A Rádio, a Música e as Vendas O triângulo entre a …

A Rádio, a Música e as Vendas
O triângulo entre a música que se produz, a que toca na rádio e a que é mais vendida assume um aspecto curioso. Noticia o Diário de Notícias que as «Músicas mais rodadas não correspondem às vendas». Baseando-se nos dados da Nielsen para o top da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), a realidade mostra uma discrepância entre a música que mais toca na rádio e a que está no top dos discos mais vendidos. «Comparando as listas dos 20 discos mais tocados com a dos 20 mais vendidos, verificamos que na rádio há apenas três canções nacionais, enquanto nas vendas, oito dos 20 mais populares do ano foram portuguesas».
A notícia diz ainda que «segundo a Associação Fonográfica Portuguesa, esta “disparidade reforça a necessidade da introdução de quotas”», referindo-se assim à nova lei da rádio». Se a música que mais vende não corresponde à que mais toca na rádio, isso quererá então, dizer duas coisas:

1. Não é por tocar na rádio que um disco vende?
2. A rádio já não é a principal fonte de divulgação musical?

Analisemos agora os discos portugueses mais vendidos:
A notícia do DN diz que ao nível das vendas do ano, entre os 20 mais populares, o top 3 foi nacional, com D’ZRT, Humanos e Escolinha de Música no topo da tabela.
A banda D’Zert, criada para a série da TVI Morangos com Açúcar deve, de forma substancial, a sua promoção aos concertos, ao programa, à TVI, aos painéis de televisão da MCR outdoors e à rádio Cidade. Humanos passaram de facto, na rádio (desde a Antena 3 à RFM, passando pela grande maioria de públicos e conceitos de rádio). A Escolinha de Música é «uma colecção de canções interpretadas pelas crianças no “jardim escola”. Pequenas canções de todos os tempos que os miúdos facilmente acompanham com simples coreografias», avança a apresentação do CD na página da editora Farol Música (também grupo Media Capital). Este último não toca na rádio portuguesa e confesso desconhecer a sua estratégia de promoção. Contudo, sei que há um espectáculo associado [ver], para o qual o jornal Destak ofereceu bilhetes em Dezembro.
Donde, nem sempre a popularidade (e consequentes vendas) de um artista está associada à rádio, o que logicamente, não obriga a que a rádio tenha mais (por imposição) música portuguesa.
Contudo, a rádio favorece o desenvolvimento da afinidade de um artista com o público, ou não fossem Madonna, James Blunt, Robbie Williams ou Black Eyed Peas, alguns dos nomes que mais se escutam nas rádios generalistas com emissão nacional… O exemplos de vendas dos D’Zert e Escolinha da Música reforçam não a ideia de que a rádio portuguesa TEM de ter mais música nacional, mas de que a música portuguesa tem de encontrar o seu público e novas formas de se dar a conhecer. Não pode esperar que seja apenas a rádio a fazer o trabalho de promoção junto do público. A rádio portuguesa deve de facto, favorecer a música portuguesa, mas não deve TER de a impor aos seus ouvintes. Os D’Zert vendem porque forma criados com um objectivo específico e encontraram um público aberto a essa novidade. Os Humanos desenvolveram uma estratégia semelhante, ainda que com objectivos e um público diferente. Antes destes, outros projectos também conseguiram notoriedade e bons resultados comerciais.
Neste contexto e resultado de uma promoção concertada entre vários meios, sem que seja a rádio o principal, Rita Guerra está também no top de vendas. Um dos temas do novo disco faz parte da banda sonora de uma das telenovelas da TVI, ouve-se nas estações de metro, vê-se na publicidade em mupis e nos jornais, por exemplo.
Os da Weasel estão também no top dos artistas mais vendidos, assim como Boss AC, Rui Veloso, Mariza, Teresa Salgueiro e Marco Paulo. Toni Carreira lidera a lista dos DVD’s Musicais (tem outra entrada no final da tabela), seguido da Escolinha de Música, os Patinhos, Pedro Abrunhosa, Xutos e Pontapés, D’Zert e Delfins. [ver]

Afinal, de que se fala, quando se fala da imposição de quotas de música portuguesa na rádio?

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3 comments
  1. clau said:

    Este tema da música portuguesa na rádio continua a interessar-me muito e, por isso venho muitas vezes ao NetFM, espreitar as suas Reflexões Radiofónicas na Rede. Como o seu post demonstra, continua-se a querer assacar muita responsabilidade às rádios e pouquíssima às editoras. Não deveria caber a estas grande parte do trabalho de promoção dos seus músicos? É mais do que tempo de os musicos portugueses e as suas editoras deixarem de se vitimizarem e porem mãos ao trabalho.
    Saudações da sua antiga aluna de CC(ESE/UALG) Cláudia Silva

  2. Anonymous said:

    1.Não é por tocar na rádio que um disco vende? Não. Hoje chegamos ao ridiculo de um disco chegar 1º ao top nacional de vendas do que às rádios do sistema…
    2. A rádio já não é a principal fonte de divulgação musical? Não. Contam-se pelos dedos de uma só mão os espaços de divulgação musical actualmente existentes. Os verdadeiros melomanos têm outras fontes: Net, Jornais especializados, amigos e claro copias ilegais de CDs e download de ficheiros musicais.
    Para que serve hoje a Radio em Portugal? NADA!

  3. incognito said:

    Concordo tanto com a Claudia…Portugal continua a investir mais em saneamento básico, em deterimento de algumas formas de arte. a comunicação social faz parte delas…epa – lá por serem o 4º poder não os cruxifiquem, mas antes começem a formar os vossos próprios gostos e não fiquem à espera que alguém ou algum orgão vos incuta.Nós somos pobrezinhos..não se iludam a pensar que ainda existem verbas para melhorar a qualidade de ser português..

    Saudações

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