Sobre ECT e a rádio

10 11 2009

No domingo, Rogério Santos, escreveu, no Indústrias Culturais que “Não compreendi ECT” para criticar a abordagem de Eduardo Cintra Torres sobre a rádio, na sua coluna no jornal Público. No mesmo dia, Jorge Guimarães Silva, da Rádio em Portugal, reproduziu e confirmou a ideia. Ontem, no Twitter, limitei-me a um breve comentário (o que é possível em 140 caracteres!) sobre a questão.

Não li o texto, mas a exploração que Rogério Santos fez é bastante clara, começando por explicar que o autor “escreveu sobre a irrelevância da rádio”, para falar sobre o desaparecimento de António Sérgio e abordar a programação da rádio em Portugal, justificando através desta, a sua lenta migração para o CD e o MP3.

O anacronismo que explora no texto, como descreveu Rogério Santos, recorrem ao percurso radiofónico de António Sérgio para descrever a própria evolução da rádio: dos programas de autor às rádios piratas, das que se legalizaram e mantêm com sucesso, a história da rádio é relacionada com a evolução de gosto e da tecnologia. Por outro  lado, explora Rogério Santos, da inovação presente no período das rádio piratas, como novos géneros e abordagens, passámos para o um contexto de programação, como muito bem caracteriza, “de fluxo contínuo”, com programas nos períodos de prime-time (correspondendo ao drive-time).

Rogério Santos escreve que discorda de Eduardo Cintra Torres uma vez que “António Sérgio não levou a sua qualidade para uma rádio local”. De facto, a rádio hoje é apenas local no seu ponto geográfico de origem, onde mantém emissões terrestres, porque, como na sua génese, é provavelmente o meio com maior potencial global. Se pensarmos na rádio musical (que é indubitavelmente o principal formato de programação em Portugal), as emissões online potenciam as audiências, permitindo que cada estação seja escutada para além da sua localização. A tradução dos conteúdos do site aumenta esse potencial, ajudando a contextualizar quem não fala português, porque a música, é uma linguagem assumidamente global, independentemente da sua língua de expressão.

Sobre a irrelevância da rádio, pouco há a dizer. Nada mesmo, de acordo com resultados de variados estudos: este continua a ser o meio no qual as pessoas mais confiam. Mantém-se como a principal companhia nos diferentes períodos horários (no carro de manhã e à tarde, no computador, durante a jornada de trabalho). Continua a ser uma fonte de informação e de acesso à música. Garante o afecto e a comunicação que nenhum leitor de MP3 consegue dar. O que mudou? A plataforma. Os jovens consomem menos rádio. Está certo, apenas se pensarmos na difusão terrestre, porque são quem mais consome rádio através da Internet e do telemóvel.

E sobre a “perda de ouvintes”, uma análise dos últimos 10 anos do Bareme Rádio prova que tal não é verdade. Sobre o investimento publicitário, a rádio mantém a sua vitalidade e dinamismo, especialmente porque está a saber reinventar os formatos da publicidade, integrando-a na programação (para além dos blocos de publicidade) e fazendo convergir o meio online com a difusão terrestre.  Irrelevante?…

De que fala Eduardo Cintra Torres quando anuncia a irrelevância da rádio? Não migrámos todos para outras plataformas com ofertas hiper-segmentadas e personalizáveis, como sejam o MP3 ou a rádio online?

Será esta a mesma ideia quando pensamos na irrelevância do jornal em papel? Ou da televisão no receptor tradicional? Estará apenas e só, Eduardo Cintra Torres a referir-se à mudança de plataforma que corresponde também, a uma mudança de paradigma nos media?

 





Makes sense

9 11 2009

From Hear 2.0

The Listener, not your Content, is the “Product”

The Atlantic recently posted a note on the slow death of the newspaper business, and one of the comments to that note was so perceptive (if not necessarily novel) that I thought I’d share it with you because it has consequences for the radio industry, too.

(…) It’s not about technology. It’s all about accountability.

(…) Again, it’s not exactly news that the “real” customers to newspapers – or to radio – are the advertisers and the real product currently being offered up is not the content on the air but the ears listening to that content – ideally as many as possible for as long as possible.

(…) It’s about enhancing the value of our product (our audiences) to our customers (advertisers).

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Os jovens, as gerações, a web, as aplicações, os sites, what’s in, what’s out, the does and dont’s and whatsoever…

27 10 2009

Escrever sobre o futuro dos media sem parecer futurista e, ainda assim, ser inovador, é cada vez mais difícil. A fragmentação do consumo e dos consumidores (note-se que já nem consigo escrever audiência. Já lá iremos) é tal que, os pontos em comum são difíceis de detectar. Se, por um lado, as comunidades online em torno de sites, aplicações ou redes tendem a crescer, por outro, as contradições seguem-lhe a tendência. Porque entre estes milhares de utilizadores da web há em comum o facto de utilizarem as mesmas redes sociais, embora com finalidades ou expectativas muito diferentes. Há conjuntos crescentes em torno da estrutura da web, ao mesmo tempo que há também uma grande dispersão nas actividades. O registo e o perfil não querem dizer mais do que isso mesmo, uma vez que não comprovam a utilização ou o sentimento de pertença. O rasto que deixamos hoje na web, com registos em sites diferentes, com registos para acesso a conteúdos ou com perfis em diferentes redes faz com que possamos ser rastreados, identificados com um determinado perfil de utilização, sem que, na realidade, asim seja. O que está a dar hoje não estará amanhã e a notoriedade das redes sociais é tão volátil quanto a personalidade dos próprios jovens que a compõem. Ou não tão jovens, mas esses tendem a fixar-se em função de critérios que ultrapassam o que é mais ou menos hype, relevando uma utilização mais funcional. São os mais novos, adolescentes, que tendem a ditar a tendências na web, contudo, são estes que, por estarem a crescer, numa fase de descoberta, mudam rapidamente os seus gostos, rotinas, modos de utilização, perfil. Basta olhar para os endereços de e-mail para avaliar a forma como este tende a corresponder a um determinado momento no tempo que, gradualmente, vai perdendo o seu sentido para ser substituído pelo nome, ou no mínino, algo mais convencional do que  a alcunha-de-infância1989, o nome-próprio-associado-ao-da-banda-favorita1990, ou qualquer outra ideia do género.

E o que fazem os media? Seguem. Procuram inverter o processo, sem qualquer sucesso, uma vez que a web foi tomada por jovens que criam e estruturam as plataformas que seduzem todos os utilizadores, independentemente da sua idade. É curioso notar que eram os imigrantes digitais, portanto, os mais velhos, trintões e quarentões (ou mais ainda), que criavam as plataformas nas quais os mais jovens, os miúdos entre os 12 (e cada vez mais novos) e os vinte e poucos navegavam. Talvez por isso tenham estes miúdos começado a controlar a situação, produzindo cada vez mais conteúdos, partilhando-o, disseminando-o na rede, dando espaço para um mundo partilhado e colaborativo no qual tanto a criação como a criatividade permitem que a integração multimédia, a par com convervência de meios na web torne esta numa plataforma que nos ocupa cada vez mais tempo, mas na qual podemos efectivamente realizar todas as nossas actividades quotidianas ou profissionais.

E o que fazem muitos de nós? Seguem os media. O seu conteúdo publicado na web, retwitando-o, comentando-o, postando-o em blogs. Afinal, se o fazemos, isso quer dizer que os media ainda são relevantes. Credíveis. Mas estaremos todos nós dispostos a pagar por isso? Quando foi a última vez que comprámos um jornal? Talvez não há muitos dias, porque há ainda muitos os que não abandonaram as rotinas do passado e continuam a consumir os media no seu formato tradicional. Mais por uma questão de hábito do que necessidade/ utilidade…

E o que fazem os jovens? Consultam as notícias através dos sites dos jornais. Ou lêem gratuitos. Ouvem as suas descargas de música, serviços de música online, podcasts, talvez rádio FM online. No carro, ainda escutam rádio FM. Não há outra alternativa… Continuam a ver televisão. Ou melhor, têm-na ligada enquanto navegam, pesquisam, comunicam, interagem. Facebook, e-mail, wikis, blog, jogos. Simultaneamente.

Com a frontalidade necessária, as associações e descrições que os mais jovens fazem deste universo revelam muito sobre o seu perfil de utilização, intenso, intensivo, multimedia, acima de tudo, multitarefa. Sobre a audiência, a noção tem diferentes abordagens. No que respeita aos media, destaca-se a necessidade da sua quantificação e medida para justificar a existência ou continuidade dos próprios meios. Associada à noção de receptor, a audiência representa a composição dos que ouvem rádio, vêem televisão ou lêem jornais. A sua concepção, associada a diferentes perspectivas teóricas é tão vasta quanto é actualmente a sua inadequação. Continuaremos a ter a audiência, ou teremos audiências, uma vez que, tomemos como exemplo a rádio, é tanto minha audiência aquele que me escuta em FM e que depois segue a emissão online, da mesma forma que é minha audiência o que retwita os meus tweets sem escutar a emissão, ou acompanha o blog de um dos meus locutores sem escutar a emissão, porque ouve o podcast do seu programa. And so on, and so on… O que é, hoje, a audiência, quando os meios estão eles próprios fragmentados, presentes nas mais variadas plataformas, misturados uns com os outros. Poderemos falar numa audiência de rádio quando nos referimos aos que descarregam os podcasts de alguns programas (mas não acompanham a restante programação), ou que seguem a estação no Facebook apenas porque lhes dá indicações de concertos, ou que acompanham os tweets por interesse nos mesmos, paralelo às suas emissões, ou que têm uma aplicação para gerir estes conteúdos no telemóvel?

Que necessidade tem a rádio de ter uma página, quando ela própria está disseminada em todas estas redes? O que leva o “ouvinte” à rádio? A emissão ou todos os outros elementos e conteúdos?





Canta-se fado, na rádio – actualizado

12 10 2009

A ideia surgiu há já algum tempo, contudo, questões formais e legais apenas permitiram que fosse ontem, oficialmente apresentada a Rádio Amália, o mais recente projecto do grupo Lusocanal.
A estação integra um grupo de rádios especializadas com emissão em Lisboa, propriedade de Luis Montez.
Inicialmente vocacionada para a música portuguesa, o fado esteve desde o primeiro momento presente, assumindo-se agora como predominante na programação musical da estação, em 92.0. Como outros projectos – note-se que o grupo compõe-se pela rádio Marginal, Oxigénio, Radar, entre outras estações -, a aposta no estilo musical pode ser controversa no sentido comercial da análise, contudo, o fado, mais do que uma moda, faz parte da cultura portuguesa, atravessando diferentes gerações, faixas etárias e grupos sociais pelo que, seguramente será um projecto que contribui para a preservação e desenvolvimento da língua e cultura nacionais, ao mesmo tempo que, do ponto de vista financeiro, o investimento trará seguramente vantagens e um efectivo retorno. A marca é forte e reconhecida. À semelhança de outros projectos, irá crescer lentamente e afirmar-se como uma estação de referência no segmento das rádios locais. Acima de tudo, no segmento das estações especializadas, num contexto económico em que há, cada vez mais, um investimento publicitário dirigido em função de interesses e life style. Se a Oxigénio e Radar demarcam o seu terreno num contexto musical de charneira entre a música electrónica e o rock, a discreta Marginal, que se transformou na rádio rock da linha de Cascais em smoth jazz cosmopolita e citadina, agora a rádio Amália actuará num outro cenário, enriquecendo a oferta musical do grupo. What’s next?

Com direito a honras de televisão, a inauguração desta nova estação foi objecto de reportagem na RTP1.

http://www.youtube.com/watch?v=HCCa7FIbdmo





FM or die?

9 10 2009

Em “The Chaos Scenario”, Bob Garfield apresenta algumas ideias organizadas sobre aquilo que, no fundo, já sabemos: a indústria dos media está a mudar e a noção de “conteúdo” nunca mais será a mesma. A mudança nos media, com consequências para o investimento publicitário é irreversível, num quadro em que a audiência parece encolher, embora esteja apenas a dispersar cada vez mais; os modelos de distribuição do conteúdo apresentam-se obsoletos face a uma emergência, definida pelo consumidor, de novas formas de distribuir conteúdo em rede; e a concorrência é assumidamente global, apesar de, efectivamente, os media ainda se orientarem em função do seu contexto “local”.

Qual será, então, a razão para os operadores continuarem a investir no FM, quando se sabe que não será esta a plataforma do futuro?

Por um lado, vivemos no presente. Embora a maior parte das estações estejam a pensar em termos de futuro, mantendo na rede uma presença que melhora a cada dia, é no presente que o investimento publicitário se faz e se lançam as bases para o retorno financeiro do investimento efectuado. E, presentemente, o FM continua a ser a principal forma de se escutar rádio. Acima de tudo, é a plataforma que as agências de meios reconhecem para a radiodifusão.

Quebrar o status quo significa arriscar. Regra geral, os que seguem os aventureiros ganham com a expansão do fenómeno e, nem sempre é o pioneiro que recebe maiores dividendos. Seja como for, o investimento no presente terá sucesso se contemplar o futuro. O futuro é num outro contexto, digital, numa lógica de agregação de conteúdos em rede em que o mais importante não é o site da empresa mas as ligações que esta estabelece. Trata-se, ainda e sempre, de uma questão de credibilidade e notoriedade da marca. As estações hoje representam um conceito e assumem uma determinada personalidade que a sua comunicação radiofónica reforça, através dos locutores e da sonoridade da estação (na qual a música tem um papel de complementaridade em relação aos restantes elementos da programação).

O desenvolvimento de novas estações ou o rebranding de estações em FM significa um desenvolvimento ou reforço da marca da estação. Uma marca forte permanecerá junto dos ouvintes, independentemente da plataforma de difusão. Serão inclusivamente os seus fiéis seguidores que impulsionarão o seu desenvolvimento ou reconfiguração em função de novas necessidades ou desejos. Principalmente, considerando o modelo de comunicação no qual se integram, subvertendo os canais de distribuição tradicionais.

Ou seja, criar uma marca de raíz na web é, para a rádio, arriscado, se considerarmos a proliferação de propostas alternativas à radiodifusão disponíveis na rede. Para agitar o sector ou inovar, afasta-se do conceito tradicional de rádio e, por isso, irá ter de conquistar uma nova audiência. Investir em canais FM, garantir uma audiência fiel e crescer com ela poderá ser a estratégia mais acertada. Segui-la e inovar ao ponto de não a dispersar, dando a sensação aos ouvintes de que são eles que definem o futuro dos media, neste caso, da estação de rádio que mais gostam de ouvir. Mas dar-lhes apenas essa sensção. Não mais…





Aplica-se à rádio

8 10 2009

10 Branding and Marketing Trends for 2010

Robert Passikoff, President, Brand Keys IN Branding Strategy Insider

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To read and learn

6 10 2009




E tem toda a razão…

2 10 2009

“… Conceivably the next great media company will be all spokes and no hub. It will exist as a constellation of connected apps and widgets that live inside other sites and offer a full experience plus access to your social graph and robust community features. Each of these may interconnect too so that a media company’s community on Facebook can talk to the same on Twitter”.

Steve Rubel





Grátis

2 10 2009

From BBC News

Spotify offers PC music downloads

The music streaming service Spotify has announced that it will allow users to download music to their computers.





International broadcasters call for media freedom

2 10 2009

From AIB, London

Directors of the five most influential international broadcasters -Deutsche Welle, Radio France Internationale, Radio Netherlands Worldwide, Voice of America and BBC World Service – have called on governments worldwide to end media restrictions.

The directors general of the group call on heads of state to implement Article 19 of the Universal Declaration of Human Rights which states, “Everyone has the right to freedom of opinion and expression; this right includes freedom to hold opinions without interference and to seek, receive and impart information and ideas through any media and regardless of frontiers.”

The international broadcasters point out that countries’ democratic credentials can be measured to the extent by which they permit freedom of information, and that this, in turn, is essential for a dialogue of cultures and free exchange of ideas to take place.

During the past year, restrictions on media, and in particular on international broadcasters, have peaked during national election campaigns. Tactics have included deliberate interference with transmissions, blocking and denial of service on the Internet, and harassment and imprisonment of journalists, notably in Afghanistan, Burma, and Iran.