Quando a imprensa fala da rádio…

… A mensagem é sempre negativa… Ou a rádio vai morrer (ver DN, edição de 22.06.07), ou o número de ouvintes não pára de decrescer (ver qualquer notícia referente ao Bareme Rádio da Marktest/audiências de rádio), ou o investimento publicitário está a diminuir (ver também notícias sobre esta temática)…

O curioso é verificar o dinamismo dos projectos radiofónicos em Portugal e a adopção essencialmente de formatos musicais especializados, fazer as contas aos últimos 10 anos da Audiência Acumulada de Véspera no Bareme Rádio ou avaliar a reinvenção dos formatos de publicidade nas rádios de maior audiência.

De acordo com a notícia publicada hoje no Diário de Notícias “A Rádio Vai Morrer Muito em Breve“, a previsão da maior parte dos participantes no seminário realizado na passada Quarta-feira na Sociedade Portuguesa de Autores é bastante negativa para a rádio. Assim, Luis Filipe Costa, e Luis Osório decretam o fim da rádio, António Sala vislumbra a possíbilidade da sua reinvenção e, finalmente, Luis Montez encontra nas novas tecnologias o futuro do meio, assumindo algum optimismo em relação à rádio.

A partir da leitura deste artigo, pensei que, se são os próprios profissionais a não ter optimismo em relação ao meio, então de facto, a rádio terá os seus dias contados… Efectivamente, e considerando aquilo que é destacado na notícia (o que não quer dizer que corresponda exactamente à perspectiva dos participantes no seminário….) é estranho a referência à descida das receitas publicitárias, quando a rádio se mantém assumidamente como um meio que responde às necessidades específicas de comunicação de marcas importantes no panorama nacional, relativas a instituições bancárias, telecomunicações e sector automóvel. Tempos turbulentos na MCR, quando Luis Osório referiu a descida do investimento
e a Rádio Comercial tem o seu espaço publicitário em antena completamente preenchido… Paralelamente, uma escuta atenta da rádio em Portugal pode verificar uma mudança na comunicação publicitária em rádio, cujo investimento cresce paralelamente aos spots que são contabilizados pelos instrumentos de medida do MediaMonitor da Marktest. Ou seja, a rádio está a saber reinventar-se e o investimento publicitário ultrapassa largamente os spots nos blocos de publicidade, cujas limitações legais, desinteresse do público conduzem e necessidades de comunicação das marcas conduzemao recurso a live copy’s, acções especiais (passatempos, por exemplo), marketing de eventos, marketing de eventos associado a promoção de conteúdos em antena ou passatempos, ou, ainda, comunicação publicitária online, na qual se incluem formas tradicionais (banner, por exemplo) e não tradicionais de comunicação (conteúdos editorais promovidos por uma marca, por exemplo).

Sobre a encruzilhada que também Luis Osório referiu, efectivamente a mimetização de estações é um facto notório e historicamente recorrente na gestão de marketing, uma vez que, apesar da pequena dimensão, um mercado como o nosso ainda suporta um líder e co-líder. A imitação existe e a rádio arrisca pouco. É inegável. Da mesma forma, avançou Luis Montez, existe um maior número de rádios especializadas num género musical. Pena é que sejam rádios locais, cuja emissão não consegue ultrapassar os limites das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Sobre esta questão, o mercado se encarregará de fazer a selecção natural e os profissionais encontrarão formas de reinventar as suas estações: recuperando velhor modelos, criando novos formatos ou recorrendo a novas tecnologias para criar conceitos novos de programação radiofónica.

No que respeita à televisão e à concorrência ou à sombra que faz à rádio, note-se que a Internet é já o 4ª meio ao nível do investimento publicitário em termos mundiais e que há uma transferência do público da TV para este meio, pelo que a rádio só terá a ganhar deslocando-se para a Internet. Como em FM, a rádio pode manter-se em segundo plano, enquanto o ouvnte/utilizador desempenha outras tarefas – de trabalho ou entretenimento. A escuta de rádio ocupa menos largura de banda do que a imagem, pelo que ouvir rádio será sempre mais rápido e com melhor qualidade. Pelo menos num futuro próximo…

A ligação entre a rádio e as novas tecnologias é inegável, não só ao nível do estreitamento das relações entre ouvintes, meio e seus profissionais, como pela extensão do meio a uma audiência global. Pena é que a maior parte dos projectos desenvolvidos onlice continue a assumir-se como uma extensão da rádio em FM ou um canal de difusão alternativo, para ouvintes no país de origem da estação e, apesar da maior já começar a enveredar pelo desenvolvimento de uma lógica de comunidade online, muito ainda está por fazer…

4 comments
  1. Joaquim said:

    Parece-me mais feroz a concorrência entre a televisão e a Internet do que a rádio contra todos os outros meios. Há milhares de textos, ao longo da História, que vaticinam o fim da rádio. No entanto… nem o “video killed the radio star”.
    O que a rádio tem de fazer é aproximar-se dos ouvintes. Arte que poucas rádios em Portugal, até agora, conseguiram fazer, num molde profissional.

  2. è extraordinária a quantidade de vezes que se proclama a morte da rádio. Mas eu não iria tão longe. A rádio adapta-se, e tem uma capacidade de o fazer, que supera a de outros meios. Já o provou ao longo da história e continuará a faze-lo, não combatendo a net mas associando-se a ela e dela tirando partido para melhorar o serviço que presta aos seus ouvintes. E desde que a Net surgiu não foi, ao contrário do que muitas vezes se diz e pensa, a rádio a perder consumidores regulares. O número médio de ouvintes é semelhante hoje ao que era em 1999. As receitas desceram? Sim. O descarado dumping das televisões sente-se particularmente num mercado pequeno como o nosso, uma lei da rádio anacrónica, confusa e criadora de obstáculos ao desenvolvimento do producto e do negócio são facores que não ajudam…Mas a Rádio está no ar. E não vai morrer tão cedo.

  3. vitoscano said:

    A radio em Portugal pode morrer,pois pode é culpa de quem a faz pois tosdos os dias se houvem as mesmas musicas e existem muitos e bons cantores que ó não passam ou é tão poucas vezes q

  4. vitoscano said:

    A radio em Portugal pode morrer,pois pode é culpa de quem a faz, pois todos os dias se ouvem as mesmas musicas(Shakira com Santana já nem posso ouvir e RFM nem pensar) e existem muitos e bons cantores que ó não passam ou é tão poucas vezes que se torna risível(nada contra que as musicas novas passem muita vez para que possam ser conhecidas).A quantidade de musica Portuguesa(excepção para as rádios do estado) é tão pouca e são quase sempre os mesmos.É normal que por estes dias se passe muito Pedro Abrunhosa e Jorge Palma têm albuns novos,mas e os outros? E fado passa tão pouco(aqui nem quase as rádios do estado se safam).E os programas de Autor existem tão poucos(excepção para as radios do estado, as noites da Antena3 por exemplo) e estão muito concentrados ao fim de Semana.Raramente oiço rádio em casa só no carro e no trabalho mudem isto por favor eu só vou vendo fazer rádio em rádios de informação o que é pena.

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