MP3 killed the video, the radio and the record star

O processo não tem retorno possível e afecta duas indústrias inter-dependentes: a da música e da rádio. Efectivamente, o negócio da música está a mudar rapidamente e as empresas destes sectores têm necessariamente de se adaptar ao novo contexto digital.

A produção, promoção e distribuição da música podem agora fazer-se de forma independente dos sistemas de mercado instituídos e surgiram já inúmeros exemplos que provam que o processo de mudança é irreversível, com as naturais consequências para o sector da rádio. A notícia recente, publicada pela BBC News [ler] sobre a Last FM, revela que o site lançou o maior serviço mundial de música gratuita, promovendo artistas sem editora e remunerando-os cada vez que os utilizadores escutem as suas músicas.

O Last FM enquadra-se nos sites sociais de música e representa o desenvolvimento da web 2.0, uma segunda fase no desenvolvimento da web caracterizado essencialmente pela preponderância do utilizador, partilha de conteúdos e sua participação na organização do conteúdo online. Foi criado em 2002 e, entretanto, comprado pela CBS. É um espaço para escutar música, baseando-se num motor de pesquisa que gera recomendações musicais comparando as escolhas do utilizador com as dos restantes membros da comunidade Last.fm, fórmula diferente da de outros sites, que comparam analogias e atributos das músicas.

A notícia revela que “the website has done deals with the four major record companies as well as more than 150,000 independent labels to offer access to their catalogues. Users will be able to listen to any track – streamed rather than downloaded – up to three times. (…) After that period Last.fm members will be encouraged to buy the track via links to iTunes and Amazon and other download services. A share of any resulting sales, coupled with advertising, will fund the service”. [ler]

A ideia revela claramente uma nova abordagem ao mercado e uma tentativa de recuperar a indústria musical, ameaçada com um modelo de negócio em declínio, novos hábitos de consumo e de promoção dos artistas. Efectivamente, “global digital sales grew by around 40 percent in 2007, the IFPI group said, but this was not enough to offset the sharp fall in CD sales, meaning the overall market is expected to be down around 10 percent for 2007″ [ler], de acordo com a notícia da Reuters. A solução não passa necessariamente pelo controlo da pirataria, embora esta seja de facto, preocupante. “Global digital music sales were estimated to be approximately $2.9 billion in 2007, a roughly 40 percent increase on 2006, and single track downloads, the most popular digital music format, grew by 53 percent” [ler], acrescenta a Reuters.

Se as vendas de discos caem, se os consumidores estão na web, se partilham conteúdos entre si, se constroem redes e comunidades em torno dos seus interesses pessoais e musicais, não faz sentido continuar a insistir no desgastado modelo offline. De facto, a notoriedade da web para promover novos artistas tem crescido à medida que cresce também o número de novos artistas a promoverem-se sem editora, através de sites sociais dos quais, o MySpace será o maior e melhor exemplo.

De acordo com a Wired, “according to MySpace, more than 240,000 artists of every kind — from unsigned amateurs to international rock stars — are using MySpace as a way to market themselves and build a fan base. Artists are using the site to build massive social networks and spread the word about upcoming shows and CD releases” [ler]. Estes artistas, sem exposição na rádio, encontram na web um meio de divulgarem o seu trabalho, criando grupos de admiradores que assistem aos seus concertos e levam a que os mesmos passem a ter a atenção da indústria. No mesmo artigo, escreve-se que “‘being MySpace buddies with a band is a way to stay in contact, check out new stuff and pledge your allegiance,’ said David Berezin, a college student in Oakland, California. And band members often respond to fans, creating a real dialogue between artists and their followers. Even established artists like Billy Corgan use the service as a way to interact with fans” [ler].

Em Inglaterra, a BBC já se deu conta da importância destes sites e anunciou uma parceria com o MySpace, onde irá disponibilizar alguns dos seus conteúdos.De acordo com o New York Times, “’This partnership continues our strategy of putting BBC content right at the heart of where audiences spend their time and watch video online,’ Simon Danker, the director of digital media at BBC Worldwide” [ler]. A iniciativa pretende colocar no MySpace vídeos da BBC, visto o MySpaceTV ser o segundo site de vídeos mais popular, logo atrás do YouTube. A mesma lógica poderá usar-se para a rádio, colocando podcasts de programas, excertos de emissões, retransmissões ou, simplesmente, dando espaço a locutores e programas, ligando-os aos utilizadores e às bandas que estão nesta rede.

E que importância tem isto para a rádio? Toda. A rádio tem de se relacionar mais com os ouvintes e seguir a mesma lógica destes sites sociais, enveredando inevitavelmente por uma lógica de web 2.0, ainda que mantenha imutável a sua presença em FM. Trata-se de olhar para a rádio sob dois prismas diferentes, uma vez que se verifica a existência de duas realidades paralelas, embora uma delas esteja claramente em desenvolvimento. Assim, entre a rádio terrestre e a rádio na Internet só poderão existir diferenças na abordagem, mantendo e desenvolvendo a rádio FM de acordo com as oportunidades de negócio, as tendências de mercado e o comportamento dos ouvintes. Esta, que está também na Internet, manterá as emissões transmitindo-as online, mas faz todo o sentido que acrescente uma nova lógica e estrutura aos seus sites, tornando-os numa porta de entrada dos seus ouvintes na Internet. Criando uma estrutura que se assemelhe aos sites sociais, a rádio só tem a ganhar, fidelizando os seus ouvintes que são também internautas, ligando-os entre si para fomentar o sentido de comunidade, num ambiente online.

Os ouvintes de uma estação de rádio, directa ou indirectamente, identificam-se entre si, uma vez que a estação representa também parte da sua identidade. Naturalmente – e particularmente junto do público jovem – que essa identificação se pode transpor para a web, criando espaços para que os ouvintes possam interagir entre si e com os profissionais, partilhando interesses pessoais que transcendem o domínio da rádio e enveredam por temas mais abrangentes, à semelhança do que acontece em sites sociais como o MySpace ou Hi5.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s