoria da Persuasão.

Esta, cujo ponto de impacto incide na visão do sujeito como entidade interveniente e determinante no processo comunicativo, veio mudar a abordagem do modelo estímulo-resposta de um plano global, que incluía todos os meios de comunicação, para o campo das noções de persuasão óptima e insucesso das tentativas de persuasão. Este sucesso ou insucesso é explicado pelos processos psíquicos de cada receptor. Segundo esta teoria, factores como a credibilidade do comunicador ou a integralidade da argumentação são determinantes na aceitação ou não dos argumentos emitidos por esse receptor. São igualmente determinantes factores intrínsecos ao próprio indivíduo, por exemplo os conceitos de exposição, percepção e memória selectiva, que explicam que as ideias que o receptor possuí em relação a acontecimentos, pessoas, etc., são vitais na sua predisposição para se deixar expor, perceber e reter ou não os conteúdos que lhe são transmitidos.

Resumidamente, a teoria da persuasão referida na frase consiste no estudo da envolveria das massas na comunicação social, considerando os sujeitos como entidades activas e intervenientes no processo comunicativo, sendo que os seus processos psicológicos passam a constar nas analises da comunicação. Esta teoria não só valoriza o canal de transmissão como pessoa que comunica, colocando assim o sujeito como central na acção de recepção de informações, e explicando que é ele quem determina o sucesso ou ineficácia das tentativas de persuasão, conceito abordado no texto.

 

Ana Rita Melo

Rita Salvado

 

Tal como as colegas referiram no `comentário´, este excerto faz referência à evolução das teorias da comunicação, neste caso em particular, à Teoria da Persuasão.

Concretamente, a Teoria da Persuasão estuda a eficácia persuasiva dos meios de comunicação, tendo em conta as características individuais do destinatário (factores psicológicos) e a organização/caracterização do emissor, baseando-se em micropesquisas que por sua vez dão origem à “complexidade da relação: emissor – mensagem – destinatário”.

Segundo o Comentário, “factores como a credibilidade do comunicador ou a integralidade da argumentação são determinantes na aceitação ou não dos argumentos emitidos por esse receptor”… também os factores intrínsecos ao indivíduo são abordados, ainda assim, optámos por fazer referência a todos os factores que influenciam a Audiência e a Mensagem. São eles:

Audiência:

1. Motivação

Ao serem expostas a determinado assunto, o interesse das pessoas aumenta, estas sentem-se motivadas para saberem mais sobre determinado assunto; Se caso contrário o interesse e motivação pelo tema que está a ser exposto for escasso, se existir apatia social, se o acesso à informação não for relativamente fácil, o processo de recepção de mensagens será dificultado.

2. Exposição Selectiva

Neste caso, é necessário ter em conta o público-alvo e só em seguida observar o meio mais eficaz para o atingir com a mensagem pretendida. A mensagem não deve conter ideias novas mas sim reforçar ideias já existentes. Há ainda que ter especial atenção com o factor “valores”… nunca ir contra estes! Deve-se sempre expor a mensagem de acordo com as atitudes das pessoas a que se dirige.

3. Percepção Selectiva

Este elemento indica-nos que os indivíduos se apresentam revestidos e protegidos por predisposições levando, por vezes, a que a mensagem captada por estes se altere ou seja compreendida de forma oposta à original.

4. Memorização Selectiva

“Os ouvintes tendem a fixar primeiro os argumentos com os quais concordam. Quanto maior for a exposição, maior será essa característica. Surge o efeito Barnett: “os efeitos favoráveis tendem a ser recordados, em detrimento dos contrários”. Existe também o Efeito Latente (sleeper effect): “a eficácia persuasiva aumenta à medida que o tempo passa.””

Mensagem

1. Credibilidade da Fonte

As mesmas mensagens, emitidas por diferentes fontes, apresentam-se com diversos significados. A falta de credibilidade influencia negativamente a persuasão, ou seja, a audiência aceita melhor os argumentos de fontes consideradas credíveis.

2. Ordem da Argumentação

Quando a audiência não se encontra familiarizada com o tema a persuasão é mais eficaz através dos argumentos iniciais da mensagem (efeito primacy). Se por outro lado, estiver, os argumentos mais eficazes são os finais (efeito recency). Em situações concretas, a ordem dos argumentos a favor ou contra acaba por provocar diferentes efeitos.

3. Integralidade das argumentações

“Escolha da forma de efectuar a argumentação” – Por exemplo: para pessoas menos instruídas apenas se apresentam os elementos positivos… Já para as pessoas com mais formação, que procuram maior grau de esclarecimento, que possuem opiniões contraditórias, é aconselhável a apresentação dos argumentos tanto a favor como contra (do tema).

4. Explicação da Conclusão

Para que se consiga transmitir a mensagem, uma conclusão explícita, simples, atractiva, é essencial. A complexidade atenua os efeitos persuasores.

De modo Geral, a Teoria da Persuasão não só valoriza o canal de transmissão como a pessoa que comunica, “colocando assim o sujeito como central na acção de recepção de informações e explicando que é ele quem determina o sucesso ou ineficácia das tentativas de persuasão…”.

Sendo assim, pode dizer-se que esta teoria surge como revisão ou “evolução” da Teoria Hipodérmica onde todos os indivíduos, sem excepção, são directamente atingidos pela mensagem veiculada pelos meios de comunicação de massa. Mais tarde surge a Modelo de Laswell. Este autor já dá mais importância aos receptores da mensagem e aos seus efeitos. Os receptores tornam-se menos passivos.

A estrutura, na Teoria da Persuasão, já depende de várias variáveis, dentro da relação causa-efeito (variáveis essas anteriormente referidas e sucintamente explicadas). Os sujeitos já não apresentam passividade, são activos e intervêm no processo comunicativo.

A Teoria da Persuasão complementa a Teoria de Lasswell, não entrando em choque com esta. Não só valoriza o canal de transmissão, como acrescenta a importância da escolha da pessoa que vai comunicar. A credibilidade passa a ser um factor comunicacional por excelência, podendo adulterar ou inverter, em casos extremos, os significados da mensagem comunicada, dependendo de quem a comunica”.

Deixamos por fim o exemplo do PowerPoint e do seu poder Persuasivo (a simplificação é um factor preponderante na persuasão); Um alerta à Publicidade que nos chega compulsivamente…

  • Vodafone e a efémera…

  • TMN e o famoso “Até já”

  • Smart Forfour e a sua música característica

  • “Triplicar o Saldo do Seu Cartão”…TMN

Ou ainda…as cores relativas às marcas (aos bancos por exemplo), os Leads dos Jornais, as capas das revistas… Até que ponto serão os efeitos da Persuasão Limitados ou não? Até onde a publicidade quer chegar? Será agradar a um número mínimo ou à maioria?

Quantas vezes nos deixamos persuadir…mesmo que não se saiba a fonte, mesmo que não estejamos “alerta” para o problema, mesmo que não exista motivação, exposição, percepção e/ou memorização? Mesmo se a mensagem estiver desordenada (não despertará curiosidade também?) …

Maria Inês Camilo, 1º ano CC

Maria Inês Santos, 1º ano CC

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s