E enquanto a rádio for só música… Um dos aspect…

30 01 2005
E enquanto a rádio for só música…
Um dos aspectos mais interessante das novas tecnologias é a forma como se adaptam às necessidades dos indivídos. Fascinante, é a forma como são criadas e desenvolvidas para satisfazer as necessidades que anteriormente não tínhamos. Ou se já as tínhamos, também vivíamos sem as satisfazer. Mas a mudança instalou-se e é irreversível. Para o bem… e para o mal. Vivemos uma era de comunicação. Instantânea. Simultânea. Ouvimos rádio e lemos o jornal na Internet, ao mesmo tempo que falamos ao telefone ou teclamos no MSN. Ou deixamos a televisão ao fundo, a debitar coisas que não ouvimos, pesquisamos na internet coisas que antes não precisavámos saber, o telefone toca, o download das músicas em MP3 continua… e por ai fora. Tornámo-nos quase dependentes dos gadgets que aparentemente vêm facilitar a nossa vida, ou pelo menos contribuir para nos mantermos entretidos. E onde fica a rádio no meio disto tudo?… Nos telefones, muito embora ainda não tenha visto ninguém utilizar este suporte para ouvir rádio. Nos leitores de MP3… Mesmo que não tenham uma captação excelente. Na internet… Onde todas as estações já estão, e onde muitas outras poderão e, seguramente vão estar. A questão não passa tanto por onde podemos encontrar a rádio, mas sim por aquilo que ela tem para nos oferecer. Neste panorama de comunicação, o que se verifica é que a rádio quase não comunica. Se o suceso dos gadgets passa pela personalização, pela forma como mecanicamente conseguem esteleber uma relação com o indíviduo, uma fidelidade entre a coisa e o seu utilizador, a ponto de ser difícil a separação, qual o lugar da rádio na vida das pessoas?…
Será seguramente este, o ponto de viragem para a rádio. Pedir aos ouvintes que liguem, que participem de qualquer forma já não chega. As solicitações são demais e, em muitos casos, superiores. Estar lá, ser útil e de acesso gratuito, já não chegam para manter a rádio enquanto elemento que integre activamente a vida dos indivíduos. A televisão também está. A Internet também, as notícias via sms, também…
As escolhas multiplicaram-se, potenciadas pela portabilidade dos instrumentos de comunicação e pela mudança no comportamento dos indivíduos. A ver vamos o que irá acontecer à rádio. Em boa verdade, as palavras de ordem são a interactividade e a utilização à medida dos interesses e necessidades de cada um, pelo que adaptar estas características à rádio, fará deste, um meio de comunicação (ainda mais) incontornável na comunicação moderna. O FM resiste e mantém a sua importância, mas o facto do crescimento de escuta de rádio pela internet (ainda que sejam estações FM) deveria, só por si, ser um elemento que fizesse despertar a letargia da rádio portuguesa.
Só a título de curiosidade, a RAJAR (Radio Joint Audience Research Limited), uma organização de estudos de audiência da Grá-Bretanha divulgou recentemente que a escuta de rádio pela internet está a crescer na Grã-Bretanha, apesar do maior crescimento se verificar ao nível da escuta das estações britânicas que emitem em FM e também na Internet, é mais um dado que prova o crescimento da importância deste suporte.


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One response para “E enquanto a rádio for só música… Um dos aspect…”

30 01 2005
Marina (17:27:22) :

É, de facto, um futuro incerto - o da rádio, no contexto das novas tecnologias. Tenho esperança (e espero não ser a única!)de que se mudam as formas de ouvir rádio mas não se muda o hábito de ouvir rádio, seja de que forma for.

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