Rádios Universitárias, um mundo à parteNa rádio, c…

14 04 2005
Rádios Universitárias, um mundo à parte
Na rádio, como em todos os domínios da comunicação, os jovens são um segmento ao qual se devem dirigir formas e conteúdos específicos. No sector privado, a rádio está a ser encarada como entretenimento, deixando as outras funções para sistemas alternativos de comunicação radiofónica, como o Serviço Público e as rádios universitárias. Em Portugal, existem quatro rádios universitárias com emissão em FM, a Rádio Universidade do Marão (Universidade FM); a Rádio Universitária do Minho; Rádio Universidade de Coimbra e a Rádio Universitária do Algarve e alguns projectos universitários de rádios na web, a RIIST no Técnico, a 351 no Instituto Piaget e a Esec Rádio Online, na ESE de Coimbra. Existem outros projectos, mas contudo, ainda não têm emissão online.
Em Portugal, o universo radiofónico assume características próprias, sendo difícil catalogar de forma linear os diferentes projectos de rádio. Na generalidade, as estações organizam-se mais pela sua especialização musical ao nível do conteúdo dos programas e público-alvo, do que propriamente pela tematização. Os jovens em Portugal são alvos de estratégias de comunicação radiofónica específicas, quer da parte de estações públicas e privadas, bem como por parte das rádios universitárias. Dado o facto da rádio privada ter fortes preocupações com a rentabilidade e optar por oferecer um produto de entretenimento puro, numa perspectiva mais comercial do meio, sem grandes preocupações artísticas ou ao nível da informação de actualidade, são os sistemas alternativos de comunicação radiofónica, como o Serviço Público e as rádios universitárias que têm vindo a desenvolver programações que fogem ao ritmo da comunicação radiofónica comercial, apresentando elementos na sua programação de carácter experimental e de formação de novos valores, contribuindo para o debate de ideias e fomento da aproximação entre a rádio e os ouvintes.
A história das rádios universitárias em Portugal começa na década de 50, em Coimbra, com as primeiras iniciativas deste género. Os projectos mais recentes têm objectivos semelhantes mas um carácter e estrutura diferenciados, apresentando uma evolução que acompanha o pulsar académico e própria sociedade nacional. A contribuição e influência das rádios universitárias no desenvolvimento da formação de futuros profissionais, aliada à importância no contexto da comunicação radiofónica em geral são inegáveis e, num contexto em que a principal preocupação é a rentabilidade da estação, as rádios universitárias apresentam-se como elementos que oferecem alternativas de programação e formação. A salvaguarda de alguns interesses, nomeadamente a promoção da língua e cultura portuguesas, contribuindo para a informação e recreação do público em geral, atendendo à sua diversidade de idades e interesses, particularmente o público universitário e as minorias culturais, permitem que estas rádios fomentem de forma independente e pluralista, o esclarecimento, a formação e a participação cívica e política da população. Dada a existência de vários cursos universitários na área da comunicação, aliados à existência de apenas um curso técnico-profissional na área da rádio em todo o país, estas rádios assumem-se como ponte entre o meio académico e o meio profissional e, acima de tudo, como verdadeiras escolas de rádio, permitindo aos alunos das universidades em questão, a prática da rádio e a formação de futuros profissionais da área.

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