O DN publica hoje uma entrevista com o administrador da Media Capital Rádios, Pedro Tojal, que vem a propósito dos posts «O regresso (I,II e III) ».
Da entrevista, destacam-se as questões relativas à orientação para o mercado das estações do grupo, aspecto que começa (e um pouco por iniciativa do grupo MCR que em 1998 abalou o meio rádio com a notória profissionalização, orientação para o mercado e estratégia de marketing da Comercial) a desenvolver-se nas estações de rádio em Portugal.
Durante anos imperou a intuição e a ideia de que a rádio não era um negócio. Muito embora acredite que a rádio tem uma componente estética extraordinariamente importante, contribuindo activamente para a formação dos indivíduos e que, todos os aspectos artísticos e eruditos da rádio tenham sido relegados para segundo plano, também compreendo o facto da rádio ser um negócio e se incluir na indústria dos media, procurando a rentabilização dos seus projectos. Assim, impõe-se à rádio a mesma questão que aos restantes media, e que passa pelo facilitismo da informação, pelo imitação de fórmulas de sucesso e pelo nivelamento por baixo, na procura das audiências que, por sua vez, fazem aumentar a venda de publicidade e, consequentemente, a rentabilidade da estação.
Somos um país pequeno, culturalmente atrasado, com muita gente ignóbil e ignorante. Mas também somos um país criativo, com espasmos culturais interessantes e alguns exemplos de sucesso, reconhecidos internacionalmente. A rádio reflecte isto mesmo. Temos uma varieadade de conteúdos que reflecte o estado das coisas e, acima de tudo tende a apostar nos que são menos exigentes. A esses é mais fácil impigir música de fraca qualidade cuja vivência se esfuma no espaço de dias. Um bom disco, prevalece no tempo e a sua substituição só se justifica por uma novidade igualmente extratordinária, ou por um novo e brilhante trabalho do mesmo artista… Vende-se menos vezes, mas fazem-se vendas de qualidade em projectos que duram muitos (e bons) anos. Será comercialmente mais efectivo e estrategicamente mais rentável criar, produzir e dar a conhecer artistas em catadupa que fazem esquecer o anterior ou será melhor o inverso? O mercado musical aposta na primeira hipótese, será talvez, aquela que é financeiramente mais eficaz. A rádio segue-lhe a tendência e para provar isso, estão os rotundos falhanços de projectos como a XFM ou a Voxx, e a sobrevivência relativamente desafogada de projectos como a Radar, a Oxigénio ou a Marginal que, ainda que não seja eruditos, conseguem criar uma lista musical eclética, curiosa e acessível, sem contudo, serem demasiado comerciais.
Pedro Tojal fala também do sucesso da Cidade FM, explicando que «uma rádio para ter sucesso tem de [...] acima de tudo, estar à frente. Se estiver no presente, já está no passado». Não estavam a XFM e a Voxx suficientemente «à frente»? Talvez lhes tenha faltado o merchadising dos artistas, a MTV a promover as bandas, ou os filmes, as novelas, as revistas e o quotidiano em geral, para falar dos seus artistas…
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Rod
Com gente com um discurso como o do sr Tojal, como é que este pais pode andar para a frente? Nem sequer consegue respeitar o serviço Publico de Rádio assegurado pela RDP (e pior ainda os seus “reduzidissimos” ouvintes). Tenho muita pena que tenhamos assistido ao sucumbir da XFM e Voxx e nada tenhamos feito para os evitar.
CarlosL
será que a marginal, radar e oxigénio sobreviviam se não tivessem por trás uma estrutura ligada à organização de concertos, como aquela que tem luis montez?
A entrevita de P Tojal é reveladora de quem afirma coisas que nem o próprio acredita porque não é estúpido. Mas afirmou coisas sem o mínimo fundamento…
Agora, inteligente ele é. Ele sabe porque disse aquilo da RDP. E sabe porque afirmou o que afirmou sobre a Cidade FM. E acima de tudo, marcou bem o terreno sobre o Luis Osório.
Uma entrevista estratégica. Cheia de baboseiras. A única coisa que tenho pena e que a sra.entrevistadora tenha demonstrado um total desconhecimento do percurso, ambições pessoais de Tojal, as ideias que defende para o sector e as frentes de batalha internas no MCR com a entrada da Prisa e a nova via do Luis Osório.
Dito isto, aquela do Serviço Público é um fait divers que só se transformou em LEAD da entrevista, por um total desconhecimento do meio, de quem fez a entrevista e foi enrolada, sem ser capaz de apresentar contradições no discurso. Srs do DN, que tal fazer um pouco de trabalho de casa?
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