Os anos 80 No blogue «A Rádio em Portugal», fala-s…

30 12 2005
Os anos 80
No blogue «A Rádio em Portugal», fala-se hoje dos anos 80, a propósito de um extenso artigo da revista Sábado sobre esta década, avançando que nada foi escrito sobre a rádio e acrescentando que «Portugal nunca teve tanta e tão boa rádio como naquela década». Concordo, apesar da memória sobre a década em questão recorrer essencialmente ao que o meu irmão ouvia e àquilo que, à distância, consigo recordar com o apoio de terceiros.
Gostava de recuar, agora, aos idos anos 80 para escutar com clareza os sons e os programas que enchiam as estações nacionais e as rádios piratas…

Em meados nos anos 80 emergiram uma série de estações desenquadradas de qualquer disciplina legal que se foram afirmando no espaço radioeléctrico, escapando à fiscalização dos CTT. As rádios livres, ou «rádios piratas» baseavam-se no improviso criando um cenário de comunicação de novidade, baseado numa linguagem popular, distante dos formatos de comunicação institucional da maior parte das rádios da altura. Conquistaram o direito a um espaço próprio e irromperam com um novo tipo de comunicação, alternativo ao sistema radiofónico legalizado. Surgiram com o objectivo de privilegiar os interesses e as necessidades culturais, sociais e educacionais das regiões que serviam, e que as rádios nacionais não tinham interesse ou não podiam cobrir, ao mesmo tempo que privilegiaram a comunicação com os ouvintes. As rádios piratas, fundadas num sistema de colaborações não remuneradas (ou com remunerações simbólicas) tornaram-se embriões de criatividade, e criaram a possibilidade de formar futuros profissionais (alguns dos melhores profissionais que hoje encontramos na rádio, iniciaram a sua carreira numa das mais de seiscentas rádios livres da altura). Recordo o que já escrevi sobre os anos 80, em particular sobre a rádio Comercial e os seus programas. A Comercial marcou a década de 80 com uma nova grelha de programas e a aposta em pessoas novas. Quando surgiu, a Rádio Comercial pretendia ser uma rádio generalista. Muito embora na altura ainda fosse uma rádio de programas, com artistas da rádio, pretendia fundamentalmente chegar a um público urbano. Foi o primeiro formato que existiu de carácter fragmentado, que procurava um público. A Rádio Comercial marcou a rádio da época com programas como: «A Grafonola Ideal» e a «Febre de Sábado de Manhã», de Júlio Isidro; «Flor do Éter» de Herman José e «O Passageiro da Noite» de Cândido Mota. Em 1982, nasceu o «Café com Leite», um programa emitido na Onda Média e no FM da Comercial, que era basicamente aquilo que hoje fazem as rádios no período da manhã: anedotas, conversa numa estrutura com dois microfones. Em 1983, três novos programas passaram a ser transmitidos pela Rádio Comercial: «Som da Frente» de António Sérgio, «Trópico de Dança» de João David Nunes, Paulo Augusto e Miguel Esteves Cardoso e também «Pretérito Mais que Perfeito» de Rui Morrison e Paulo Augusto. De todos, o mais marcante foi «Som da Frente», de António Sérgio, que ao longo de dez anos divulgou o que melhor se fazia na música, com especial destaque para a produção britânica. O «Som da Frente» assumiu-se desde sempre como um programa que escapava ao sucesso fácil… Sinal de uma época, a segunda metade da década de oitenta viu nascer vários programas importantes no panorama radiofónico português: em 1986 estrearam-se, na Rádio Comercial, o novo programa de Herman José «Rebéubéu Pardais ao Ninho» e «Rock em Stock» de Luis Filipe Barros, um programa cujo selo «número um do Rock em Stock», fazia disparar as vendas dos discos. À distância, conclui-se que a Rádio Comercial foi muito bem concebida e foi o último momento da rádio dos artistas (das estrelas da rádio, as pessoas que eram conhecidas por trabalharem na rádio), com o artista absolutamente decisivo no formato da rádio…
Aceitam-se memórias e contributos para este post!



TSF: um ano em revista Escrito a quente, nos mome…

30 12 2005
TSF: um ano em revista

Escrito a quente, nos momentos finais da transmissão da revista do ano que Fernando Alves apresentou na TSF, as linhas que agora apresento procuram reflectir por palavras escritas o momento estético e emocional que a rádio proporcionou…

O crescendo da música que acompanhava as palavras de Fernando Alves fez-nos avançar ao longo do ano e dos acontecimentos do mundo e, particularmente, do nosso país. Os momentos da política, as querelas, as decisões e as palavras que os políticos lançaram para o éter ao longo deste ano, sob um tapete musical que nos fez reviver cada uma das ocasiões, que nos fez estar presentes e ver rostos, ouvir palavras com uma proximidade tal que poderia muito bem não ser uma revista do ano e ter sido, novamente, a situação real.
Sem efeitos sonoros, usando apenas a música e a palavra, os dois elementos abdicaram do seu carácter de unidade independente e transformaram-se num código único, relacionado entre si. O significado que a música em si transporta foi ampliado com as palavras escolhidas para ilustrar o ano revisto por Fernando Alves, tendo funcionado como um excelente auxiliar para significar para além do seu próprio significado, provocando emoções, como só a rádio é capaz de fazer.
Da tristeza à alegria, não foi preciso imaginar para reviver as situações. A maior parte delas foram vividas diariamente na rádio e revistas na televisão e na imprensa. A imaginação serviu apenas para recordar os aspectos particulares das descrições de Fernando Alves e reviver as expressões faciais e corporais das vozes que se foram fazendo ouvir, ao longo do ano e ao longo desta revista radiofónica. E é este o poder da rádio, que nos faz desenvolver uma espécie de relação com o locutor e a estação. Uma evocação da sequência discursiva que implica a realização simultânea do locutor na acção evocada no enunciado, para compreender o todo a partir dos elementos expressos, num esquema em que o ouvinte parte dos pressupostos apresentados para construir a sua própria representação.

Ouvir rádio ainda vela a pena? A provocação de ontem já gerou alguns comentários e a emissão da revista do ano, esta manhã na TSF provou, uma vez mais, que o prazer da escuta radiofónica reside na sublime capacidade que cada ouvinte tem de interpretar e experimentar aquilo que lhe estão a apresentar por palavras e sinais expressivos…

Ouvir rádio é uma experiência intimista que contrasta com a individualização decorrente da evolução tecnológica. Em segundo plano no contexto mediático e cada vez mais fácil de deturpar-se o seu conceito em função dos gostos e interesses de cada um, é porque a rádio continua a proporcionar um mundo particular a cada portador de um aparelho (McLuhan) que esta continua a alargar o seu espectro de influência. Mesmo sozinho, o indivíduo não está apenas sujeito à mediação técnica, pois é através dela que continua a ouvir a voz humana e a partilhar de uma riqueza de emoções que a mensagem radiofónica consegue transmitir…




Novo ano, novo «radioblog» Estreou-se no início de…

30 12 2005
Novo ano, novo «radioblog»
Estreou-se no início deste mês um novo blogue sobre rádio.
Num panorama comunicacional em que a rádio é o meio menos discutido, a blogosfera portuguesa conta já com um conjunto interessante de blogues sobre radiodifusão.

Tardam, mas não falham, os votos de bom trabalho ao Luis Bonixe e ao seu blog «
Rádio e Jornalismo».



Primeiro aniversário do NetFM Há um ano atrás, o N…

29 12 2005
Primeiro aniversário do NetFM
Há um ano atrás, o NetFM inaugurava as suas reflexões no dia em que, de forma brilhante, Fernando Alves apresentou a revista do ano, na TSF.
Ao fim de um ano, uma reflexão transformada em pergunta cuja resposta pode demorar dias, semanas ou meses e que, talvez mesmo, não tenha resposta definitiva:
ainda vale a pena ouvir rádio?



Audiências Rádio A notícia da Marktest diz respeit…

28 12 2005
Audiências Rádio
A notícia da Marktest diz respeito à «Geografia da Rádio» e, a partir dos resultados do Bareme Rádio, indica que se ouve mais rádio no Norte do país, Porto e Litoral Norte, especialmente no horário da manhã.
A notícia avança ainda que Grande Lisboa, Grande Porto, Litoral Centro e Sul apresentam uma afinidade positiva com as rádios do Grupo Media Capital, o Litoral Norte, Grande Porto, Grande Lisboa e Sul apresentam uma afinidade positiva com as rádios do Grupo RDP e todas as regiões do Norte do país apresentam uma afinidade positiva com as rádios do Grupo Renascença, ao passo que a TSF regista maior afinidade nestas regiões e também na Grande Lisboa. Fonte: Marktest [ler]



Lei da Rádio e a música portuguesa Na passagem h…

27 12 2005
Lei da Rádio e a música portuguesa

Na passagem habitual pelos blogues Indústrias Culturais e Jornalismo e Comunicação, deparei-me hoje com postais sobre a questão da música portuguesa na rádio. Ambos reflectem o artigo de opinião publicado hoje no Público, assinado por dois deputados do PSD, Agostinho Branquinho e Pedro Duarte, intitulado «Música portuguesa em sete faixas».
Manuel Pinto, do Jornalismo e Comunicação, liga esta questão a outra, levantada por Álvaro José Ferreira no blogue A Nossa Rádio (que fiquei hoje a conhecer através dos posts deste dois blogueiros), questionando a Antena 1 sobre a existência de uma lista de artistas banidos da playlist de continuidade, a par com uma outra com nomes que raramente tocam…
A ser verdade, a questão é grave. Contudo, com ou sem lista, não é difícil perceber quais os artistas que não tocam e quais os artistas que raramente tocam… O que supõe algum fundo de verdade nesta questão do «Índex», designação já usada e repetida no post de Álvaro José Ferreira. Ainda assim, e mesmo que não exista uma regra formal, talvez existam indicações para quem programa a playlist da Antena 1. O que não torna o caso menos grave. Mesmo assim, talvez esta se trate de uma estratégia temporária, para renovação da estação, conquista e fidelização de novos públicos para que, dada a sua fidelização à estação e seus conteúdos numa lógica de aumento das audiências, se introduzam, lentamente, os artistas, bandas e músicas supostamente banidas da Antena 1.
Reconheço a postura liberal nesta afirmação. Mas também convém reconhecer que a música que está actualmente a tocar na Antena 1 é de escuta fácil, pouco dirigida a mentes mais eruditas ou a grandes conhecedores de música e, portanto, destinada a quem procura uma estação que o acompanhe no seu ritmo diário. Uma estação destinada ao «grande público», virada para as massas que procura crescer em termos de audiência, cumprindo alguns pontos do serviço público, ainda que, no que respeita à selecção musical, possa ser acusada de «esquecer» alguma da mais rica produção nacional que escapa às malhas da pop. A ver vamos se mais alguém repara nisto….




Rádio no Clube dos Jornalistas A edição de amanhã…

27 12 2005
Rádio no Clube dos Jornalistas

A edição de amanhã do programa Clube dos Jornalistas é dedicada aos programas de rádio de antena aberta. A interactividade e o poder dos ouvintes nos programas de rádio é o mote para a discussão do programa que conta com a presença em estúdio de Manuel Acácio (editor do Fórum TSF), Cândido Mota (pioneiro neste tipo de programas, tendo realizado o «Passageiro das Noite» na década de 80) e Maria João Taborda (investigadora ligada ao Obercom). O programa inclui ainda os depoimentos de Francisco Sena Santos (criador do Fórum TSF, nos moldes actuais) e da Antena Aberta da Antena 1. A moderação está a cabo de João Paulo Menezes, jornalista da TSF – Porto e responsável pelo Blogouve-se.
Amanhã, Quarta-feira 28, às 22h30 (repete na quinta Às 15h30), na 2:




Festas Felizes A todos os que por aqui passam regu…

23 12 2005
Festas Felizes
A todos os que por aqui passam regularmente, um Feliz Natal.
O NetFM volta depois das festas.



Renascença em Sintra? A notícia da compra da rádio…

22 12 2005
Renascença em Sintra?
A notícia da compra da rádio Ocidente pelo grupo Renascença é avançada hoje pelo Meios e Publicidade:
«A notícia, avançada pelo Correio da Manhã, foi confirmada ao M&P por fonte da administração da Rádio Ocidente e por Luís Alvito, membro do conselho de gerência do Grupo Renascença. (…) Luís Alvito adiantou ainda que a aquisição da Rádio Ocidente se insere num quadro de permanente “avaliação do mercado”, conjugado com a necessidade sentida pelo Grupo Renascença de “reforçar o seu posicionamento na Zona Norte da Grande Lisboa”. (…) Segundo assegurou Luís Alvito, a decisão final quanto ao rumo a dar à rádio Ocidente deverá ser tomada ainda “no primeiro trimestre do próximo ano”.» [Ler]



Tojal, parte II Ainda a propósito da saída de Pedr…

20 12 2005
Tojal, parte II
Ainda a propósito da saída de Pedro Tojal do grupo MCR, reproduzo alguns comentários deixados aqui no blog. Lamento que sejam anónimos mas, ainda assim, dado o seu interesse, aqui ficam:
Anónimo disse…

Tojal. Direcção Geral.
Direcção Geral. Prisa.
Prisa. Nova força accionista.
Nova Força Accionista. Miguel Pais do Amaral.
Miguel Pais do Amaral.Cedências.
Cedências. Nova lideraça.
Nova Liderança. Novo Director Geral.
Novo Director Geral. Nova Estratégia.
Nova Estratégia. Emídio Rangel.
Emídio Rangel e Pedro Tojal.
So há lugar para um…
Entra Rangel, sai Tojal.

São só especulações, claro.

Anónimo disse…

Neste grupo nada parece fazer grande sentido: Pedro Ribeiro, o expulso do programa da manhã da Comercial Rock, regressa 2 anos depois ao “local do crime”, acumulando agora com as funções de director da estação. Faz isto sentido?
Tojal, o tal grande recuperador das audiências, é agora afastado, com uma rescisão “amigável”? Estamos a falar de quê?

Anónimo disse…

Para bem do eter nacional, o desafio imediato é emigrar!