Antena Aberta na Antena 1

Escrevem Manuel Pinto e Luis Bonixe sobre a posição de José Nuno Martins, provedor do ouvinte da rádio pública, relativamente ao programa de Antena Aberta na Antena 1.

Manuel Pinto

Luis Bonixe

Não poderia estar mais de acordo com a posição dos autores e, embora compreendendo as preocupações do Provedor, não me parece que a sua posição seja defensável perante a missão de serviço público e parece-me que é de contrariar a ideia de que estes programas procuram acima de tudo audiências. Efectivamente, são programas de grandes audiências por várias razões, uma das quais e talvez mesmo a principal, pela quase inexistência de programas desta natureza no panorama radiofónico nacional. Explica Luis Bonixe e muito bem, diferenciando, a partir de Andrew Crisell, as características dos programas de antena aberta, pois “em muitos espaços radiofónicos nacionais, a participação dos ouvintes resume-se à transmissão da sua voz através da rádio. Pedem discos, contam anedotas (exibicionista) ou falam dos seus problemas pessoais (confessional). Raramente são colocados perante o desafio de se posicionarem em relação a um assunto público (expressivo).”

E se, “é verdade que por vezes se ouvem enormidades; que não raro se torna penoso acompanhar certos pretensos contributos; que é fácil a grupos organizados manipular a participação enviesando-a a favor de certas agendas particulares.”, como afirma Manuel Pinto, não posso deixar de concordar que estes programas revelam a opinião dos portugueses, na maior parte dos casos mal informados sobre as questões e, acima de tudo, sem capacidade para exprimir correctamente as suas ideias sobre o tema. Ainda assim, não serão motivos suficientes para evitar a existência dos programas de antena aberta de carácter expressivo, sob pena de fomentar ainda maior ignorância sobre a agenda pública, política, social e cultural de um país que, por motivos vários, não lê e se dedica a assistir às novelas e reality shows do prime time televisivo.

Se, portanto, não compete à rádio pública ter programas desta natureza, como indica Manuel Pinto, sobre a opinião do provedor José Nuno Martins, competirá então, maior destaque e tratamento informativo sob géneros diferentes (para além da notícia e do comentário) aos temas da agenda (excluíndo naturalmente o futebol, que já tem espaço suficiente e abrindo espaço a outros desportos de menor notoriedade) e menor destaque à música? Será essa a ideia defendida pelo Provedor?

Escreve Manuel Pinto que o Provedor defende que “a linguagem, o insulto, o abuso de identidade e, por conseguinte, o risco de o espaço da antena poder ser utilizada para fins que não o do debate dos assuntos de actualidade e a não interferência do condutor do programa o tornam impróprio para a RDP”. Efectivamente, talvez o programa em questão necessite de uma moderação mais cuidada e cuidadosa, contudo, se a linguagem e a atitude dos portugueses é má, a ausência de espaços desta natureza em nada irão beneficiar o estado das coisas. Cortar a palavra aos ouvintes baseando-nos simplesmente no critério da expressão e de questões estéticas parece-me perigoso para a defesa do pluralismo e garantia da diversidade de opiniões na rádio pública. Poderemos então, ter opinião, mas desde que a saibamos exprimir nos quadros da estética definida pela rádio pública? Se assim não for, cala-se a opinião e remete-se o programa para rádios privadas que, em tantos momentos, investem em emissões de serviço público…

1 comment
  1. Na antena aberta , em vez de se comentar sobre o caso de Lopes da Mota, que só serve para “distraír” os portugueses, o que se devia fazer era discutir os problemas nacionais, desde o desemprego e suas sequelas aos despedimentos oportunistas de muitas empresas que o fazem a seu belo prazer e que deviam ter a inspecção respectiva da parte governo, o que não acontece, e eu sei bem porquê: são os grandes grupos económicos e a alta finança que se governam e povo que se lixe. Faz-me lembrar a cantiga do Zeca Afonso ” eles comem tudo eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada. Será que povo tem o que merece?… a verdade é que nos últimos 35 anos temos sido governados por PS e PSD e assim sendo, o povo não se pode queixar. O voto é uma arma e como tal devemos utilizá-lo para “mudar de rumo”. Disse.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s