Breve apontamento sobre teatro radiofónico em Port…
25 01 2006Breve apontamento sobre teatro radiofónico em Portugal
Os chamados anos de ouro da rádio, que oscilam entre 1930 e 1950, traduziram-se num fenómeno de radiodifusão que procurava reconstruir a realidade dentro do estúdio, com dramatizações e espectáculos produzidos na própria estação emissora.
O teatro radiofónico nasceu no pós-guerra e tal como os primórdios da actividade radiofónica, também aqui se viveu durante algum tempo, da boa vontade e do amadorismo de quem se dedicava a fazer rir e chorar. A importância do teatro radiofónico reside no facto de ser um espaço para a formação cultural salientando a palavra e ajudando ao desenvolvimento do discurso, através da adaptação de textos literários. Em Portugal, muitos «sketches» faziam piadas disfarçadas ao regime, à semelhança do que se fazia no teatro de revista no Parque Mayer. Os programas humorísticos estavam sob vigilância da censura, obrigando a manobras linguísticas para que os textos passassem.
Em 1950, os folhetins na rádio começaram a ganhar contornos menos literários, com o aparecimento do famoso «Tide». Sem grandes ambições de qualidade e com textos comprados à América Latina, contou histórias que ainda hoje são recordadas. Em 1952 surgiu o «Rádio-Comédias», um programa semanal que subsistiu até 1974. Foi a partir deste programa que o teatro radiofónico se evidenciou, com alguns dos melhores autores nacionais e vozes dos grandes actores da época.
Os grandes êxitos na rádio eram os programas humorísticos, os folhetins, os discos pedidos e os programas de desporto. No humor, destacaram-se a «Voz dos Ridículos» e os «Parodiantes de Lisboa» que, com a «Parada da Paródia», animaram os ouvintes da rádio Peninsular a partir de 1947. Mais tarde, e com o apoio publicitário, os Parodiantes começaram a lançar novos programas e a trabalhar também em publicidade marcando assim, uma nova fase para os anunciantes que fez a diferença no panorama nacional. A publicidade dos Parodiantes inovou por usar humor, numa altura em que os spots de publicidade eram ainda demasiado sérios e formais. Ficaram no ouvido os anúncios das Chaves do Areeiro, rebuçados Dr. Bayar ou ainda, da marca Polylon. Ficou também famoso o programa «Graça com Todos», transmitido diariamente no RCP com figuras ainda hoje conhecidas como Jack Taxas e o cavalo cara linda ou Patilhas e Ventoinha . O programa manteve-se no ar durante 50 anos tendo sido transmitido em Lisboa, Porto, Madeira, Angola, Moçambique e em muitas estações estrangeiras destinadas aos emigrantes. Morreu ontem Rui Andrade, o último dos Parodiantes.
Os chamados anos de ouro da rádio, que oscilam entre 1930 e 1950, traduziram-se num fenómeno de radiodifusão que procurava reconstruir a realidade dentro do estúdio, com dramatizações e espectáculos produzidos na própria estação emissora.
O teatro radiofónico nasceu no pós-guerra e tal como os primórdios da actividade radiofónica, também aqui se viveu durante algum tempo, da boa vontade e do amadorismo de quem se dedicava a fazer rir e chorar. A importância do teatro radiofónico reside no facto de ser um espaço para a formação cultural salientando a palavra e ajudando ao desenvolvimento do discurso, através da adaptação de textos literários. Em Portugal, muitos «sketches» faziam piadas disfarçadas ao regime, à semelhança do que se fazia no teatro de revista no Parque Mayer. Os programas humorísticos estavam sob vigilância da censura, obrigando a manobras linguísticas para que os textos passassem.
Em 1950, os folhetins na rádio começaram a ganhar contornos menos literários, com o aparecimento do famoso «Tide». Sem grandes ambições de qualidade e com textos comprados à América Latina, contou histórias que ainda hoje são recordadas. Em 1952 surgiu o «Rádio-Comédias», um programa semanal que subsistiu até 1974. Foi a partir deste programa que o teatro radiofónico se evidenciou, com alguns dos melhores autores nacionais e vozes dos grandes actores da época.
Os grandes êxitos na rádio eram os programas humorísticos, os folhetins, os discos pedidos e os programas de desporto. No humor, destacaram-se a «Voz dos Ridículos» e os «Parodiantes de Lisboa» que, com a «Parada da Paródia», animaram os ouvintes da rádio Peninsular a partir de 1947. Mais tarde, e com o apoio publicitário, os Parodiantes começaram a lançar novos programas e a trabalhar também em publicidade marcando assim, uma nova fase para os anunciantes que fez a diferença no panorama nacional. A publicidade dos Parodiantes inovou por usar humor, numa altura em que os spots de publicidade eram ainda demasiado sérios e formais. Ficaram no ouvido os anúncios das Chaves do Areeiro, rebuçados Dr. Bayar ou ainda, da marca Polylon. Ficou também famoso o programa «Graça com Todos», transmitido diariamente no RCP com figuras ainda hoje conhecidas como Jack Taxas e o cavalo cara linda ou Patilhas e Ventoinha . O programa manteve-se no ar durante 50 anos tendo sido transmitido em Lisboa, Porto, Madeira, Angola, Moçambique e em muitas estações estrangeiras destinadas aos emigrantes. Morreu ontem Rui Andrade, o último dos Parodiantes.
- Menina, que pólos conhece?
- Conheço o pólo norte, o pólo sul e o Polylon.
- Poly… Lon?
- Ai, que o senhor professor não sabe! Polylon são os fechos de correr que a mamã usa. A mamã e as outras senhoras…
- Conheço o pólo norte, o pólo sul e o Polylon.
- Poly… Lon?
- Ai, que o senhor professor não sabe! Polylon são os fechos de correr que a mamã usa. A mamã e as outras senhoras…