O futuro dos meios de comunicação: No El País, um …
30 06 2006Para consulta, na página online do El País.
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É notícia nos meios de comunicação social a conclusão da cobertura do país em banda larga.
A PT celebra, inclusivamente, o facto de 99% dos seus clientes já ter acesso de banda larga e garante que, nas zonas de acesso difícil, os restantes 1%, serão progressivamente cobertos.
É mais um elemento para, como dizem as notícias, colocar Portugal no «pelotão da frente» dos países europeus com total acesso à Internet em banda larga…
Resta agora que os 99% por cento dos clientes se transformem em 99% da população, dado que, apesar da PT deter a maior percentagem de clientes dos serviços cabo, dos quais se destaca neste caso, o acesso à Internet, e da concorrência apresentar números interessantes no que respeita à expansão dos serviços de acesso à Internet, tal não significa que a totalidade da população tenha acesso a este tipo de serviço e, consequentemente, aos serviços e conteúdos disponíveis online.
Do ponto de vista da indústria de telecomunicações e, particularmente, conteúdos, a notícia pode ser interessante, pelas vantagens em termos do tipo de conteúdos que podem ser colocados na web, com a garantia do acesso rápido e eficaz. Do ponto de vista dos receptores, esta «conquista» não só vem tarde, como não significa necessariamente, mais e melhor acesso.
A velocidade actual está nos 4 Mbps, contra os anteriores 512 Kbps, um valor que se traduz num acesso francamente mais rápido.
Num país que, em traços gerais, apresenta níveis de literacia baixos, com cerca de 50% dos portugueses no nível mais baixo de literacia contra 1% da população nos níveis aos quais correspondem a capacidade de resolução de questões complexas, o facto da banda larga chegar a todos o país é importante, mas não determina, nem o acesso, nem a capacidade de utilização.
De acordo com informações relativas ao ano 2000 (estudo sobre literacia que envolveu 22 países da OCDE), 80% dos adultos portugueses não estão aptos a «entender e usar a informação escrita para atingir objectivos e desenvolver os seus conhecimento e capacidades», sendo que esta definição de literacia inclui entender e usar informação de textos, em folhas de pagamento, mapas e horários de transportes, e fazer operações aritméticas simples.
A título exemplificativo, Portugal e o Chile partilham maior percentagem de cidadãos (42%) com o nível mais baixo - aquele que corresponde a não conseguir determinar, a partir da leitura de um rótulo, que quantidade de medicamento tomar.
Na sua reflexão sobre os novos meios de comunicação de massas, Dominique Wolton explica que as novas tecnologias são veículos de outras formas de cultura e de criação da cultura contemporânea.
A verdade é que nos convencemos que as novas tecnologias existem para nos servir e por isso, renunciamos ao impacto que as mesmas têm nas nossas vidas. Wolton adianta que é indispensável não confundir nova tecnologia com nova cultura. O autor parte do princípio que a técnica está a sobrepor-se à comunicação, à forma como os homens comunicam entre si e à organização das relações colectivas. Explica que “as novas tecnologias não chegam para mudar a sociedade, ou seja, para modificar a organização social e o modelo cultural da comunicação”(1).
Chegará a banda larga para mudar a nosa sociedade? Irá a caixa de correio electrónico disponível nos CTT para todos os portugueses (1000 estações, para 150 computadores, dizia-se na TSF há poucos minutos…) transformar a forma como os 80% de iliterados se relacionam com a tecnologia?
Não serão necessárias novas políticas de investimento da qualificação escolar da população adulta, para melhorar os níveis de literacia, particularmente no quotidiano da vida dos cidadãos?
Numa outra perspectiva, a dos que têm acesso banda larga e são fervorosos adeptos das novas tecnologias, bem como dos gestores de media, a notícia será recebida com entusiasmo, pelas possibilidades que abre ao acesso e disponibilização de conteúdos, num modelo de comunicação que se distingue por ser hipermedia, ou seja, a aplição do multimedia (diversos meios simultaneamente, como escrita e audiovisual) em conjunto com a hipertextualidade (caminhos não-lineares de leitura do texto).
Na web, os media tradionais encontram um novo paradigma de comunicação que transforma a relação que estebelecem com a audiência, ou seja, do esquema de recepção passiva, passamos para outro de trocas interactivas e actualização permanente dos dados, no qual as audiências passam também a poder ser produtoras de comunicação, como o prova o fenómeno dos blogues, do podcast ou do vídeo, no iTube, mais recente novidade que permite que milhares de pessoas se transformem nos protagonistas dos seus próprios filmes.
E a rádio, o que está a fazer para captar esta nova geração que consome informação e lazer através da Internet e que, a partir de agora, está, em todo o país, com acesso banda larga?
1 WOLTON, 2000: 172.
«Esperança de Vida» ganha prémio AMI:
A reportagem «Esperança de Vida», da jornalista da TSF Cristina LaiMen foi distinguida com o prémio AMI - Jornalismo contra a Indiferença. João Paulo Baltazar, também jornalista da TSF, recebeu uma menção honrosa pela peça “Deste Mundo e do Outro”.
Actualização, a partir do comentário do leitor Pedro Esteves:
«A notícia não esclarece, mas a sonoplastia (parte fundamental - senão decisiva - no processo) destes trabalhos é da responsabilidade do Herlander Rui.
Ele merecia, no mínimo, uma referência. Pedro Esteves»
A partir do próximo mês de Setembro, as manhãs da rádio vão ter mais informação.
A par com a manhã informativa da TSF e da Antena 1, o RCP estreia uma nova programação, vocacionada para a informação que, nesta fase inicial, irá desenrolar-se apenas durante este período horário. A notícia foi publicada no Diário Económico, onde se indica que o projecto será da responsabilidade de Luis Osório e contará com a consutoria de Emídio Rangel.
A propósito do texto de ontem «Telemóvel: o próximo rádio portátil?», junto novas informações, sobre o projecto da Media Capital de criação de uma produtora especialmente vocacionada para a produção de conteúdos para telemóveis.
Diz a notícia do Diário Digital , «Media Capital vai criar nova produtora», que «é intenção da Media Capital apoiar o sucesso televisivo da TVI com outros negócios e apostar na produção de conteúdos televisivos para telemóvel, segundo o responsável, citado hoje pelo Correio da Manhã».
Um exemplo nacional de aproximação dos media clássicos aos novos formatos e plataformas de difusão.
Regulação dos Media nos E.U.A.
The acordo com a Reuters, citada pelo Yahoo, a U.S. Federal Communications Commission está a preparar-se para diminuir as restrições à propriedades dos media nos Estados Unidos.
Also under review are limits on the number of radio stations a company can own in a single market, as well as whether to eliminate a rule that prevents two of the top four television networks from being owned by the same company.
Telemóvel: o próximo rádio portátil?
O texto, da newsletter da NAB (Radio Tech Check, 19 de Junho de 2006), começa assim: «When one thinks about portable radios, an image of a transistor radio from the 1960’s or perhaps a Sony Walkman (first introduced in 1979) typically comes to mind».
O anúncio do primeiro telemóvel capaz de receber rádio por satélite, transforma velhos transístores e walkan’s fora de moda, num novo gadget, presente no quotidiano da maioria dos cidadãos. Assumidamente indispensável, o telemóvel é hoje, como já referi variadas vezes, um instumento técnico que também serve para telefonar e, como tal, alvo das mais variadas estratégias e níveis de envolvimento das várias indústrias da cultura. Contudo, no caso da indústria dos media, a oferta, ao contrário do que seria natural, não tem sido tão agressiva quanto a da indústria musical, de conteúdos das operadoras móveis ou mesmo do sector da fotografia digital. Basicamente, parece-me que os media apostam na Internet como novo suporte para difusão da informação e conteúdos de entretenimento, numa espiral de convergência entre meios, conteúdos, sistemas interactivos e novas plataformas, esperando talvez, a massificação do acesso à Internet através dos telemóveis para usar esse, como mais um canal de distribuição. De qualquer forma, escutar rádio em FM através do telefone é possível há bastante tempo, com as consequências naturais para o consumo da bateria do aparelho e as dificuldades de recepção pela ausência de antena externa.
A Nokia, por exemplo tem receptor de rádio FM em mais de metade dos aparelhos comercializados e os mais recentes incluem também leitores MP3 com grande capacidade de armazenamento.
A maior inovação não é aplicável, pelo menos para já, em Portugal, mas pode ser significativa para o mercado japonês e eventualmente norte-americano, dada a incorporação de receptores de rádio satélite em novos telemóveis. Volto à newsletter para citar que a «Japanese mobile communications company NTT DoCoMo (…) was scheduled to debut in April their first mobile phone with a built-in satellite radio receiver. Called the Music Porter X (…), this new cell phone (manufactured by Mitsubishi) is compatible with Mobile Broadcasting (…), a satellite radio service that’s been available in Japan since late 2004». O serviço de rádio disponível inclui cerca de 30 canais, alguns canais estrangeiros, canais de música temáticos, oito canais de vídeo, e serviços de notícias.
União Pan-Africana de rádio e televisão,
A Angolapress notícia a reunião em Adis Abeba sobre o projecto de criação da cadeia de Rádio e Televisão Pan-Africana. Este projecto procura divulgar, valorizar e exaltar a imagem da história de África, bem como «a correcção da imagem do continente distorcida fora das suas fronteiras e o apoio à aceleração do processo da integração e da solidariedade africana».