Os Reis da Rádio A inédita e brilhante ideia de f…

29 11 2005
Os Reis da Rádio
A inédita e brilhante ideia de fazer regressar as vozes que fizeram a história recente da rádio portuguesa parece não só interessante, como particularmente importante, num país que facilmente esquece os seus nomes e figuras, numa rádio que também dificilmente arquiva o seu passado, e num contexto de parca produção intelectual voltada para, e sobre a rádio.
Ainda não tive oportunidade de ouvir, mas a inciativa da Antena 1 é, por si só, relevante. Trazer aos microfones os que fizeram a glória da rádio nos tempos idos do salazarismo e os que a abrilhantaram nos anos 80 recupera a nostalgia de velhos ouvintes e dá a conhecer um pouco das vozes que (tão bem) fizeram a nossa rádio. São nomes e vozes da rádio. Não que estiveram na rádio. E aqui, reside a grande diferença. Diga-se, a propósito, que este foi inclusivamente o tema da conferência de Pedro Tojal no último congresso de radiodifusão e um dos temas centrais das discussões do congresso organizado pela NAB (National Association of Broadcasting) em Lisboa, há um ano atrás. Assim, a ideia de «profissionais não na rádio, mas da rádio» é determinante para a profissionalização do sector e a melhoria dos seus conteúdos, dado que, sem conteúdos apelativos, ligados à vida dos ouvintes, dificilmente uma estação de rádio conseguirá implementar-se no mercado ou aumentar as suas audiências.
Longe vão so tempos em que se fazia rádio mais por gosto do que por profissão. E, apesar de uma larga maioria hoje estar na rádio e sentir que «é» da rádio, muitos são os que fazem da rádio um trampolim para a notoriedade.
Até meados da década de noventa, o perfil do autor contribuia para definir a personalidade da estação. Apesar de na altura já não ser o meio dominante, como o foi entre a década de 60 e a de 80, a rádio detinha ainda uma estrondosa reputação e demarcava-se no panorama mediático português. A marca indelével estava no autor do programa, que o definia e caracterizava, distinguindo-o da restante programação da estação. O hábito de ouvir rádio estava fortemente implantado no nosso país e as pessoas desenvolviam expectativas em relação ao horário de cada locutor. Os ouvintes eram exigentes, interrompendo as suas actividades para ouvirem um determinado programa de rádio. Hoje, tal é impensável.
A este fenónemo não é alheio o crescimento da oferta: primeiro a MTV e outros canais de televisão vocacionados para a música, jornais especializados, concertos, concursos de novos valores e mais recentemente, a Internet.Nos anos 80, Portugal ainda não tinha nada neste domínio. Os discos vinham directamente do estrangeiro e, em alguns casos, só depois de tocarem nas rádios é que as editoras em Portugal se interessavam pelo artista.A música e a cultura estavam nas mãos de um círculo muito pequeno, que controlava as fontes. Nesta altura, a rádio rivalizava com a televisão. Era, para muitas pessoas, a principal fonte de informação e conseguia ir controlando a divulgação da música e dos fenómenos culturais. Foi também neste altura que surgiram alguns programas ainda hoje conhecidos. Na Rádio Comercial, 1979 é o ano do aparecimento de quatro programas que marcaram a rádio da época: “A Grafonola Ideal” e a “Febre de Sábado de Manhã”, de Júlio Isidro; “Flor do Éter” de Herman José e “O Passageiro da Noite” de Cândido Mota. Em 1983, três novos programas passaram a ser transmitidos pela Rádio Comercial: “Som da Frente” de António Sérgio, “Trópico de Dança” de João David Nunes, Paulo Augusto e Miguel Esteves Cardoso e também “Pretérito Mais que Perfeito” de Rui Morrison e Paulo Augusto. Sinal de uma época, a segunda metade da década de oitenta viu nascer vários programas: em 1986, estreou na Rádio Comercial, um novo programa de Herman José “Rebéubéu Pardais ao Ninho” e “Rock em Stock” de Luis Filipe Barros. Em 89 Rui Morrison pôs de pé mais uma aposta da rádio Comercial, “Morrison Hotel” e José Duarte convidava: “A Menina Dança?”. Essencialmente musicais, estes programas traduziram a viragem que se vinha efectuando e que se traduziu numa oferta diferente e complementar à televisão. Agora, é chegada a hora de recordar as vozes, os nomes e as personagens de alguns dos melhores momentos da rádio portuguesa, antes das nove da manhã, na Antena 1.



Ouvir e ler as vozes da rádio O último livro de …

22 11 2005

Ouvir e ler as vozes da rádio

O último livro de Rogério Santos «As Vozes da Rádio», traça a evolução de um momento particular da rádio em Portugal. O período em análise compreende os anos de 1924 a 1939, retrata a fase de experimentalismo, passagem para o profissionalismo na rádio e enquadra a emergência das principais estações de rádio.O ano de 1924 marca o início das experiências de rádio em Portugal e 1939, com o fim da Guerra Civil Espanhola e o começo da Segunda Guerra Mundial, um novo alinhamento para a estrutura de comunicação da rádio portuguesa. Nestes quinze anos aqui retratados, o autor fala essencialmente da componente tecnológica e cultural deste meio de comunicação. No contexto da época, Santos desenvolve ainda duas outras questões interessantes: a vertente comercial da rádio e a imprensa, ou seja, a forma como a imprensa foi, no início da história da rádio, o principal meio de divulgação dos programas, com a publicação de programas de rádio nos jornais. E é exactamente sobre esta questão que se levanta uma outra: se os jornais apresentam a programação de, pelo menos, os quatro canais de sinal aberto, porque não apresentam a programação da rádio (incluindo-se, neste caso, os canais generalistas nacionais e os de serviço público)?

Talvez por falta de espaço e opção editorial. Uma resposta simples e eficaz.

A escolha dos programas e estações a anunciar também merecia análise e algumas explicações. Contudo, por hoje, ficamos por outros aspectos…

Talvez porque a programação, no geral, se divide em espaços musicais de continuidade sem denominação própria. Talvez porque só ao fim-de-semana existam «programas de rádio».

Talvez também, porque a rádio há muito que deixou de exercer «domínio no lar», para usar a expressão com que Santos abre o seu livro.

Até ao advento da televisão, a rádio foi uma das mais importantes formas de comunicação e informação. Nos anos 40, um dos estudos de Paul Lazarsfeld, enunciou as razões para a escuta da rádio, concluindo-se que a maior parte dos ouvintes a utiliza para se distrairem e manterem informados. Mais tarde, na década de 60, outra investigação indicava que 30% dos inquiridos usavam a televisão para alargar os seus horizontes e 32% pensava que o papel da rádio era essencialmente informativo. Nesta perspectiva, que apesar de tudo parece actual, o papel da rádio será essencialmente de informação e distracção, enquanto a televisão oferece, antes de mais, a possibilidade do indivíduo aumentar o seu nível de conhecimentos, ao mesmo tempo que se distrai e mantém informado.

Hoje, rádio e televisão debatem-se pela oferta comunicacional. Cadeias de televisão como a CNN ou a MTV colocaram a rádio em segundo plano. No entanto, porque, como avançou McLuhan, a rádio continua a proporcionar um mundo particular a cada portador de um aparelho, esta mantém e alarga o seu espectro de influência. Mesmo sozinho, o indivíduo não está apenas sujeito à mediação técnica, pois é através dela que continua a ouvir a voz humana e a partilhar de uma riqueza de emoções que a mensagem radiofónica consegue transmitir. A revolução cibernética e a televisão por cabo podem colocar em causa o papel da rádio. Contudo, muito embora a tecnologia permita que a rádio enfrente a dura batalha da actualidade em competição com meios como a televisão ou a Internet, tem todavia, características que a distinguem: a sua instantaneidade e imediatez, a par com a sua integração no quotidiano, como o motor do ritmo de vida urbano, constituíndo um segundo plano do qual quase não nos apercebemos, mas do qual sentimos de imediato a falta, quando por alguma razão desaparece.




Lovemarks: poderá o nome de uma rádio ser uma love…

22 11 2005

Lovemarks: poderá o nome de uma rádio ser uma lovemark?
O livro do CEO da Saatchi & Saatchi, Kevin Roberts, lovemarks levanta algumas questões que, não sendo absolutamente inovadoras, apontam uma direcção e revela a tendência ao nível da comunicação das marcas.
Partindo do pressuposto de que os consumidores se orientam mais pela emoção do que pela razão – aspecto que contraria o princípio de alguma racionalidade nas escolhas do consumidor – Roberts revela que o aspecto emocional tem vindo a tornar-se fulcral nas decisões de consumo, condicionando de forma inegável a comunicação que se faz, não em torno de produtos, mas em torno das sensações, dos sentimentos e do fascínio que as marcas despertam. A emoção é o factor determinante, a par com acriatividade ao nível da publicidade que, logicamente, não pode seguir tendências. Cabe à publicidade, ainda que baseada no quotidiano das pessoas, definir tendências. Numa altura em que impera o marketing relacional, a supresa é também uma forma de conseguir chegar ao consumidor, usando formas e meios alteranativos para comunicar. Em última análise, o que se procura, hoje e sempre, é estabelecer laços com o consumidor, envolvê-lo com a «nossa» que, como Roberts muito bem explica, é a «sua» marca. E só, quando a marca «é» do consumidor, se pode transformar numa lovemark. No livro, avança a explicação para o que é uma lovemark, adiantando que estas são as que estebelecem uma relação emocional com o consumidor. São as marcas que os consumidores respeitam e adoram, aquelas com quem desenvolvem uma relação fiel que vai para além da razão. As principais marcas transmitem sentimentos e criam uma relação com o consumidor de extrema proximidade que envolve sensações e reflecte a realidade. Conseguirá uma estação de rádio ser uma lovemark?
A autenticidade é, acima de tudo, um aspecto fundamental para a constituição de uma lovemark. Para além disso, a lovemark é criada por uma empresa e desenvolvida pelo consumidor que assume a liderança no processo evolutivo dessa marca. Não pode pensar-se, como afirma Roberts, o consumidor apenas como um número, uma estatística, pois para uma lovemark, mais importante será a empatia criada, através da percepção dos sonhos e desejos do consumidor. Conseguirá uma estação de rádio desenvolver tal relação?
No que toca à rádio, verifica-se que há, de facto, estações que se assumem como «fazendo parte da nossa vida». Mas será que fazem? Será que os gestores dessas frequências conhecem efectivamente o seu público ou preferem pensar em função do ouvinte-tipo que definiram para a «sua» estação? Roberts é peremptório ao afirmar que as marcas são dos consumidores.
Estarão os gestores a construir autisticamente a estação em função do ouvinte-tipo ou estarão a acompanhar e a auscultar os desejos dos seus ouvintes? Pelo facto de algumas estações se assemelharem tanto entre si, diria que algumas investem na construção da relação e no desenvolvimento de um conceito de marca para o nome da estação, ao passo que outras, seguem o rasto, usando fórmulas que, aparentemente testadas, parecem resultar. Contudo, e tal como para uma lovemark existe uma percentagem superior ao normal de emoção, também na relação do ouvinte com a rádio a imprevisibilidade do desejo, da sedução e dos sentimentos gerados, aproxima a ideia do nome da estação de rádio de uma marca e, talvez mesmo, de uma lovemark.
A rádio sempre foi para alguns ouvintes, a «sua» rádio. O «seu» programa. Durante algum tempo, perdeu-se o sentido que este conceito de «meu» reserva, para apostar em modelos formatados, semelhantes ao exemplo, ainda que prosaico, do pronto-a-vestir. A tendência tem vindo gradualmente a inverter-se. Ainda que o panorama não seja animador, há traços que revelam essa mudança, apesar de dificilmente, a rádio, em Portugal e no mundo, conseguir recuperar o protagonismo de outras épocas. Há sempre um aspecto que convém considerar: a rádio não vive sem ouvintes. Será então que devemos dar aos ouvintes aquilo que estes esperam ou devemos educá-los no sentido de esperarem o que a rádio pode ter para lhes oferecer?…




A ficção na rádio moderna O panorama comunicaciona…

16 11 2005

A ficção na rádio moderna
O panorama comunicacional da rádio moderna caracteriza-se pela multiplicação dos canais, pluralidade de temáticas e conteúdos mediáticos. O futuro passa pela tematização e fragmentação das audiências, resultando no desenvolvimento de estações com conteúdos cada vez mais específicos, tal como se começa a verificar no nosso país, particularmente na cidade de Lisboa.
Colocam-se, então, algumas questões: Será que podemos considerar rádio moderna na verdadeira acepção da palavra radiodifusão? Será a mera difusão musical uma forma concreta de actuação musical? Estará este formato enquadrado nos parâmetros de comunicação que a rádio estabeleceu para si mesma ao longo da sua evolução?
Na sua primeira fase, a radiodifusão desenvolveu-se como um sistema de comunicação radiofónico concebido para a transmissão e recepção de mensagens sem grande definição de conteúdo. Os chamados anos de ouro da rádio, que oscilam entre 1930 e 1950, traduziram-se num fenómeno de radiodifusão que procurava reconstruír a realidade dentro do estúdio, com dramatizações e espectáculos produzidos na própria estação emissora. Face à própria evolução quer do meio, quer da sociedade e do sistema económico – comercial em que o meio se integra, este tipo de rádio cedeu lugar a outros mais específicos, que procuram ir ao encontro de públicos cada vez mais definidos. A dada altura, as rádios entraram num processo de formatação dos conteúdos que ainda hoje orienta a estrutura da programação, define a sonoridade estética e musical, assim como a abordagem conceptual que o meio faz da sua programação e edição de notícias.
O teatro radiofónico nasceu no pós-guerra e, tal como os primórdios da actividade radiofónica, também aqui se viveu durante algum tempo, da boa vontade e do amadorismo de quem se dedicava a fazer rir e chorar. Em Portugal, muitos «sketches» faziam piadas disfarçadas ao regime, à semelhança do que se fazia no teatro de revista no Parque Mayer. Em 1950, os folhetins na rádio começaram a ganhar contornos menos literários, com o aparecimento do famoso «Tide». Sem grandes ambições de qualidade e com textos comprados à América Latina, contou histórias que ainda hoje são recordadas. Em 1952 surgiu o «Rádio-Comédias», um programa semanal que subsistiu até 1974.
A uma fase de rádio-espectáculo, à base de emissões directas, seguiu-se um modelo de passagem de discos e conversa entre dois locutores que, no estúdio, iam apresentando alguns discos e a publicidade. Os grandes êxitos eram os programas humorísticos, os folhetins, os discos pedidos e os programas de desporto. No humor, destacaram-se a «Voz dos Ridículos» e os «Parodiantes de Lisboa» na rádio Peninsular. Mais tarde, e com o apoio publicitário, os Parodiantes começaram a lançar novos programas, nomeadamente o ainda famoso «Graça com Todos», transmitido diariamente no RCP. Nos folhetins, o grande sucesso foi «A Força do Destino», o programa que celebrizou Vasco Santana e Irene Velez, pelas suas interpretações da Lélé e do Zéquinha.
Tal como a rádio já o fez, também hoje a televisão disponibiliza programas de que propõem temas do quotidiano doméstico e familiar durante a manhã; talk shows a seguir ao almoço e ao final da tarde, informação à hora das refeições, telenovelas ao serão e cultura ao fim da noite. Em paralelo, a grelha de programação da rádio foi-se alterando, não só para fazer face às novas propostas da programação televisiva, mas também num processo evolutivo que decorre da história do próprio meio.
Depois do 25 de Abril de 1974, a rádio, que durante anos se mostrou demasiado hermética, tornou-se flexível e criadora de novas tendências. A explosão do FM deu-se em meados dos anos 80, com o aparecimento da Rádio Comercial e das rádios piratas. Quando surgiu, a Comercial pretendia ser uma rádio generalista. Muito embora na altura ainda fosse uma rádio de programas, com artistas da rádio, pretendia fundamentalmente chegar a um público urbano. Foi o primeiro formato que existiu de carácter fragmentado.
Na actualidade, a rádio abandonou a sua estrutura de programação com base em programas diferentes e bastante concretos, para adoptar uma programação mais ligeira que se organiza em sequências horárias ao longo do dia. Em paralelo, tem havido também uma modificação nos hábitos de escuta. Hoje, são raras as vezes em que os ouvintes procuram identificar a estação que estão a ouvir. Invariavelmente, interessam-se apenas pela música que a rádio transmite.
A maior parte das estações tem diversificado a programação, contudo, criou-se um panorama sem grande diferença entre as estações e grupos de rádios. A indistinção entre as rádios começa exactamente na indefinição que existe ao longo das emissões, que ao longo do dia são idênticas. Regra geral, muda a hora, muda a voz, mas o formato mantém-se. Tirando as tendências de estilo discursivo, todas as rádios generalistas são iguais. Se compararmos os horários, verificamos que a programação segue, na generalidade das estações, o mesmo fio condutor: das seis até às dez e meia da manhã, programas que intercalam a informação (nas suas diversas abordagens, conteúdos e tratamentos) com um esquema de rádio – conversa, conduzida por um grupo de profissionais, de preferência «personalidades da rádio». A partir desta hora, as rádios de caractér musical brindam-nos com infindáveis sequências musicais (Antena 3, Comercial, RFM), enquanto as outras optam por um estilo de rádio com programas variados, que tratam todo o tipo de assuntos. Assim se compõe a programação da Antena 1, da Renascença e num ângulo mais requintado que não abandona a informação noticiosa, a TSF. Em muitas rádios, a hora do almoço é aproveitada para fazer um balanço da manhã informativa, desenvolvendo alguns temas que não tiveram lugar nos noticiários da manhã, ou pura e simplesmente, repetindo notícias e reportagens. A partir das dez da noite, a rádio volta a retomar um estilo próprio, com programas de autor («Oceano Pacífico» na RFM), entrevistas, conversas e programas de antena aberta («Bancada Central» na TSF). As madrugadas apostam numa programação de «fundo musical», ou no caso do Canal 1 da Rádio Renascença, em programas de companhia, que procuram diminuir a solidão de alguns ouvintes.
A ficção, é praticamente inexistente. Com excepção para os espaços de humor («Cromos TSF» na TSF, ou «Há Vida em Markl», na Antena 3), não há, nas estações que caracterizam o panorama radiofónico nacional, programas de ficção criados especificamente para este meio.
A escuta da rádio há muito que deixou de ser um ritual, para se tornar um ruído de fundo que nos acompanha na realização de outras actividades, ou na companhia mecanizada de muitos condutores.
Ao longo da sua história, a rádio assumiu-se sempre como difusor de informação e cultura, num claro papel de divulgação musical. Esse papel não foi desvrituado. A rádio continua a ser a maior fonte de variedade musical, apesar das repetições tão características do sistema de playlist.
Não faltam opiniões que recordam, com saudade, outros tempos da rádio. Com algum esforço de memória, certamente conseguimos recordar laguns programas que era hábito escutar na rádio e tentar decifrar quando foi a última vez que de facto, um programa nos seduziu, uma voz nos comoveu ou quando foi que a rádio consegiu produzir, em nós, qualquer emoção estética, traduzindo a linguagem radiofónica enquanto instrumento de comunicação e expressão. Parece que, a dada altura, a rádio se foi distanciando das pessoas, tornando-se mais mecanizada. Apesar de as audiências revelarem aumento do número de ouvintes, o automatismo é contra a natureza da rádio e, por isso, não pode funcionar a longo prazo.
A estagnação do meio decorre de um processo cíclico que obriga à mudança. Foi assim depois do 25 de Abril com o aparecimento da Rádio Comercial, depois com as rádio piratas e as locais com perfil de nacionais. Mas depois disso, nada mais aconteceu na rádio. A única coisa que aconteceu foi a alteração do esquema de negócio, que gradualmente se foi concentrando em grandes empresas.
A rádio é hoje um produto comercializável e perdeu o seu carácter artístico - estético, situando-se no conceito de utilidade. Atravessamos uma fase de ausência de ideias, ou da ausência de espaço para grandes ideias, porque estas dependem do princípio da rentabilidade. As rádios limitam-se a cumprir com o dia a dia e, como outro negócio qualquer, estão a ser geridas numa postura de mercado. Há uma preocupação muito grande com o marketing da rádio e a sua capacidade para gerar lucro, mas perdeu-se o equilíbrio entre o negócio e o lado artístico da rádio. A breve trecho, a rádio vai mudar de forma vertiginosa, empurrada pelas mudanças tecnológicas, mas não vai acabar. Existem formatos internacionais que são aplicados com adaptações aos respectivos mercados. Portugal não foge à regra e o que se faz aqui, é parecido com o que se faz noutros paises. Com a criatividade específica de cada estação. O desenho que temos hoje vai ser pulverizado, por necessidade de encaixe em nichos de mercado e adaptação às novas condições tecnológicas que se vão desenvolver, com o aumento do acesso à Internet nos lares e a implementação da rádio digital que, mudará por completo a rádio como a conhecemos neste momento.




A raposa matreira De um nome como FOXX FM, esperav…

15 11 2005

A raposa matreira

De um nome como FOXX FM, esperava algo inovador.
Como se de uma raposa se tratasse, esperava encontrar uma estação ardilosa, atenta e pronta a atacar. Ao longo dos últimos dias tenho ouvido a emissão da FOXX e, muito embora o projecto ainda esteja em fase de arranque, denota já o contrário daquilo que, invariavelmente, se associa ao nome «foxx» (do inglês fox - raposa). Poderia chamar-se TURTLE FM (tartaruga), dada a lentidão com que se prevê vir acompanhar as novidades musicais. Para já (e correndo o risco de estar a fazer uma análise apressada), o que tenho ouvido não corresponde ao que se revelou para o projecto. A música é antiga. São de facto, ritmos que se identificam como «música negra», contudo, provenientes de um qualquer recôndito baú da MCR.
A música negra está em alta e com uma produção assinalável. Muito embora a Cidade FM aproveite muitas das novas bandas e artistas, há ainda, um infidável leque de artistas e subgéneros que a FOXX poderia utilizar. «Música negra», como o projecto avançava, não se esgota no hip hop. A rádio « foxx fundo musical» é perfeita para ouvir na sala de espera do médico ou do cabeleireiro, por pessoas com mais de quarenta anos, saudosas dos
êxitos antigos da Witney Houston, do Michael Jackson ou da Mariah Carey…
Um caso para acompanhar…



Uma notícia que me chegou por e-mail, sobre uma rá…

10 11 2005
Uma notícia que me chegou por e-mail, sobre uma rádio para cães
Rádio para cães e gatos está a ser um sucesso nos EUA
Uma emissora de rádio online para cães e gatos, que começou a emitir no passado mês de Junho nos EUA, está a ser um sucesso, segundo o diário New York Times.
DogCatRadio.com é uma estação de Los Angeles cuja programação está pensada para entreter os animais de estimação enquanto os seus donos estão a trabalhar. Os apresentadores põem a tocar as canções que acreditam ser mais adequadas para esta peculiar audiência, sendo a canção mais pedida «Hound Dog» de Elvis Presley. Também prestam conselhos aos seus «ouvintes», nomeadamente como ser bom para o carteiro ou não morder o que não se deve. A programação inclui ainda informação sobre eventos relacionados com os animais de companhia e entrevistas com criadores. Actualmente, o serviço recebe uma média de 8.000 visitas diárias de todo o mundo.



Mudanças na MCR Noticiou o M&P que Pedro Ribeiro a…

7 11 2005
Mudanças na MCR
Noticiou o M&P que Pedro Ribeiro assumiu esta semana a direcção de programas da Rádio Comercial, acumulando com as funções de animador do programa da manhã do Rádio Clube Português. Nuno Gonçalves que até aqui acumulava a direcção da rádio Comercial, fica apenas com a direcção da rádio Cidade.



Valores mais altos… «Valores mais altos se ‘alev…

3 11 2005

Valores mais altos…

«Valores mais altos se ‘alevantam’»…
Ouvi hoje numa rádio nacional de grande expressão junto do público.
Quanto ao valor da expressão, não restam dúvidas….
Talvez um pouco por pérolas como esta, ou outra que ouvi há algum tempo, «a ‘aderência’ à greve», as estações apostem em playlists rígidas e dêem, cada vez menos, a palavra aos animadores de serviço….



Vozes da RádioÉ hoje lançado o livro de Rogério Sa…

2 11 2005
Vozes da Rádio
É hoje lançado o livro de Rogério Santos “Vozes da Rádio”.
A apresentação cabe a Adelino Gomes, nome incontornável do jornalismo e da rádio em Portugal.
18h30, Fnac do Chiado.
O livro, que já estou a ler, traça o panorama da evolução histórica da rádio em Portugal, desde o começo da radiodifusão como actividade regular até à II Guerra Mundial. Uma leitura muito interessante e uma excelente contribuição para aumentar a literatura em português sobre este meio. Recomendo a leitura a todos os que se interessam pela rádio e pelo passado político social do nosso país. Compreender a história da rádio, ajuda-nos a compreender o nosso passado político e as razões que levaram à sua longevidade, bem como a forma como evoluiu a comunicação social, numa relação estreita com a estratégia política do país. Esta obra, a par com outras, conseguem traçar aquela que é a históia da rádio em Portugal.



Renascença renova programaçãoDe acordo com a infor…

2 11 2005
Renascença renova programação
De acordo com a informação disponibilizada pela Rádio Renascença, as grandes apostas a partir de Novembro são a música de qualidade e a informação.
De acordo com o comunicado de impensa, a direcção pretende uma Renascença mais moderna, pelo que irá oferecer “uma selecção musical mais cuidada onde têm lugar os grandes clássicos e as músicas mais modernas e actuais, do agrado de um público adulto”, afima o director de programação, Nelson Ribeiro. A informação é outra das apostas da estação, “valorizando a qualidade e a credibilidade de todos os seus espaços informativos”, continua.
Nas manhãs, há uma nova rubrica de humor e, durante o dia, a música será acompanhada das principais notícias nacionais e internacionais, com especial relevo para as questões da cidadania, saúde e educação. A noite, de carácter intimista, terá um programa de antena aberta para partilha de experiências. Uma mudança a acompanhar durante os próximos tempos.