Ainda o caso da Sony e demais editoras…
A notícia ontem avançada relativa à relação entre as editoras e as estações de rádio pode levantar os mais variados comentários. Ingénuo seria quem pensasse que esta é uma relação transparente, sem qualquer tipo de interesse. Há uns tempos escrevi aqui no blog que a rádio não vive sem música e que também a música precisa da rádio, apesar desta relação ter uma certa tendência para o desequiíbrio, em virtude da variedade de fontes e suportes para acesso às novidades musicais. É, e será, cada vez mais a rádio a precisar da música porque a rádio continua a viver do facilitismo e da facilidade de uma programação estritamente musical. Para se produzirem conteúdos é preciso ter trabalho e são também precisas pessoas, ao passo que apenas uma, consegue programar uma playlist… Não se trata de as pessoas que estão nas rádios serem mais ou menos criativas, trata-se no fundo, de estratégias comerciais para rentabilização da rádio. Porque afinal, a rádio é um negócio como outro qualquer… Ou talvez não… Como os jornais. Serão também eles um negócio como outro qualquer? Nem por isso. Escreve-se no Dossier da última edição da Revista Media XXI, num extenso dossier sobre a Educação para os Media que «“Os media ainda não devoraram o centro”. Foi com estas palavras que, há cerca de dois anos, numa conferência em Portugal, Daniel Dayan se referia aos media como instituições sociais centrais, embora sem o exclusivo de influência simbólica sobre os indivíduos e as comunidades» (Revista Media XXI, nº 82, «O “b-a bá” dos media», por Carla Martins, p. 10). Por isso, os media não podem ser considerados um negócio como outro qualquer. Contribuem para a formação dos cidadãos, participam no desenrolar da vida quotidiana e são a principal fonte de informação para a maior parte das pessoas. No caso da rádio e da música, são uma das primeiras e mais importantes formas de formação e educação musical. Que educação é esta que a rádio está a prestar aos mais novos, pois são eles quem mais ouve rádio e, acima de tudo, quem mais escuta as estações dedicadas ao pop/rock? Uma cultura MTV que, como todos bem sabemos, desde sempre dependeu e esteve influenciada pela relação entre a estação, as editoras e os artistas…