Hoje no DN: "Acabar com os fóruns por medo seria …

12 05 2006

Hoje no DN: “Acabar com os fóruns por medo seria negativo”

O artigo, escrito a propósito de um a intervenção obscena no programa «Opinião Pública» da Sic Notícias, levou o DN a avaliar a participação dos ouvintes nos programas de antena aberta. O texto, no geral, reflecte a opinião dos vários responsáveis por programas desta natureza sobre o sucedido e sobre a generalidade das participações dos ouvintes.

O que me levou a ler o artigo foi exactamente o título, pois associei de imediato a questão do medo e da negatividade a pressões internas ou externas de outra natureza, e não com o facto do directo dar a oportunidade aos ouvintes de, efectivamente, dizerem aquilo que querem. Mesmo quando o que dizem é absolutamente inaceitável sob todos os pontos de vista. Assim, e para concluir, o título do artigo baseia-se numa frase proferida pelo director de informação da Antena 1, João Barreiros que afirmou que «acabar com eles por medo do imprevisto seria profundamente negativo»…

Sobre a antena aberta, retomo afirmações que já aqui deixei em postagens anteriores: considero muito importantes os programas de antena aberta pois, para além de se apresentarem como um «ponto de encontro» onde o público pode trocar ideias, estes debates mediatizados fornecem uma excelente base de representação social. São espaços de discussão nos quais as pessoas podem defender as suas ideias em voz própria, factor vital para a construção de uma identidade cultural. Mais do que providenciar um espaço, participam na construção da esfera pública, através de um estilo comunicativo baseado na interactividade, aproximando públicos diferentes, mesmo que não se desenvolva uma opinião comum. Na actualidade, estes são dos programas interactivos com maior audiência na rádio e que dão voz ao cidadão anónimo, permitindo-lhe, ainda que por breves momentos, opinar sobre as temáticas em debate, num processo de amplificação da voz que exalta a liberdade de expressão.

Situações como a que aconteceu recentemente à jornalista Marta Atalaya no programa «Opinião Pública» são absolutamente pontuais e, apesar da sua gravidade do ponto de vista da total falta de educação e bom senso, a par com uma espécie de ‘atentado’ pessoal à jornalista que conduz o programa, não são, a meu ver, suficientes para mudar a dinâmica destes programas, muito menos para os eliminar de qualquer grelha de programas. Tal como afirmou ao DN José Fragoso, director da TSF, “se o ouvinte viola o espaço que lhe é dado, tiramo-lo do ar e arrumamos a questão. Tão simples como isso.”

Mais sobre antena aberta aqui.



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