O poder da rádio, ou a verdadeira importância da emissão para surdos na TSF
Curiosa a forma como é a iniciativa privada a estar um passo à frente na comunicação radiofónica. Em diferentes momentos do tempo que venho escutando atentamente a rádio, os canais do Estado «reagem» às iniciativas e ao dinamismo das estações privadas, seguindo-lhes os passos, usando o modelo e mesmo, copiando programas. Em alguns casos, a cópia até supera o original, mas para isso, contribuiem sem dúvida nenhuma, os quase inesgotáveis recursos que a estação pública de rádio tem. Não falemos disso e vejamos uma pequena questão: os surdos, os cegos e os deficientes em geral, são de facto, um segmento da população portuguesa ao qual se dá pouca (ou nenhuma) atenção. Tal facto é visivel em todos os aspectos da nossa vida em sociedade e também, ao nível da comunicação. Quantas inciativas se conhecem para integrar os cegos e amblíopes na comunicação mediática? Poucas e dou o meu louvor à inciativa da Visão em braille, ainda que mensal. Quantas se conhecem para integrar os surdos? Enfim, é um facto que acompanham a comunicação mediática através da imprensa e não acredito que os rodapés nos telejornais tenham sido colocados a pensar nestas pessoas. Esta iniciativa da TSF, tão louvável quanto a da revista Visão levou-me a pensar que com a introdução da linguagem gestual para «traduzir» a emissão de rádio, usando para isso a Internet, pode ser não só uma excelente atitude de responsabilidade social, mas também uma forma de rentabilzar os websites de uma estação como a TSF. Vejamos: este é um segmento da população que não consegue acompanhar as emissões de rádio e que, muito provavelmente até estaria disposto a pagar por ter esse serviço (e, apesar de assim, a rádio deixar de lado uma das grandes vantagens em relação à TV, que é possibilidade de acompanharmos as suas emissões enquanto desenvolvemos outras actividades, esse aspecto não é relevante para os surdos pois necessitam sempre do elemento visual para comunicarem); além disso, a publicidade na rádio não atinge este segmento.
Não seria uma forma interessante de algumas marcas se darem a conhecer, tendo em consideração os baixos índices de leitura em Portugal (que apesar das limitações já referidas, talvez englobem também quem não ouve)?
Será que a TSF pensou nisto quando criou esta emissão? Será que vão continuar?