O passa palavra nas redes sociais

29 05 2009

Infalível. O passa palavra, a opinião de uma amigo são sempre meios de comunicação que superam qualquer outro meio.

Nas redes sociais, a publicidade parece não ter grande efeito, diz um estudo da Knowledge Networks |Press Release|, citado pela notícia do Soitu, uma vez que o motivo da visita é a procura do contacto humano e não a pesquisa de marcas ou produtos.

Não me parece de todo estranho, uma vez que a origem das redes sociais on-line se relaciona exactamente com a necessidade de comunicar e interagir, transferindo para a rede o contacto com os amigos, ampliando, através da mesma, essa rede de contactos. Inegavelmente, há nestas redes um potencial comercial que não é de menosprezar, contudo, perante a catadupa de mensagens publicitárias e comerciais de que indivíduo é alvo ao longo de um dia, as mesmas, no seu formato mais comum (anúncio, seja sob que forma ou plataforma for), tende a perder a sua relevância. Donde, resta às marcas o poder de persuadir um, para que este persuada muitos mais. Seja na rede, ou fora dela.

Em que é que a notícia se relaciona com a rádio? Através do mais velho sistema de dar a conhecer uma nova rádio: o passa palavra. Durante anos, era assim que as rádios comunicavam. Um ouvinte que gostava, que entendia “aquela” como a “sua” rádio e a divulgava (promovia, mesmo) junto de amigos e conhecidos, qual adepto de futebol. Isso já lá vai e hoje a rádio comunica por imagens. Cria uma identidade, também ela visual, que promove com inserções de publicidade na televisão e nos jornais, outdoors e outras acções, como os eventos, permitindo que, à sintonia, o ouvinte associe o nome e a identidade visual da marca.

Se resulta? Talvez, desde que o ouvinte não se sinta defraudado em relação à imagem que construiu. Nas redes sociais, não há esse perigo, pois à imagem, o ouvinte pode sempre associar o som, escutando a rádio que o seu “amigo” escuta. E se, o aplicativo permitisse que a rádio que o indivíduo A tenha seleccionado para colocar na sua página fosse partilhável com todos os seus “amigos”, isso seria uma forma de potenciar o passa palavra sem que, efectivamente, houvesse troca directa de palavras. Ganhava o indivíduo A que teria, desta forma, parte da sua imagem social construída (ou não fosse a rádio essencialmente música e a música uma das melhores formas de construirmos a nossa identidade. Da mesma forma, escolher uma rádio de palavra também diz muito sobre nós). Ganhava a rádio que conseguiria que um indivíduo pudesse representar outros 20 ou 30 ou … E cada um destes, por sua vez outros 20 ou 30 ou … Ganhavam todos os que ouvem rádio e o próprio meio, em si por existir mais uma forma de concorrência entre estações. Resta apenas que, para que tal possa acontecer , as redes sociais permitam fazer o mesmo que os weblogues fazem, isto é, embeber aplicativos de som…





Crise em todo o lado…

27 05 2009

Até no Vaticano, razão pela qual, a rádio Vaticano passa a ter publicidade. Colmata, desta forma, a falta de verbas e aplica o investimento em novos programas e iniciativas. A notícia é do Público e indica ainda que o primeiro anúncio irá ser transmitido em cinco línguas, uma vez que esta é uma das estações de rádio mais ouvidas no mundo. |Ler|





Banda Larga no Mundo

27 05 2009

http://news.bbc.co.uk/2/hi/technology/8068598.stm





E agora… a web!

27 05 2009

Passado o receio inicial, de canibalização da marca ou dispersão das audiências (Cordeiro, 2003), depois de uma postura que entendia que a aposta na web correspondia a um dispêndio de recurso humanos, um esforço sem grande retorno financeiro (Cordeiro, 2003; outros autores, 2004 e 2005), as atenções dos responsáveis das principais estações de rádio em Portugal (públicas e privadas) estão na web. Começaram lentamente a admitir publicamente aquilo que há muito sabiam: mais do que uma plataforma complementar, a web seria imprescindível para a rádio, numa estratégia que o futuro (que é hoje o presente) iria provar ser inevitável e de integração. 

E se, teoricamente temos sido catalogados de “visionários” ou “futuristas” (Cordeiro, 2007; Menezes, 2008), a verdade é que a rádio segue o caminho traçado pela sua própria evolução, integrando o produto on-air e on-line, criando, na plataforma web, conteúdos adicionais à programação, num prolongamento da marca e da sua identidade.

Destaque ao artigo do M&P, “A minha amiga web radio”, onde se fala desta relação e da estratégia que operadores públicos e privados estão a desenvolver, assumindo de forma substancial o peso e importância da web no seu posicionamento. |Ler|

A rádio “não pode ser reduzida a algo com antenas e transmissão em FM. O que desenvolvemos é conteúdo”.

António Mendes, director da RFM.

“Criar uma maior interacção com ouvintes, que permita um envolvimento e uma ligação emocional e factual cada vez mais forte, através de ferramentas web que potenciem uma comunicação bidireccional”

Carlos Marques, director comercial da Media Capital Rádios.

“Não há uma separação entre o projecto rádio (antena) e o projecto online”

Nuno Ribeiro, director de e-business & multimédia da Controlinveste.

“O consumo de media está progressivamente a ser alterado há já algum tempo e, cada vez mais, há um maior acesso à internet”

Jorge Alexandre Lopes, director-adjunto de novas plataformas da RTP.

 





A propósito de prémios…

22 05 2009

Chegou-me à caixa de correio a newsletter da AdAge com um artigo interessante: “How to make better radio ads”.

Depois da notícia da criação dos prémios Spot de Rádio, chega-nos a notícia sobre a preocupação em torno da qualidade e  eficácia da publicidade na rádio, num cenário em que (E.U.A.) a rádio ganhou ouvintes mas perdeu investimento publicitário. 

Apontando o dedo às agências de publicidade, o  Radio Advertising Bureau organizou uma mesa redonda com os principais directores criativos que são também o júri dos Radio Mercury Awards, prémios de publicidade. Os problemas e as soluções apresentados, estão disponíveis aqui.





O meio é o vencedor

20 05 2009

Prémios spot. Uma iniciativa conjunta dos três maiores grupos privados de rádio em Portugal (RR, MCR e TSF – Controlinveste) que premeia a publicidade em rádio. Sem concorrência. Sem competitividade. Em prol do meio, da percepção da sua real importância no seio dos media.

Lançado em Março deste ano,  os Prémios Spot de Rádio contam com diferentes categorias e ambicionam mostrar a qualidade do trabalho na rádio, para além da publicidade. O principal objectivo é o de promover e valorizar o dinamismo da rádio junto da opinião pública e do mercado publicitário, estimulando e premiando a criatividade publicitária em rádio.

Fonte oficial indica que a garantia de rigor e credibilidade depende da selecção de um conjunto de personalidades com intervenção no mercado da publicidade e da rádio. Serão atribuídos 2 prémios criatividade; 2 Prémios Excelência; 2 Prémios Especiais Ouvintes (votação em premiosspot.com); 2 Prémios Inovação; 2 Prémios Responsabilidade Social e ainda o Grande Prémio do Meio Rádio 2008.

Dia 4 de Junho serão apresentados os resultados.

Mais em http://premiosspot.com/





Muita parra e pouca uva…

19 05 2009

As notícias, bem como  as investigações sobre música e Internet apresentam dois dados adquiridos: os músicos não precisam dos media (especialmente a rádio) nem das editoras; a distribuição em breve passará a fazer-se na rede. Ora estas ideias, não estando erradas, são também redutoras, demonstrando uma tendência para ver o mundo a preto e branco. O que, no que aos media e à cultura diz respeito, não poderia estar mais errado. Não há ainda, certezas, apenas tendências de produção e consumo.

Na realidade, a rádio em muito contribuiu para esta perspectiva de que os músicos não precisam do meio para se promoverem, pela forma como tende a homogeneizar a promoção de géneros, estilos e artistas em função de critérios comerciais. Vence a música pop. Abandonam-se os rituais de escuta de música através da rádio, que está hoje disponível em diferentes meios e plataformas. Evolução dos tempos. 

Quando surgiu o iPod (ícone para todos os leitores de MP3), muito se escreveu sobre a forma como este novo gadget iria substituir a rádio. Na verdade, ainda não conseguiu e já se concluiu que dificilmente conseguirá. Falta-lhe a voz humana, a surpresa (apesar da repetição) , a contextualização, a companhia e as informações úteis que a rádio fornece.

Sobre a relação entre os artistas e as editoras, talvez a tendência venha a afirmar-se, para estas redefinirem o seu negócio e a relação com os músicos. Sobre a distribuição, tal como nos media, esta não se faz exclusivamente na rede, embora seja mais fácil conceber um modelo de negócio para a música baseado apenas na Internet do que para os media. Os canais de distribuição tradicionais vão perdendo peso para a Internet, contudo, tal não significa que os artistas e as empresas ganhem mais (ou apenas que ganhem) dinheiro. Entre vendas e descargas ilegais, estas continuam a dominar o cenário de consumo de música na rede.

Um novo estudo (PRS for Music), divulgado pela BBC News revela duas coisas: variedade de músicas na rede não corresponde a maior divulgação; quem ganha com a distribuição online são os artistas mais conhecidos |Ler Notícia|.

O que nos leva, uma vez mais, a pensar (ou repensar) o papel da Internet para o aumento da diversidade na comunicação e difusão cultural. Por um lado, a ausência de opções clarifica as ideias. Por outro,  demasiadas opções de escolha podem tornar mais complexo o processo de decisão. Implica tempo. Dedicação. Selecção. Aquilo que durante anos tem sido “packed and ready to go” pelos media. Pela rádio. As opções mediáticas são cada vez mais vastas e a pesquisa online pode revelar-se uma dor de cabeça para quem não sabe exactamente o que procura e onde quer encontrar, pelo que o facto de existirem muitas canções disponíveis para compra ou descarga ilegal não significa que a net esteja a contribuir para o aumento da diversidade, da exposição e consumo de novos artistas. Apenas uma pequena proporção de canções é comprada e descarregada nos sites de partilha de ficheiros, indica o estudo, avançando igualmente que a pesquisa resulta daquilo que os media promovem e da consulta no círculo de amigos. Neste contexto, a conclusão do estudo é a de que os sites de partilha de ficheiros não ajudam os artistas desconhecidos (talvez neste campo as redes sociais tenham um peso maior), uma vez que as músicas mais pirateadas são exactamente as que estão no topo das tabelas de vendas (os indivíduos podem escutar artistas desconhecidos, ocasionalmente e nestes sites, onde a música é gratuita).

Donde, voltamos à velha questão do seu consumo de música enquanto actividade social, servindo para a construção da identidade pessoal dos indivíduos, sentimento de pertença e tópico de conversa. Desta forma, talvez se possa então, aplicar a lógica da Long Tail, não com a distribuição da música na rádio, mas com o regresso à lógica da rádio enquanto meio de divulgação (o que não é exactamente o mesmo que promoção) e às personalidades da rádio. Aqueles indíviduos que têm tempo e se dedicam a conhecer o que está para lá do óbvio. Embora a ideia pareça redundante, será uma rádio musical menos dedicada ao ouvinte (no sentido de lhe agradar) e mais dedicada ao ouvinte (no sentido de criação de uma relação de reciprocidade da comunicação), com espaço para a divulgação e a oferta dos êxitos, segmentando e especializando os estilos, educando o ouvinte para aquilo que poderá vir a ser a música comercial de amanhã, em parceria com o potencial que a rede tem para oferecer, neste domínio.





Programação radiofónica e suas definições

13 05 2009

Decorreu ontem em Lisboa a primeira de uma série de conferências temáticas organizadas pela APR.

Dedicada à programação radiofónica, esta reuniu profissionais do sector para discutir e atingir ideias consensuais sobre as definições relativas à programação da rádio em Portugal.

Os oradores foram unânimes sobre a necessidade de uniformização de conceitos e critérios para analisar o sector.

Rui Pêgo realçou a tendência para definir pela Lei aquilo que os operadores de radiodifusão fazem. Da mesma forma, Miguel Cruz referiu que Lei e prática são muito distintas. Luis Montez, de forma pragmática, afirmou que é urgente a alteração da Lei, em função das necessidades de um mercado complexo.

Neste quadro, é notório um certo distanciamento entre aquilo que a Lei define e o que as rádios fazem, pelo que se depreendem vários aspectos:

- A Lei da Rádio está obviamente desactualizada;

- Estando desactualizada, concluí-se que a legislação do sector não tem acompanhado a evolução do mesmo, nem está construída de forma transversal e abrangente, para o enquadrar e regulamentar;

- Donde, o sector está muito mais avançado do que a legislação, recorrendo a várias estratégias para poder cumprir a Lei e, ao mesmo tempo, se desenvolver para subsistir num mercado altamente concorrencial.

Se analisarmos a actual definição legal relativa à programação da rádio face à oferta de cada estação, facilmente verificamos os factos atrás enunciados, a ausência de liberdade para programar dos operadores, paralelamente à capacidade que cada um tem demonstrado para organizar e definir uma estratégia de programação.

A definição de programação generalista |Art. 2º alínea d) “o serviço de programas que apresente um modelo de programação universal, abarcando diversas espécies de conteúdos radiofónicos” da Lei 4/2001 de 23 de Fevereiro| vai claramente contra a lógica incontornável de segmentação, pelo que no mercado moderno dos media, a programação da rádio não pode dissociar-se da estratégia de marketing para cada estação e esta, é indissociável da definição de um público-alvo. Se definimos um alvo, não estamos a trabalhar para todo o universo, pelo que a noção de “programação universal” há muito que deixou de fazer sentido. Mesmo que tenhamos “diversas espécies de conteúdos radiofónicos”, como se define na Lei, estes serão dirigidos a um determinado público, estruturado em função de critérios vários (combinados ou não), como a idade, sexo, classe social ou interesse, para recorrer apenas  definições básicas de qualquer estratégia de marketing.

A Era em que o produto era definido pelo seu criador há muito que foi substituída por uma em que o mercado o define. Por isso, não faz sentido aquilo que se escreve no artigo 27º. da mesma Lei, limitando o número de estações nos municípios em função do tipo de programação (generalista ou temática). Diz o mesmo artigo que “em cada um dos municípios que integram as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto existirá, pelo menos, uma frequência afecta a um serviço de programas de âmbito local e de conteúdo generalista” e que “fora das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, os serviços de programas de âmbito local difundidos por via hertziana terrestre apenas podem ser classificados como temáticos se, no respectivo município, pelo menos duas frequências estiverem afectas a serviços de programas generalistas”. Fez sentido, talvez no momento da sua criação. Contudo, perante a evolução sócio-económica do país, que a rádio, enquanto meio de comunicação, muito bem acompanhou, a limitação à definição do serviço de programas é, pela sua natureza, uma limitação ao desenvolvimento do sector.

Desta forma, mais do que abordar o que é a programação da rádio, isto é, que nome dar à estrutura de conteúdos de cada estação, reflectiu-se sobre a liberalização da matéria para o meio de adaptar à realidade, abandonando a visão romântica que a Lei preconiza. A rádio necessita do público para poder subsistir e a liberdade para programar deverá ser condição base para a actividade de radiodifusão. A programação radiofónica não pode ser feita em função estrita das definições legais, dos gostos do locutor ou dos interesses do programador. O público é, actualmente, soberano, contribuindo de forma activa para definir e construir a programação radiofónica. Hoje, a rádio é um meio multiplataforma, situando-se num contexto de uma oferta muito heterogénea. Trata-se de uma nova realidade em que a legislação contempla apenas o FM, deixando o canal web disponível para cada operador explorar, livre de qualquer limitação legal. Pena é que não seja, ainda, a Internet a principal plataforma de difusão…

Sobre definições, um aspecto foi notório, relacionando-se com o “distanciamento” enunciado no início deste texto: a diferença de termos usada pelo legislador e pelos profissionais do sector. Surge então, a questão: é o legislador ou o operador que se deve adaptar?

Muito embora todos tenhamos de nos submeter à Lei, quando esta é objecto de revisão, seria profícuo recorrer ao sector para compreender a terminologia mais actual ou a sua utilização para assim, criar definições que enquadrem legalmente a actividade e que correspondam à praxis profissional. 

Assim, se considerarmos que em Portugal o meio profissional e académico tem recorrido ao modelo norte-americano e britânico, usando, de forma consensual a mesma terminologia, não seria útil integrá-la, adaptando-a à realidade portuguesa? Se todas as estações de rádio (ou, pelo menos, a sua grande maioria, onde se incluem as de maior audiência) se caracterizam com base num determinado formato, porque razão não pode, a Lei da Rádio, estipular que a atribuição de alvará se faz mediante a apresentação de um projecto (cuja definição depende exclusivamente da estação), salvaguardando, após a sua aprovação, a fiscalização do seu cumprimento?

As alterações ao projecto deveriam também ser mais céleres, para que cada estação pudesse, de forma simples e rápida, adaptar-se às condições do seu mercado, independentemente da sua cobertura. Talvez se devessem salvaguardar definições programáticas ou algum tipo de limitação para as estações de cobertura nacional, contudo, uma rádio de âmbito local não tem necessariamente de se dedicar a uma região, pois se nessa região existirem três estações de rádio obrigadas a cumprir o mesmo tipo de programação, qual a sua utilidade para o público, qual a sua relevância para o mercado e qual a sua contribuição para a diversidade da comunicação? 

Talvez esta seja uma visão demasiado liberal para um Estado providência, contudo, uma Lei geral que não limite a actividade de radiodifusão e o seu desenvolvimento é desejada pelos principais operadores do sector, donde se depreende que os mesmos estão preparados para as condicionantes de uma liberalização da sua actividade.

 





Programação em análise

7 05 2009

É a primeira de uma série de conferências que a APR pretende promover.

A Programação Radiofónica e as suas Definições” conta com a participação de Rui Pego (Antena 1), Miguel Cruz (Media Capital Rádios) e Muís Montez (Lusocanal), moderados por Pedro Tojal (APR).
Terça-feira, dia 12 de Maio às 15h no Novotel (AV. José Malhoa N.º1-1 A). |Mais|





Actualização do NetFM

6 05 2009

A página 12 meses, 12 estações que deveria ter sido concluída em 2008 está finalmente a ser actualizada.

Podem consultar o mais recente artigo aqui